Resenha - Esta e Todas as Vidas




Livro: Esta e Todas as Vidas
Autor: Anne Marck
Cortesia: Astral Cultural
Páginas: 288
Onde comprar: Amazon
Na charmosa São Tomé das Letras, Minas Gerais, vive Antares letícia, a jovem apaixonada pela vida no interior, pela beleza exuberante das grutas e cachoeiras pela qual a região é conhecida e, principalmente, as lendas e o misticismo que envolvem a cidade. Aos dezoito anos, em seu trabalho como guia turística, ela é contratada por um grupo vindo de São Paulo, e é então que conhece Bruno Romão, o homem bonito, fechado, capaz de provocar nela um perturbador sentimento de familiaridade. De saudade.


Por alguma razão, Antares tem a impressão que eles já se conhecem de algum lugar, e essa sensação se torna cada vez mais forte conforme eles se aproximam. Antares e Bruno Romão possuem uma conexão poderosa. E toda vez que a garota encara aquele profundo par de olhos cor de lavanda percebe uma paixão que nem mesmo o tempo foi capaz de apagar. Esta e todas as vidas é uma história incrível e emocionante sobre os sentimentos mais profundos, a simplicidade da vida e o propósito de viver.

"[...] Por séculos, a luta das gerações seguintes foi de tentar preservar ao máximo seus costumes e suas crenças contra a lei dos estrangeiros. E, neste ambiente, nasceu Airya, a Filha da Terra"

Incrível. Acho que nem todas as boas qualidades podem expressar o que senti lendo esse livro. Um misto de sentimentos veio à tona: surpresa, cumplicidade, reconhecimento, intimidade e muito amor.

Para começar, a ambientação do local foi algo que a autora fez com maestria, pois São Tomé das Letras me conquistou logo de cara. Uma cidade pequena, interiorana, cheia de misticismo e pessoas muito boas de coração. Podemos sentir uma aproximação direta com a cidadezinha; ela remete muito a uma infância onde os avós levavam seus netinhos a um passeio por trilhas, e depois os deixavam brincar na mata. A sensação de aconchego é presente, e eu fiquei encantada em como a história foi pensada para que o lugarzinho fosse se tornar tão central e tão importante.


"Uma de nossas histórias mais antigas era sobre um túnel que havia na Gruta do Carimbado que ligava São Tomé das Letras a Machu Picchu, no Peru, a mais de três quilômetros de distância. Na verdade, talvez não fosse somente lenda. [...] Vovó dizia que o túnel era a ligação de nossos ancestrais com o povo inca e que havia energias muito fortes no subterrâneo."

Além disso, o enredo do livro é de tirar o fôlego. Antares é uma jovem do interior de Minas Gerais super dedicada, simpática e focada. Ela e sua amiga Flor de Lis tocam um pequeno negócio de turismo na cidadezinha, fazendo trabalhos para terceiros, e querem consolidar seu sonho em uma empresa. E, em uma excursão, Antares se depara com um turista muito diferente e, ao mesmo tempo, familiar: Bruno Romão, um homem reservado, irônico e lindo de morrer, por causa disso, Antares se vê obcecada por seus olhos cor de lavanda, e sua familiaridade tão esquisita, já que eles nunca se viram. Então, a partir daí, vemos que há uma intensidade de sentimentos que perdura até o final do livro, o que tirou meu fôlego.

O romance entre Bruno e Antares é cercado de misticismo e, como já dito anteriormente, intensidade. A cada começo de capítulo, vemos a história da vida passada deles, e isso deu um toque diferenciado à relação de ambos. O livro é muito envolvente, e a cada página queremos saber mais e mais sobre quem eles eram, e o que vão se tornar ao final. E minha gente, que final!

"Foi o sorriso em seu rosto, lindo, apesar de quase imperceptível, que me encorajou a ir, e convidar que passasse junto comigo, de uma única vez, sob o quartzo rosa mágico. 'Que um dia eu encontre um amor tão poderoso que faça meu coração querer explodir do peito', era o meu pedido de sempre. Naquele dia, porém, não consegui lembrar de recitá-lo mentalmente. Apenas senti."

Ademais, preciso frisar aqui a questão indígena muito presente em Antares. Toda a trama é carregada de lendas indígenas, e todo lugar em São Tomé das Letras tem uma história por trás, uma crença tão forte e pouco presente em nossa cultura, mas extremamente necessária em nosso passado. Fiquei extasiada ao saber mais sobre esse povo, e sobre alguns contos dos mesmos.

Portanto, Anne Marck narrou com maestria e muita paixão acontecimentos que sempre ficarão em minha memória de leitora, e sou muito grata por isso. Espero que tenham gostado da resenha, e leiam esse livro!

"Não foi o único beijo, quando tentávamos nos afastar, mais daquela saudade que nos uniu outra vez. Airya e Khan. Antares e Bruno Romão."



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Um comentário:

  1. Olá! Sou até suspeita para falar da Anne, pois acompanho seu trabalho desde a época em que ela escrevia em uma plataforma digital (aliás tem livro novo por lá e só posso dizer que é maravilhoso e está me deixando de coração apertadinho) e sou completamente apaixonada por sua escrita e a maneira única que ela consegue nos encantar com suas histórias que sempre nos deixam com um sorriso bobo no rosto e lágrimas nos olhos, além da pessoa linda que ela é (tive a honra de conhece-la na bienal de SP), estou bem curiosa com esse livro, claro que ele já faz parte da minha coleção, só me resta agora tirar um tempinho e me aventurar junto aos nossos protagonistas nessa jornada tão intensa e apaixonante.

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