Resenha - Românticos Incuráveis

03 março 2021

 

Livro: Românticos Incuráveis - quando o amor é uma armadilha
Cortesia: Faro Editorial
Nº de páginas: 240
Onde encontrar: Amazon

Desejar, amar, se apaixonar, perder um amor... todo mundo conhece alguma loucura de amor, mas a experiência do amor obsessivo, apesar de comum, não é banal. Neste livro, Frank Tallis apresenta histórias extraordinárias de pessoas que ultrapassaram o real e criaram fantasias, romances e compromissos, onde não existia absolutamente nada, ou muito pouco. São histórias que falam sobre todos nós. Qualquer um que já se apaixonou terá experimentado os sintomas de uma loucura psiquiátrica completa: a desinibição, o pensamento mágico, a tendência ao toc de checar suas mensagens (ou as mensagens do seu parceiro) a cada cinco segundos... Segundo as pesquisas científicas mais recentes acerca dos mecanismos atrelados ao apego emocional, muitas pessoas sob o estado do “amor” dissolvem a divisão entre o que costumamos julgar ser normal e anormal. Da mulher que se apaixonou perdidamente pelo seu dentista e o perseguiu até que ele precisou mudar de país; ao rico empresário, casado há mais de 30 anos, que gastou toda sua fortuna com mais de 3 mil prostitutas; à linda garota com um ciúme tão doentio que afastou todos os homens da sua vida; e muitos outros casos que nos mostram que ninguém está imune à loucura do amor.

 

O psicólogo Frank, especialista em transtornos obsessivos, aborda, nesse livro, sobre as várias formas de amar, mas que são consideradas uma patologia pelos médicos por causarem danos tanto a quem ama, quanto a quem é amado. Ele descreve de casos leves a casos mais graves, analisando as situações, explicando sobre o amor e divagando sobre sua vida pessoal também. É uma coletânea de casos reais de pessoas romanticamente doentes, que sofrem mais do que pessoas sem patologias quando se apaixonam por outra ou por algo que é imoral, ilegal e errado.
 

"Ser um profissional é como ter uma personalidade dividida. Somos um indivíduo, mas somos também um serviço, um cargo, os meios para fazer um trabalho. Eu não atendia Gordon como uma mera pessoa, mas como um psicoterapeuta, e os psicoterapeutas não podem usar seus juízos de valor para fazer seu trabalho."


Me interessei por esse livro por gostar de psicologia e por ele falar do amor obsessivo, assunto que sempre me deixou curiosa. Costumo pesquisar sobre patologias psiquiátricas e me inteirar de diversas coisas, portanto, senti que esse livro seria de grande valor para minha curiosidade. 

O livro é narrado pelo personagem que interpretamos como sendo o próprio Frank, já que é um livro de casos reais, que foram adaptados para não manchar a imagem dos pacientes. Cada capítulo trata de um tipo de amor patológico, é narrado em primeira pessoa e traz descrições dos personagens e diálogos deles com o psicólogo sobre suas vidas e o motivo do amor doer tanto. Ao longo desses capítulos, vamos desde um debate sobre amor à primeira vista, até um caso de um pedófilo que reconhecia sua doença e queria ser ajudado antes de cometer um crime.


Geralmente, nos capítulos, o autor nos apresenta o tema, o que o paciente tem e como ele é, por vezes traz assuntos mais teóricos e filosóficos para embasar seus diálogos, como uma grande revisão bibliográfica, por exemplo,  do renomado Freud. Também traz livros consagrados e até contextos históricos de onde surgiu algumas coisas. Após, discorre sobre o amor. Também mostrando se os casos tiveram um desfecho ou não e como isso afeta a vida dele, profissional e pessoal. Em algumas partes, ele fala sobre sua própria vida e acontecimentos marcantes, que se relacionam ao tema, para fins de contextualização do assunto.
 

"A terapia de casais tem origens sombrias - ela foi desenvolvida, de início, como parte de um programa de saúde nazista. Famílias estáveis, racialmente puras e numerosas eram consideradas importantes para que os objetivos mais amplos do Terceiro Reich fossem alcançados Não é necessário dizer que a terapia de casal se transformou em algo muito diferente depois da guerra."


Gostei de como ele é sincero em todos os casos, relatando que nem sempre a terapia funciona ou é para todo mundo, porque nem sempre as pessoas realmente querem se ajudar. Relata que psicólgos também são humanos, com seus próprios problemas, e podem, sim, cometer algum erro em alguma consulta que transformaria a vida dos pacientes de forma negativa. Portanto, é preciso saber lidar com tudo isso. Também falou sobre como prefere evitar enviar um paciente ao psiquiatra, pois, muitas vezes, o remédio não é necessário após algumas sessões de terapia, sendo usado apenas em últimos casos.

O livro não se aprofunda muito nos temas, senti que é mais superficial, mas, em certas situações, me senti muito tensa e realmente abalada com um caso ou outro, ou com a forma como ele tem que lidar com tudo. Ele traz, também, questões bem mais profundas, decorrentes dos diálogos e pacientes, como: tratar pessoas com problemas que são imorais e ilegais, sabendo que elas podem ou não cometer um crime, e, mesmo assim, ter que ser imparcial, pois essa pessoa também é humana. O papel da religião em nossa vida. Sobre como o suicídio é ou não a resposta para aquele que sofre, se é uma escolha, se temos escolha. Além disso, ele adverte sobre não tratar com descaso as reações decorrentes de uma paixão, pois as consequências podem ser graves.

"Mas a doença do amor não é um assunto trivial. O amor não correspondido é causa frequente de suicídio (sobretudo entre os jovens), e cerca de 10% dos homicídios têm uma ligação com os ciúmes sexuais."


 


Dentre os casos, os que tópicos abordados que mais me chamaram a atenção foram: feticídio, amor romântico,  religião e amor, um paciente que afirma ter sido possuído, traição etc. Foram informações que me fizeram pensar muito em diversas coisas ao longo do texto, não só no que ele apresentava, pois é possível se identificar com os personagens, ou ao menos querer entender como eles funcionam e por que fazem o que fazem, principalmente aqueles que sabem que estão errados. A mente humana é complexa e, quando relacionada ao amor, algo que às vezes é irracional e biológico, se torna duplamente complexa e perigosa, sendo capaz de jogar uma pessoa em depressão profunda ou fazer ela cometer um crime passional. 

Por fim, ele deixou um apontamento que muito martelou e ainda martela em minha cabeça: todos nós cometemos crimes em nossas mentes, então como julgar os que o fazem na realidade? Seja por amor ou por outra doença, motivo. Nem eles os médicos podem julgar, pois o papel deles é dar apoio e tentar mudar ou fazer a pessoa buscar aceitação. 


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