23 novembro 2018

Resenha - O que Alice esqueceu


Livro: O que Alice Esqueceu
Editora: Intrínseca
Ano: 2018
Páginas: 416
Skoob
Onde Comprar: Amazon
A Intrínseca relança romance de Liane Moriarty, autora de O segredo do meu marido e do livro que inspirou a série Big Little Lies Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia... dez anos depois! Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco. Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer.




Aos 29 anos, recém-casada e grávida do primeiro filho, Alice está ansiosa para decorar sua casa nova.

Tem só um probleminha. Tudo isso aconteceu dez anos atrás.

Quantas coisas podem acontecer em dez anos?

É óbvio que Alice cometeu erros terríveis. Mas será que existe alguma forma de voltar a ser a mulher de antes?

O livro foi lançado pela primeira vez no Brasil pela editora Leya em 2013 com o título “As lembranças de Alice”. Agora ele ganhou uma nova edição pela editora Intrínseca e foi lançado com o título “O que Alice esqueceu”, mais literal com relação à sua versão original.


O livro começa nos contando que após cair na academia e bater a cabeça, Alice simplesmente se esquece dos últimos dez anos de sua vida. Ela precisa reconstruir, por meio de fragmentos que são jogados por diversas pessoas, seu passado esquecido. Assim, ela tenta entender em que ponto seu casamento fracassou, quando foi que seus filhos nasceram – pois até então ela estava grávida do primeiro filho, ou filha –, por que sua irmã a trata com tanta frieza? São muitos os questionamentos na cabeça de Alice, e muito lentamente ela vai compreendendo alguns fatos de seu passado. Ela compreende que algumas coisas estão ligadas à amizade com Gina, mas não sabe como.

“... um menino se inclinara na direção dela com um hálito doce de Coca-Cola e dissera: “Você tem cara de porco” ... Talvez Nick estivesse lhe trazendo uma xícara de chá certa manhã e subitamente um véu se ergueu diante de seus olhos e ele pensara Ei, espere aí, como foi que acabei me casando com essa mulher preguiçosa com personalidade chata e sem graça e cara de porco?”


O livro é narrado sob três pontos de vista. Alice, em terceira pessoa; Elisabeth, em forma de cartas para seu psiquiatra; e Frannie, no formato de posts em um blog.

Enfim, essa história é um quebra-cabeça que a gente vai montando junto com Alice, pois seus familiares não conseguem ajudá-la a desvendar seu passado pelo simples fato de não conhecerem sua vida particular. Alice também havia se afastado de todos.

Eu já li todos os outros livros da Liane Moriarty publicados no Brasil (são 4 ao todo), e esse foi o que menos gostei. Não pela história em si, que é muito boa, porém algumas coisas deixaram a desejar.

De fato, o estilo da autora não mudou no livro. Ela aborda questões da vida cotidiana de forma primorosa, como os relacionamentos, principalmente o casamento – ou o fim dele –, a maternidade e a infertilidade, os problemas psicológicos que podem ocorrer por causa dessas questões mal resolvidas, os filhos e questões escolares, entre tantas outras questões do dia a dia.


“Senti que estava desperdiçando o tempo dos outros, sempre indo fazer ultrassonografias de bebês mortos...”.
“Só percebo a esperança quando ela desaparece, puxada como um tapete de debaixo dos meus pés sempre que ouço mais um “Sinto muito”.

Esse estilo da Liane é o que eu mais gosto em seus livros. Ela tem o dom de transformar algo corriqueiro numa obra de arte, e não foi diferente em “O que Alice esqueceu”. Essa é uma história sobre a essência de cada um. Alice descobriu, após perder a memória, que dez anos a haviam transformado num ser humano muito diferente, ela se transformou em alguém de quem ela mesma não gostava. Algumas coisas boas de sua essência ficaram perdidas no meio do caminho. É muito interessante acompanhar esse processo de redescoberta da Alice e perceber que a nossa vida não é tão diferente da vida dela e de seus familiares. Assim, se não estivermos atentos é mais fácil do que pensamos nos perdermos de nós mesmos.


“É fácil achar que o campo minado não foi tão ruim quando você está no lugar seguro, vendo os outros explodindo.”
“Mas talvez a vida de qualquer um parecesse maravilhosa se você visse só os álbuns de fotos.”

Entretanto, alguns pontos não me agradaram. A história não me cativou logo de cara, eu demorei um tempo para entrar no enredo e me prender. Por isso, me pareceu que o ritmo de leitura foi um pouco lento, não fluiu como em outras experiências com a autora. Também não houve um grande turning point na história, não teve nenhuma grande revelação que mudasse a percepção dos fatos, como aconteceu por exemplo na última página do livro “O Segredo do meu marido”, que fez com que o livro se tornasse um favorito para mim.

“O amor do começo é excitante e estimulante. É leve e borbulhante. Todo mundo pode sentir esse amor. Mas o amor depois de três filhos, depois de uma separação... após terem visto o melhor e o pior... Merece uma palavra só para descrevê-lo”.

Enfim... Acho que cada um que tiver a oportunidade de fazer a leitura vai ter um ponto de vista diferente da minha, por isso é importante que vocês deem oportunidade para a leitura para que assim vocês possam tirar suas próprias conclusões. E se você já leu o livro, me conta nos comentários o que achou e como se sentiu lendo esse livro ok?!

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11 comentários:

  1. Quando este livro foi lançado, muita coisa foi escrita e dita sobre ele. Este ponto da lentidão do enredo foi muito batido e talvez sim, tenha até atrapalhado um pouco o enredo. Mas eu muitas vezes, fiquei tentando me colocar no lugar da personagem. Dez anos é tempo demais e esse processo da descoberta do passado, das perdas...deve ter sido algo dolorido demais!
    Com certeza, ainda espero ter e ler este livro!!!
    Beijo

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  2. Nunca li nada da Liane, mas esse ano comecei a sentir um interesse.
    É bom saber que esse não é o melhor dela, isso ajuda a começar com menos expectativa; mas quero conhecer essa história e juntar esse quebra-cabeça. Esquecer 10 anos de vida é algo assustador.

    Beijos

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  3. Então, amei O segredo do meu marido e acho incrível a capacidade da Liane de transformar em uma história incrível coisas do dia a dia mas tive o mesmo problema que você com esse: demorei pra engatar na leitura e tenho medo de começar a ler esse e demorar também e acabar desistindo da leitura. Por isso não comprei o livro até hoje. Mas acho que se eu encontrar na biblioteca ou pdf baratinho pego pra ler porque sei que no final a história é boa.

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  4. Eu quero muito ler esse livro, apensar dos pequenos pontos levantados que fizeram com que gostasse menos desse livro do que outros da autora. Eu só li um livro da autora, que foi O segredo do meu marido, e concordo com tudo o que disse sobre o estilo da autora. Foi exatamente a forma como ela mostra coisas aparentemente comuns do cotidiano, transformando e dando o peso necessário a cada simples ação que me conquistou. É leve, mas ao mesmo tempo intensa a forma com que escreve.

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  5. Oi Mayra,
    Pena que nunca consegui ler nada da autora... Eu esperava um grande segredo para Alice ter se esquecido desse tempo, e já me falaram que não é bem assim, mas mesmo sabendo que não é tudo isso, ainda tenho uma curiosidade enorme em ler, quero saber como ela fará para recuperar essas memórias. Essa intercalação entre os personagens pra mim é algo positivo, assim conhecemos o lado de cada um,algo que não seria possível se fosse só pela visão da protagonista.
    Enfim, quero muito ler o livro, ganhei ele, e lerei em breve, assim como outros da autora.
    Beijos

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  6. Primeiro ,lindas fotos do livro. Ainda não li essa autora, mas já vou ler, gostei da resenha, esse tipo de história me interessa muito pois também quero entender o que Alice esqueceu, e o que "eu" esqueci. ..rsrsrs.
    Acho que o drama do livro acontece com muitas mulheres ao longo de relacionamentos duradouros...um dia nos perguntamos onde ficou aquele nosso eu?
    Muito interessante esse tipo de escrita com três tipos de narração , os posts no blog, a própria Alice em terceira pessoa e o que mais gosto, as cartas de Elizabeth para o psiquiatra. Um quebra cabeças que o escritor tem que resolver. Vou ler ainda esse ano.

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  7. Eu vi o seriado Big Little Lies e amei, achei maravilhoso do início ao fim, e pelo que vejo ela goste de retratar bastante a vida doméstica e relações matrimoniais com um toque de mistério. Quero muito ler o livros dela, e esse tenho escutado muitas coisas boas.

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  8. Olá! Ainda não tive oportunidade de ler nada da autora, mas só de assistir a série já deu para perceber que ela arrasa. Já tive várias indicações dela, por isso, seus livros já estão na minha lista. Esse em especial traz uma história bem interessante e é realmente incrível como a autora consegue retratar fatos mais simples de maneira tão intensa. Deve ser perturbador acordar e descobrir que simplesmente passaram -se 10 anos e não há lembranças do que aconteceu nesse período. Fiquei bem curiosa sobre o que pode ter acontecido com Alice para transformá-la tanto assim.

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  9. Oi, Mayra!
    Nunca li nada da Liane Moriarty mas tenho interesse em ler O que Alice esqueceu, contudo, agora fiquei apreensiva ao saber que esse livro foi o que menos você gostou da autora rsrs, mas quem sabe eu acabe apreciando a leitura, que com certeza pretendo ler!...
    Gosto de histórias estilo quebra-cabeça e fiquei muito curiosa para saber o que Alice esqueceu, e o por que de sua vida e sua essência ter mudado tanto.
    Valeu pela dica, anotada! Abraços.

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  10. Oi Mayra.
    Li apenas 'O segredo meu marido'. Eu achei o livro ok, e não espetacular. A última página do livro realmente ganhou pontos comigo, mas acho que estava com expectativas enormes e elas não foram alcançadas.
    Já deu para perceber que a autora usa a mesma fórmula: 3 narrativas por personagens diferentes e em algum momento as histórias se cruzam.
    A perda de memória de Alice parece ter dado uma nova oportunidade para ela se tornar uma pessoa melhor. Uma pessoa que gosta do que se tornou.
    Não sei se vou ler esse livro. Mas, quem sabe?
    Beijos

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  11. Olá!
    Eu nunca li nada da autora mais sei que seus livros parecem ser ótimos. Esse já li resenha e me traz comentários bons e outros nem tantos, mas pretendo ler esse livro. A trama e bem envolvente e essa forma de mistério e perda de memoria e depois tenta captura as parte que falta e descobrir sobre si mesma.

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