13 novembro 2018

Resenha - Canção de Ninar


Título: Canção de Ninar
Autor: Leila Slimani
Editora: Editora Planeta / Tusquets Editores
Páginas: 192
Skoob
Onde comprar: Amazon / Saraiva

Sinopse: Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de Ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de Ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês..

“O Bebê está morto. Bastaram alguns segundos. O médico assegurou que ele não tinha sofrido. Estenderam-no em uma capa cinza e fecharam o zíper sobre o corpo desarticulado que boiava em meio aos brinquedos. ”



Sim, é assim mesmo que esta história se inicia, isso não é nenhum spoiler, são as primeiras linhas do livro! Impossível não ficar no mínimo intrigado com esse primeiro parágrafo e não querer descobrir imediatamente o que aconteceu detalhadamente nessa trama. Prontos para esta resenha deste livro diferentão? Então bora!


Myriam é a típica mãe jovem que “sacrificou” sua carreira pelos filhos. Uma advogada que deixou de seguir sua profissão dos sonhos para se dedicar a cuidar de seus dois filhos: Mila, uma menininha de aproximadamente 4 anos e Adam, um bebê. Instigada a retomar sua carreira profissional a mãe da casa decide que deve voltar ao mercado de trabalho, mas para isso deve encontrar uma babá para cuidar de seus dois filhinhos. Após algumas entrevistas, finalmente aparece a “babá perfeita”, Louise.

“E então Louise chegou. Quando narra esse primeiro encontro, Myriam adora falar do que foi uma certeza. Como uma paixão à primeira vista. ”

Toda esta história se passa em Paris, e alguns assuntos como imigrantes e valorização da mulher são discutidos nas entrelinhas deste livro de uma forma bem sutil. Mas isso a gente deixa para discutir mais tarde...

Encontrada a babá ideal para suas crianças a família de Myriam agora se vê aliviada com a situação e inclusive se sentem até agraciados com toda a situação. Louise além de cuidar das crianças, toma para si a responsabilidade do lar de Myriam. Ela lava, passa, cozinha, uma verdadeira faz-tudo. E é claro que os pais das crianças não vão reclamar da situação e até mesmo em algumas circunstâncias “exibem” sua nova babá aos amigos.

“Myriam e Paul voltam a receber amigos, que se regalam com os cozidos de vitela, os guisados, os jarrets com sálvia e legumes crocantes que Louise prepara. Eles parabenizam Myriam, cobrem-na de elogios, mas ela sempre confessa: - Foi minha babá quem fez tudo”

Tudo parece perfeito nessa nova etapa da vida desta família. Myriam aliviada do fardo de ser mãe em tempo integral começa a cuidar de sua carreira com mais afinco do que nunca e Paul se vê livre finalmente das reclamações da mulher de que só vive para o lar. Paul é o típico marido que trabalha o dia todo e no final do dia só espera voltar para casa e encontrar tudo pronto. Tem personalidade zero e acha que ser o provedor principal da casa é o suficiente.

Já Myriam é uma mãe normal, que ama seus filhos, porém sempre coloca a carreira como prioridade, agora escorada na presença de Louise. As crianças são típicas de uma família de classe média que por terem acesso a muitas coisas acabam ficando um pouco mimadas e isso acontece tanto pelos pais, quanto pela nova babá que faz de tudo para ganhar a confiança e o amor delas. Nenhum personagem desta história me passou carisma, são bem crus e humanos, porém não consegui me identificar com nenhum deles.


Dadas as devidas apresentações, vamos seguir com a história. Louise parece perfeita, porém, logo quando a narrativa toma seu rumo, começamos a perceber alguns detalhes e atitudes por parte da babá, que soam meio estranhos. Principalmente em uma viajem onde Louise acompanha a família, Mila quer brincar com a babá, porém a mesma se sente retraída diante da situação e toma uma atitude um tanto esquisita.

“Mila pega a sua mão e Louise se recusa a ficar em pé. Ela segura o pulso da menininha e a empurra com tanta violência que Mila cai. Louise grita: Me deixa em paz, tá? ”

E a partir daí as coisas vão ficando cada vez mais peculiares por assim dizer. Existem alguns momentos em que a babá tem esses surtos rápidos de raiva com as crianças. Por já sabermos o que acontece no final, essas passagens nos parecem como um quebra-cabeças se construindo e expondo a verdade para nós, porém eu senti que há muito nas entrelinhas desta história, que apenas uma leitura mais atenta nos proporcionará perceber.

Os meses vão passando e Louise e principalmente Myrian começam a ter alguns confrontos por coisas bestas de rotina, como a blusa que Mila usará, uma festa de aniversário surpresa, enfim, coisas de rotina. Mas a babá começa a se vingar destas afrontosas situações que na cabeça dela soam como ofensa.

“Myrian vai abrir a geladeira quando a vê. Lá, no centro da mesinha onde comem as crianças e sua babá. Uma carcaça de frango está posta sobre uma travessa. Uma carcaça reluzente, na qual não sobrou nem um pequeno vestígio, nem o menor traço de carne. [...] Louise a lavou com muita água, limpou e colocou ali como uma vingança, como um totem maléfico. ”

Acredito que a originalidade desta história esteja na maneira como ela é contada. Sem querer dar muitos spoilers, mas senti que no final das contas, ela tem um ótimo começo, porém para mim, ela me deixou com mais perguntas do que com respostas. Mas isso é muito pessoal, e tenho certeza que muitos se contentarão com o rumo que a autora decidiu tomar. Tudo nessa narrativa é muito “real”, nos sentimos lendo uma história que realmente poderia ter acontecido. A personalidade e os entraves que Louise passa, tem muito a contar, e em certas horas me senti lendo sobre um daqueles documentários sobre psicopatas que assistimos na TV. Como eu disse ainda tem a parte que fala um pouco sobre o preconceito na França com imigrantes, e o que acredito ser um pouco da vida pessoal da autora, já que ela é de origem Marroquina.


A leitura desta obra vale a pena para quem gosta de um bom Thriller psicológico “diferentão”. Tenho certeza que ele destoa bastante dos outros livros deste gênero, e por isso vale a pena conferir. Eu particularmente não costumo ler este tipo de livro, mas esse me chamou tanta atenção pelo começo, que eu não resisti. Não posso falar que morri de amores pelo livro, longe disso, porém recomendo para quem deseja ter uma experiência de leitura diferente das que estamos acostumados. A edição da Planeta é bem confortável de ler, e a capa chama bastante atenção. A única coisa que eu não entendi muito bem foi o título escolhido, não consegui pescar a conexão com a história. E vocês, também foram fisgados por esta história?


Inscrições Abertas - Participe !

11 comentários:

  1. Puxa, com certeza, um enredo muito fora dos ditos normais! Sinceramente, não fazia ideia de que um livro com este título e capa, trariam um enredo deste nível.
    Adoro um bom thriller psicológico, ainda mais quando envolve família, filhos e uma babá que acabou de certo modo, assumindo tudo. Tá, babás são para isso,mas até que ponto???
    Com certeza, o livro vai para a lista de desejados!!!
    O início é intrigante e já demonstra o que vem a seguir.
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Eu quero muito ler esse livro! Adoro esse gênero e me lembra muito A mão que balança o berço, filme incrível! Pelo que você escreveu, que é uma narrativa real e parece ter acontecido de verdade, acho que é uma leitura que vai me cativar, pois gosto de livros assim.

    ResponderExcluir
  3. Eduardo!
    Acho que nunca li um livro francês e é bom saber que é uma escrita sem floreios, bem nua e crua.
    Gosto de thrillers psicológicos e mesmo sabendo logo no início que a babá assassinou as crianças e a autora conseguiu manter o suspense do livro, é porque é bom mesmo.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  4. Olá Eduardo,
    O livro tem um enredo bacana, mas, se olhar despreocupado, nada diferente do que já vi em alguns thrilers, não que isso incomode, mas esperava um pouco mais de uma obra tão comentada.
    Sem dúvidas é uma história bem real, principalmente a de Myriam, essa luta para voltar a ter uma parte de sua vida, a maternidade é colocada de forma bem real, pelo menos eu senti isso.
    Quanto a Louise, ah, adoro essas duplas personalidades, é o tipo de personagem que sempre me intriga.
    Apesar de não ser tudo que esperava, eu tenho vontade de ler, em um geral parece um bom livro.
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. Eu gosto muito de thriller psicológico e, claro, fiquei muito curioso com esse. Esse parágrafo inicial é mesmo assustador. Acompanhando a resenha fico imaginando que tudo recai sobre a babá e me pergunto se a autora reservou alguma surpresa para o final. O tema de imigrante, mesmo em segundo plano, é bem interessante.

    ResponderExcluir
  6. O início do livro me parece forte, e por ser um thriller eu não teria interesse em ler.
    Não achei a premissa original, mas ainda bem que mencionou sobre a narrativa; fiquei curiosa para conhecer a originalidade dessa narrativa.
    Meu coração fica apertado com histórias em que há maltratados em crianças.
    Uma pena que tenha faltado respostas e sobrado perguntas, e pelo visto não tem uma continuação...

    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Oi, Eduardo!
    Faz um tempão que li um thriller psicológico, mas é um gênero que eu curto muito.
    A trama de Canção de Ninar não despertou o meu interesse, achei as atitudes da babá Louise bastante sinistras, dá um aperto no peito só de imaginar o que aconteceu com o bebê... Decididamente esse não é um livro que eu leria... Abraços!

    ResponderExcluir
  8. Olá! Para ser bem sincera as primeiras frases do livro já me desanimaram de tão impactada que fiquei, e acredito que seja justamente pela história remeter a acontecimentos que facilmente passariam como relatos reais do que acontece ao nosso redor. Em contrapartida, realmente é bem difícil não querer continuar a história, depois das primeiras linhas e por ser contada de maneira tão singular, acho que a curiosidade aqui vai falar mais alto.

    ResponderExcluir
  9. Oi Eduardo.
    Gosto muito de ler thrillers psicológicos e esse parece bem diferente do que costumamos ler. E só isso já me deixou bastante curiosa para ler esse livro.
    Um dos artifícios que sempre prende a minha atenção é quando um personagem se mostra inicialmente de uma forma, e ao longo da trama, muda totalmente rs
    Já sempre desconfio daquelas pessoas muito boas e solícitas, porque dificilmente as pessoas são assim na realidade. Geralmente há um motivo por trás para se portarem dessa forma.
    Acho que as partes mais difíceis de se ler vão ser sobre os maus tratos das crianças =(
    Parece que tem alguns pontos negativos que fez você não gostar tanto da história. Espero não me incomodar com eles.
    Adorei a capa. Achei linda.
    Beijos

    ResponderExcluir
  10. Olá!
    Ao ver a capa desse livro e o titulo penso algo mais diferente, algo que haja mistério.. Bom, realmente há um mistério porém não tanto. O livro tem uma premissa ótima e me deixou bem curiosa em querer ler ele.

    Meu blog:
    Tempos Literários

    ResponderExcluir
  11. Me deu uma fisgada sim, gosto de ler Thriller e não me importo muito com finais abertos ou sem resposta, acho que dá um encanto quando bem feito, e gosto ainda mais quando não nós faz se apaixonar pelos personagens, mostra a humanidade, as falhas dos personagens assim como em nós.

    ResponderExcluir