24 abril 2017

Série [13] - 13 reasons why


Por que uma garota morta mentiria?
Baseada no best-seller de Jay Asher, a série original Netflix 13 Reasons Why acompanha Clay Jensen (Dylan Minnette) que, ao voltar da escola, encontra uma caixa misteriosa com seu nome na porta de casa. Dentro dela, ele encontra fitas-cassetes gravadas por Hanna Baker – sua colega de classe e paixão secreta – que cometera suicídio duas semanas antes. Nas fitas, Hanna explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida. Será que Clay foi uma delas? 13 Reasons Why tem produção executiva de Tom McCarthy, Brian Yorkey, Selena Gomez, Joy Gorman e Kristel Laiblin.

Título: 13 reasons why
Lançamento: 31 de março de 2017
Duração: 60 minutos
Gênero: Drama

Nota: 



Hannah Baker se matou. Seus pais não fazem ideia do que impulsionou a atitude da filha já que ela não deixou nenhum bilhete. O mesmo não pode ser dito de seus colegas de escola. Antes de morrer, Hannah gravou sete fitas cassetes com 13 lados, e cada lado da fita é uma razão pela qual ela se matou. e esses porquês são referentes a uma pessoa. Clay é um porquê.

"Oi, é a Hannah...Hannah Baker
Acomode-se pois vou contar a história da minha vida.
Mais especificamente porque minha vida acabou...
Se você está ouvindo está fita, você é um dos porquês"

Clay ainda está arrasado pela morte de Hanna, e quando recebe as fitas e ouve sua voz, seu mundo termina de ruir. Clay descobre cada um dos motivos que levaram a garota por qual se apaixonou desde o primeiro instante a se matar. O peso dessa descoberta cai sobre si, e mais do que somente ouvir, Clay deseja justiça e vingança, e sabe exatamente as pessoas que precisam pagar. Ao mesmo tempo todas as pessoas que ouviram a fita antes de Clay tem segredos que não desejam que ninguém mais saiba, e vão tentar impedir que Clay traga-os a tona.


Estamos numa época em que as pessoas precisam falar de seus problemas. Estamos numa época em que questões tabu como sexualidade, depressão, bullying, e nesse caso, suicídio, precisam de atenção. E qual melhor formar de abordar temas tão fortes senão através do entretenimento? 13 reasons why veio para trazer a tona algo que já deveria ter tido mais atenção. Primeiramente quero deixar bem claro que não li o livro, então minhas impressões são baseadas unicamente na série, então não venho trazer comparações sobre a adaptação, mas sim falarei dela de forma isolada.

Desde que a série começa já sabemos que Hannah Baker se matou, Clay recebe as fitas e de sua forma lenta e vagarosa ele escuta as fitas. Temos essa curiosidade sobre porque ela se matou desde o principiou. Na primeira fita vemos uma jovem que acabou de se mudar e começa a fazer amigos, e assim, um romance até então doce se torna alvo de bullying quando é vazado uma foto constrangedora da Hannah. Meu primeiro pensamento foi "isso é muito pouco para alguém se matar", e realmente é, mas é um começo para o efeito dominó que culminaria em sua morte.

Essa é a grande sacada da série, ela começa com coisas leves mas que pouco a pouco vão levando a coisas sérias. A partir daquela foto Hannah, garota nova da escola sofre cyber bullying levando a fama de fácil. Isso leva a vários outros problemas como sexualidade, perseguição stalker, invasão de privacidade, abuso sexual, etc... Aos poucos vamos começando a entender porque Hannah fez o que fez, e o pior de tudo é em algum momento o expectador entende totalmente sua ação. É angustiante de tantas maneiras que nos episódios finais tem avisos que as cenas são fortes e podem ser gatilhos psicológicos para pessoas que passam pelas mesmas coisas.

Discordo da grande maioria das pessoas que falam que essa é uma série adolescente. Ela é destinada para que o público adulto entenda que adolescentes tem problemas sim, que não é só uma fase a ser passada e precisam sim de atenção. O que aconteceu foi que o público adolescente se identificou em massa com alguma das situações relatadas por Hannah, e por isso falam que é uma série teen.

Desde sua estréia aumentaram, e muito, as ligações aos núcleos de apoio contra o suicídio. Em contra partida, o número de suicídios também se elevou, e grande parte dos casos citaram que viram a série. Nunca tive nenhum problema com bullying, depressão ou pensamentos suicidas, e mesmo assim me senti vazia e triste nos episódios finais. E é exatamente por isso que não recomendo ela para as pessoas que passam por isso. Ela meche com nosso psicológico de uma forma que fiquemos totalmente imersos nas situações. Também não foi seguido nenhuma das recomendações de saúde sobre temas de suicídio em obras fictícias, ou seja, nada foi romantizado ou suavizado. Mostra com riqueza de detalhes a cena em que ela se mata, sem nenhum trilha sonora, fica na tela ela se cortando e sua vida indo embora. É mórbido, triste e muito perturbador.


Falando um pouco dos atores, eles tem uma química e entrosamento sensacional. São atores novos e diversificados, algo que achei incrível, de certa forma quebraram um paradigma. A garota popular da escola é negra e a representante de sala é lésbica. Essa mescla deu um identidade única e mostra que realmente tudo foi pensado com muito cuidado. A fotografia é dividida entre presente e passado. Nas cenas do passado vemos um efeito de cores quentes, já no presente foi utilizada um efeito em azul mostrando a tristeza e problemas dos personagens. A trilha sonora foi muito pouco utilizado, a maior parte de cenas de tensão ela é inexistente deixando tudo muito cru e duro de se ver já que trilha sonora suaviza cenas.

Enfim, 13 reasons why é uma série destinada a público adulto mas que os adolescentes se identificaram. Não recomendo ela de forma alguma para qualquer pessoa que tem histórico de depressão ou bullying, para esses ela pode servir de gatilho e desencadear alguns problemas psicológicos. Mas para aqueles que se sentem saudáveis e se consideram aptos para ver tais assuntos ela é mais do que recomendada, pois além de falar sobre suicídio, ela trata sobre enxergarmos a pessoas e percebemos que nossas atitudes trazem consequências.






Um comentário:

  1. Muito sofrida esta série! Não sei se o livro é exatamente igual à versão dramatizada, mas há cenas em que, apesar dos gatilhos emocionais e por causa deles, eu senti a dor dela, da mãe, de alguns outros personagens, real, que tantas jovens e meninos também vivem no dia a dia e se calam, ou por medo do julgamento, ou por vergonha, ou simplesmente porque não sabem com quem se abrir. Espero que surta o efeito que inicialmente a autora planejou, de fazer as pessoas se colocarem no lugar das outras e fazer as pessoas que sofrem tanto buscar ajuda adequada e cobseguir não somente sobreviver, mas alcançar um fio que seja de felicidade. E, claro, buscar punição pra pessoas perversas, narcistas e egoístas como alguns personagens odiosos da série.

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