Resenha - Uma Sombra do Passado




Livro: Uma Sombra do Passado
Autora: Nora Roberts
Cortesia: Grupo Editorial Record / Galera Record
Páginas: 462
Onde comprar: Amazon
Há muitos anos, Fiona Bristow foi a única vítima que escapou das garras do Assassino da Echarpe Vermelha, o serial killer que matou seu noivo e seu amado cão. Após o trauma, ela escolhe reconstruir sua vida em uma ilha no noroeste do Pacífico, trabalhando como adestradora e voluntária na unidade canina de busca e resgate local.

Quase que ao mesmo tempo que Simon Doyle e seu rebelde cachorro entram na vida de Fiona, uma nova série de assassinatos surge para assombrá-la. Um imitador, inspirado pelo encarcerado assassino original, está à solta e cada vez mais próximo do seu principal alvo.

Enquanto a polícia e o FBI rastreiam o criminoso, Fiona lutará para se vingar da melhor maneira possível: sobrevivendo mais uma vez e aprendendo a amar novamente.


Aqui teremos um romance de tirar o fôlego, um thriller psicológico meticulosamente planejado para nos fazer sofrer - no bom sentido -, e uma amizade que só os animais são capazes de nos ensinar.

Primeiramente, devo parabenizar a autora por construir personagens tão reais e próximos de nós. A trama irá ter, basicamente, três perspectivas: de Fiona, Simon e do Assassino. Narrado em terceira pessoa, mas sempre dando ênfase ao personagem em questão, Nora Roberts irá apresentar um romance consistente entre os dois principais.



De um lado, temos Fiona Bristow, uma mulher incrivelmente forte, paciente, bem resolvida e feliz consigo mesma que, mesmo depois de 8 anos após sofrer uma experiência terrível de ser sequestrada e quase morta, e ter que lidar com o luto do noivo, morto pelo assassino que a capturou, é adestradora de cães na pequena ilha de Orcas, e sabe que é boa nisso. Seu amor pelos cachorros fica evidente do começo ao fim, inclusive quando Simon - que já vou falar mais sobre - a pede para treinar Tubarão, seu cãozinho arteiro.

E do outro lado da moeda, Simon Doyle é um homem que me conquistou logo de cara, e que me fez amá-lo ao longo das páginas. Vindo de uma cidade grande, o escultor de madeira só queria uma vida tranquila afastado de tudo, então optou por morar em uma casa afastada em Orcas. E, vendo que ele ficaria mais sozinho que tudo, só trabalhando, sua mãe resolveu lhe dar um filhote e, por ser extremamente agitado e comer tudo o que visse pela frente, Simon o chamou de Tubarão. Quando vemos os dois juntos, não podiam ser mais diferentes, e formar uma dupla melhor. Os laços que criam ao longo das páginas é incrível, e é mais incrível ainda ver Simon se abrindo mais para os outros, principalmente para Fiona. No começo, ele é introvertido, sério e reservado, ou seja, encantador. Mas consegue ficar ainda melhor quando os dois estão juntos.



O romance se baseia em amizade, confiança e muita cumplicidade, principalmente depois que Simon descobre que Fiona já passou por um trauma tão difícil de superar. Nora conseguiu construir um relacionamento de pessoas imperfeitas, assim como nós, e foi isso que me conquistou: o fato do casal não ser perfeito, terem seus problemas sim, mas superarem como adultos.

A ambientação também tem sua parte especial dentro da história. Particularmente, sou apaixonada pelo campo e pela natureza no geral, e ver que a história se passa numa ilha praticamente deserta me deixou com um quentinho no coração. Orcas é uma ilha em Washington, e o tempo inteiro somos lembrados do quanto ela é bonita. Narrado em terceira pessoa, temos uma visão ampla desse local, e do que ele faz com os personagens, trazendo uma paz que até nós, leitores, com toda essa vida corrida, conseguimos sentir.

Além disso, precisamos falar sobre a questão do acidente de Fiona, no passado, e da trama atual, com um novo assassino à solta. É muito interessante como a autora consegue nos dar uma noção tão crua e real de como é a mente de um psicopata; pois o serial killer sempre tem sua motivação, e esse também tem a sua, que é muito bem desenvolvida a um ponto onde nós mesmo com ódio no coração, entendemos o porquê de todas aquelas mortes acontecerem de um jeito tão específico (com uma faixa vermelha, como se a morta da vez fosse um presente). Perry - o primeiro serial killer citado na história também - entrou na minha cabeça de uma forma que eu quase tive pena do seu passado, e entendi sua motivação; já o outro assassino que é um mistério, a autora deixa claro que ele é sem escrúpulos, e já que está imitando Perry, este fica extremamente constrangido e furioso.

Por ter um suspense no meio de um romance tão bem construído foi a chave que Nora achou pra me conquistar: o livro tem de tudo um pouco, e sabe trazer emoção em todas as partes.

Ademais, para finalizar, essa obra ainda nos traz muitos ensinamentos acerca do treinamento de cachorros, tanto para buscas de pessoas perdidas, quanto para o dia a dia do cãozinho e de seu dono serem muito melhores. Coisas simples como comandos feitos de forma correta, recompensas quando o animal fizer o proposto e muito afeto, carinho e disciplina dos donos fazem toda a diferença na criação, e eu achei muito legal a história trazer essa temática, porque não é todo dia que temos um romance envolvendo, também, nossos fiéis amigos. A relação dos personagens com os cachorros é linda de se ver, e emociona demais, porque quando vamos chegando ao final, que já estão perto de encontrar o assassino, nosso coração fica na mão, porque nos envolvemos demais com a vida dos animais também, tão presentes quanto os personagens.

Enfim, este livro foi uma grata surpresa, e uma experiência incrível que todo leitor deveria ter. Então, se você está procurando uma história concisa, bem trabalhada e arrebatadora - em muitos sentidos - Uma Sombra no Passado é uma opção muito viável!


Categorias:

Nenhum comentário:

Postar um comentário