Resenha - Ofélia


Livro: Ofélia
Autora: Lisa Klein
Cortesia: Grupo Editorial Record / Galera Record
Páginas: 265
Skoob
Onde comprar: Amazon
Ele é Hamlet, o príncipe da Dinamarca; ela é simplesmente Ofélia. E, se você pensa que conhece a história dos dois, pense melhor. Uma releitura da famosa tragédia de Shakespeare. Nesta releitura da inesquecível obra de Shakespeare, é Ofélia quem ocupa o centro da trama. Uma menina barulhenta e sem mãe, ela cresce no castelo de Elsinor e se torna a dama de honra mais confiável da rainha. Sedenta por conhecimento e espirituosa, além de linda, Ofélia aprende os caminhos do poder em uma corte onde nada é o que parece.
Seu jeito chama a atenção do cativante príncipe Hamlet, e o amor entre os dois floresce em segredo. Mas maquinações sangrentas logo transformam a Dinamarca em um lugar de traição e loucura, e a felicidade de Ofélia é ameaçada — ela se vê obrigada a escolher entre o amor de Hamlet e sua própria vida. Em desespero, Ofélia traça um plano arriscado para escapar de Elsinor para sempre... com um segredo muito perigoso.
Em uma narrativa dramática e intensa de morte e intrigas, amor e perdas, Ofélia conta sua própria história extraordinária — uma que você nunca ouviu, e que jamais vai esquecer.



Primeiramente, devo dizer que, assim que recebi esse livro, minhas expectativas estavam relativamente altas, já que era uma releitura do meu amado Shakespeare. E Lisa Klein conseguiu fazer um trabalho muito bom, e diferente do que eu imaginei quando li a sinopse. Uma grata surpresa!

Ofélia irá contar a história de um amor que não superou o tempo. Exatamente: Na primeira página do livro, já vemos a morte de um personagem muito importante para a história, porém que, ao decorrer da narrativa, vemos que não é essencial para a composição total. A partir daí, vemos o porquê dessa morte ter ocorrido, e a verdadeira razão para o nome do livro: Ofélia, uma jovem que, ao ter sua oportunidade como preferida da rainha Gertrudes, num reino onde a paz ainda reinava, se vê na maior encruzilhada de sua vida: aceitar a loucura de seu grande amor ou fazer as coisas em prol de sua própria sobrevivência?

Lisa Klein construiu um enredo muito forte aqui. A ambientação foi incrível: a cada cena, extremamente bem detalhada, conseguimos imaginar o reino de Elsinor em sua totalidade: lordes, damas, senhoras, músicos, servos, rei e rainha e, finalmente, o tão estimado Príncipe Hamlet. Com uma beleza singular, e uma língua afiada, onde passava, todas as damas viraram em sua direção, e tentavam chamar sua atenção. E, num momento onde a inteligência foi testada, Ofélia, que era menos que uma dama de companhia, conquistou o coração de Hamlet com sua esperteza e ironia.

Ao longo da história, podemos perceber que o amor entre os amantes proibidos - Ofélia e Hamlet - cresce, porém a nossa personagem principal começa a se perder na paixão avassaladora. E é neste ponto que "critico" o livro: há um acontecimento onde o príncipe despreza Ofélia, e ela, ao invés de rebater, como sempre fez, simplesmente sofre em silêncio, se corroendo e se culpando, e isso não condizia com nada do que ela demonstrava ao longo do livro. Contudo, nos próximos parágrafos, falarei sobre os pontos positivos da obra, e o que me fez favoritar.

Esta obra não é um romance de época com uma personagem feminina fraca, ou inexperiente. Ofélia é linda, inteligente, e conseguiu crescer na corte por seu próprio mérito. Sem mãe, vivia somente com o desprezo do pai e a proteção do irmão Laertes. Porém, ao ingressar na corte, ganhou o coração da rainha, e fez sua própria história. É muito interessante como a autora aborda a questão social, e a diferença de classes existente no século XVI, e o papel da mulher numa sociedade onde a predominância de poder era masculina. Pude perceber que Ofélia consegue entender a importância da mulher, e em como ela era julgada por estar à frente de seu tempo.

Além disso, a questão religiosa é muito presente na trama, e até onde justificamos nossa loucura e nosso desejo em nome do Senhor. Hamlet, depois de ver uma pessoa muito querida ser assassinada pelas costas, fica completamente louco e sedento de vingança. Quando lemos seu definhamento, a angústia sobe, e conseguimos nos ver muito bem naquela situação. Eu, particularmente, me vi em muitos personagens, e até questionei minha moral por isso; fiquei sedenta por vingança tanto quanto Hamlet, ao ver a injustiça que fizeram, e me vi em Ofélia, a amante racional que, vendo a loucura de seu amado, o deixou - como toda mulher sensata tem que fazer quando está vendo que seu parceiro tem um objetivo capaz de deixá-la em perigo. Porém, há aqui também uma fome por poder, e é muito intrigante como as maquinações de um plano maligno se dão, e como os inocentes sempre são os primeiros a morrer - ou quase!

Ademais, precisarei de um capítulo somente para o meu personagem preferido em toda a trama: o fiel, inteligente e mais estimado por mim, Horácio. Como melhor amigo do príncipe, é bom e leal a Hamlet e Ofélia (ainda que esconda um grande amor por esta, que ficará claro no meio pro final do livro). Sua melhor qualidade, no entanto, é ser extremamente CONSTANTE. Por que em Caps Lock? Porque, ao longo da história, vemos muitas pessoas inconstantes e incertas na vida de Ofélia, e ele, sempre, esteve ao seu lado, lhe apoiando como um bom amigo e um exímio cavalheiro. É incrível sua devoção para com ela e Hamlet, e quando tudo rui, sua única esperança é sua amada - ainda que ela, em tese, não o ame desse jeito.

Enfim, quero agradecer à editora Grupo Editorial Record por ter me dado a oportunidade de ler esta história tão rica em detalhes acerca da época, e tão estimada em sua ficção cheia de intrigas, mortes, paixões avassaladoras, e segredos de tirar o fôlego! Se quer tudo isso num livro, esse é o certo!

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