12 maio 2017

Resenha - Os príncipes encantados também viram sapos


Título: Os príncipes encantados também viram sapos
Autora: Megan Maxwell
Cortesia: Companhia das letras
Skoob / Goodreads
Páginas: 376
Onde comprar: Saraiva / Amazon

Um conto de fadas moderno e apaixonante que tem como cenário as ilhas paradisíacas do Havaí
Kate e Sam se conheceram muito jovens, durante férias de verão na Califórnia, e se apaixonaram à primeira vista. O amor entre eles supera o tempo e a distância e, ao terminarem a faculdade, ele a pede em casamento.
Os anos se passam e o casal parece ter construído a vida perfeita: eles têm uma carreira de sucesso, duas filhas lindas e ainda são apaixonados. Sam, que cresceu em um orfanato, conseguiu com Kate tudo o que sempre quis: uma grande família.
Até que um telefonema muda tudo...
Megan Maxwell, autora da série best-seller Peça-me o que quiser, conta uma história sobre amor, infidelidade e segundas chances. 









Sam e Kate se conheceram ainda quando cursavam a faculdade de direito. Viveram um relacionamento de contos de fadas que resultou em um lindo casamento. 20 anos depois, com duas filhas lindas, um escritório de advocacia sólido e respeitável em Nova York, Sam e Kate vivem os melhores dias de suas vidas. Todos que os olham invejam o amor que sentem, e até mesmo, a vida de contos de fadas que construíram.

"— Você sabe o que o Sam significava pra mim — disse Kate, enxugando as lágrimas. — Era meu príncipe encantado. O homem ideal! Mas sabe o que eu concluí com essa história toda? — O que você concluiu? Com a dor refletida em seu rosto, respondeu: — Que a vida não é o maravilhoso conto de fadas que eu imaginava... porque os príncipes encantados viram sapos."

Mas tudo muda numa tarde quando Kate atende um telefone e vê sua vida despedaçar diante de seus olhos. Príncipes encantados e vidas perfeitas sob um castelo reluzente não existem, e ela descobre isso da pior maneiro que uma mulher pode descobrir.




[- Minhas impressões -]

Sempre tive um caso sério com os livros da Megan, ou eu os adoro de paixão, ou eu os odeio intensamente, e Os príncipes encantados também viram sapos está enquadrado nos que odeio intensamente. Não sei se foi o fato dele tratar de forma superficial um assunto tão recorrente hoje em dia, (superficial até de mais) ou o fato dos personagens serem tão genéricos que não me afeiçoei a nenhum. Só sei que mesmo sendo um livro relativamente curto, foi quase uma tortura terminá-lo.


Narrado em terceira pessoa, o livro conta a estória de um casal que vive uma mentira. Isso mesmo, uma mentira, todos o acham o casal perfeito, que possuem a vida perfeita, mas a realidade é que são podres. Não vou falar o que de fato aconteceu pois isso seria o spoiler que movimenta o livro todo. O que mais me incomodou foi o fato da autora tentar enfiar goela baixo do leitor que são apenas erros, que são coisas que com o amor pode-se ser deixado de lado. Mas eu, Stéfani, não considero ações que possam ser esquecidas tão facilmente. O cenário apresentado pela Megan é surreal, é algo praticamente impossível de acontecer, e talvez seja por isso que achei tão irrelevante toda a construção do livro.

"— Sinto muito que sua história tenha acabado assim — concluiu Shalma. — Isso reafirma minha teoria de que não existe príncipe encantado, só nos contos de fadas."

Outro ponto que contribuí para meu desgosto com a obra é a construção dos personagens. Sam e Kate se conhecem na faculdade e passam 20 anos casados, mas essa passagem de tempo foi inexistente pois eles se comportam como dois adolescentes. São birrinhas bobas, problemas criados a toa e o que de fato deveria ser o problema eles tornam irrelevantes. O mesmo acontece com Michael, irmão de Sam, e Terry, irmã mais nova da Kate. Ambos são apaixonados desde que se conheceram mas nunca ficaram juntos por pura birra. Não existe nada plausível para que o casal não exista, a não ser eles mesmo. Megan sempre trás uma personagem irritante e teimosa em suas estórias, e dessa vez foi a Terry. Suas ações são: faço primeiro, depois eu penso. E são ações de uma adolescente birrenta e chata, mas ela possuí quase 40 anos!

"— Você voltaria com ele?
— Não sei. Às vezes penso que correria atrás dele como uma louca pra abraçá-lo e beijá-lo, mas em outros momentos acho que as coisas mudaram tanto que nada voltaria a ser como antes.
— Numa coisa te dou razão. Nada voltaria a ser como antes — disse Terry e perguntou:
— Você acha que existe felicidade?"

Mas nem tudo foi perdido na estória. As filhas do casal são maravilhosas, Ollie é uma menina encantadora que deseja mais do que tudo ter sua família de volta nos eixos, e com muita engenhosidade, ela faz pequenas coisas que comprovam que a maior parte dos problemas criados pelos protagonistas são banais. Serena, mãe da Kate, também foi uma pérola, a senhora foi a voz da razão em diversos momentos, mas sua sabedoria era pouco apreciada pelas filhas, e pra mim, foi puro desperdício.

"— Sabe, Ollie? Acredito que casar com a pessoa ideal é uma loteria. Às vezes você ganha, outras vezes perde. Tudo depende de seus números e os de seu par coincidirem."

O maior ponto positivo do livro são os cenários. Conhecemos o Havaí e suas praias paradisíacas. Sobre isso a autora teve um domínio maravilhoso pois senti mesmo que estava vendo a ilha. Não apenas cenários foram citados, mas também toda a cultura, como música, comidas típicas, pontos turísticos, e até mesmo o surf. Tudo mostra que a autora fez uma pesquisa bem bacana e vasta pra ser coerente.

"— A felicidade é uma utopia que só poucas pessoas conseguem manter. O que eu acredito é que existem momentos felizes, e eu e o Sam fomos felizes, apesar de tudo."

Dividido em 62 capítulos curtos, o exemplar trás uma capa simples, porém mais agradável que seu original. As folhas são levemente amareladas e ambas as capas trazem orelhas. Mesmo sempre tendo achado a escrita da Megan fluída, esse volume demorei bastante á ler, mas isso se deve pelos pontos negativos da estória, mas confesso que gostei mais dos capítulos onde os personagens conheceram o Havaí, nesses a leitura fluí como água.


Os príncipes encantados também viram sapos é exatamente aquilo que o título demonstra. Vidas perfeitas não existem e viver em negação também não é uma saída, mas a autora perdeu um pouco a linha no quesito realidade. A sensação que tive foi que ela tinha um enredo maravilhoso á ser construído mas o perdeu por banalidades e falsos problemas, isso se compararmos com o verdadeiro problema da estória. Com tudo isso, levei a obra um tanto para o lado pessoal por já ter visto algo parecido na minha família, e convenhamos, as reações de pessoas normais são bem diferentes dos personagens. Minha indicação fica pra aqueles que desejem ver com seus próprios olhos se vale a pena ou não ser lido, pois sou bem daquelas que quando alguém diz que o livro é ruim, é quando fico tentada em ler  (risos).



Participe! - Já está valendo!



4 comentários:

  1. Apesar de nunca ter lido nenhum livro dessa autora alguns deles estão na minha lista de desejados, e pretendo lê-los. E uma pena que esse em questão não tenha te agradado muito, pelo fato da autora retrata de forma tal irreal os problemas cotidianos de uma família. A premissa e realmente bacana, o que falhou realmente foi o desenvolvimento da trama, que talvez não foi tão bem trabalhado, ou produzido.

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  2. Stefani!
    A autora extrapolou, né?
    Ainda assim, como gosto dela e quero conferir o tamanho da aberração que foi o livro, daria uma chance.
    Relacionamentos perfeitos não existem mesmo e nem se pode viver eternamente na adolescência, principalmente após 20 anos de casamento. o que já banalizou, a meu ver, um relacionamento que poderia ser mais maduro.
    FELIZ DIA DAS MÃES!
    “Sê humilde para evitar o orgulho, mas voa alto para alcançar a sabedoria.” (Santo Agostinho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  3. eu AMOOOO ESSE LIVRO!! Eu o li há uns dois anos trás, se não me engano, e até então odiava livros com traição porque na minha visão é algo que eu particularmente não perdoaria porque já presenciei traição no casamento dos meus pais e isso reflete até hoje na vida deles, apesar de ainda estarem junto, então me sinto mau lendo sobre e esse livro me fez enxergar o poder do perdão e o quanto o amor pode ser maior. Lógico que eu teria feito ele sofre um pouco mais. COM CERTEZA MEU LIVRO FAVORITO DA AUTORA <3

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  4. Nossa, como eu odeio quando o autor tenta nos empurrar uma história absurda, sem a menor verossimilhança. Entendo perfeitamente porque você avaliou o livro com uma nota tão baixa, é o tipo de coisa que faz toda a diferença. Vou passar longe, obrigada. rs

    Beijos!

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