24 julho 2018

Resenha - Santuário dos Ventos


Título: Santuário dos Ventos
Autores: George R.R. Martin e Lisa Tuttle
Cortesia: Editora Leya
Páginas: 416
Skoob / Goodreads
Onde Comprar: Amazon

Na trama, após um desastre espacial, os tripulantes de uma nave intergaláctica passam a habitar uma região que chamam de Santuário dos Ventos, um mundo de pequenas ilhas, de clima difícil e mares infestados por monstros. Composta de inúmeros arquipélagos, a comunicação entre os povos era praticamente impossível – até a descoberta de que, devido à baixa gravidade e à sua densa atmosfera, os humanos poderiam voar pelos mares com a ajuda de asas de metal. Não por acaso, ninguém tem mais prestígio que os voadores, responsáveis por levar notícias para os mais diversos pontos do Santuário. Essas figuras deslumbrantes que cruzam os oceanos traiçoeiros, enfrentando ventos revoltosos e tempestades súbitas, formam também uma espécie de elite privilegiada, pois suas asas só podem ser passadas de forma hereditária. É nesse cenário que a jovem Maris é criada por Russ, um voador, e tudo o que ela mais deseja é voar pelas correntes acima do Santuário dos Ventos. No entanto, a tradição afirma que as asas de Russ só podem ser passadas para seu filho legítimo. E, para os voadores, permitir que qualquer um se junte à sua sociedade é uma ideia que beira a heresia. Inconformada, Maris recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus do Santuário dos Ventos? E até que ponto a benção se torna também uma maldição? Publicado originalmente em 1982, Santuário dos Ventos é uma das obras de Martin mais queridas pelos fãs e se mantinha inédita no Brasil. O romance foi vencedor do Locus Award, um dos mais prestigiados prêmios da ficção fantástica mundial.




Pouco se sabe da realidade anterior ao Santuário dos Ventos. Após um desastre espacial, os sobreviventes passaram a habitar essa região repleta de ilhas separadas por tempestades, cilas e gatos do mar. Viagens marítimas são perigosas e os voadores, cujas asas foram construídas de restos da nave intergaláctica destruída, são a principal ligação entre os habitantes do Santuário dos Ventos, trazendo notícias de lugares distantes e, principalmente, mensagens para os Senhores da Terra de cada ilha.


Maris foi adotada ainda pequena por Russ, um voador que lhe ensinou e lhe presenteou com a paixão de voar, coisa que até então não passava de um sonho para ela que era apenas uma confinada à terra. A tradição diz que filhos de sangue devem herdar as asas dos voadores, mas como Russ não tinha filhos, Maris receberia suas asas quando fosse a hora. Ela treinou e se tornou uma voadora habilidosa, tudo o que ela queria era o vento, seus amigos, o céu se tornou sua casa.

Essa seria sua realidade até que Russ e sua esposa tivessem Coll, o irmão que Maris passou a amar, mas que também seria o responsável por tomar suas asas quando atingisse a idade. Mesmo que não mostrasse nenhuma vocação ou vontade para voar, a tradição proíbe que Coll abra mão de suas asas e se torne o cantor que sempre desejou ser. Maris se recusa a aceitar que lhe tirem o que mais ama e coloquem a vida de seu irmão em risco, mas nem mesmo seu pai está disposto a apoiar isso.

- Todo ano maus voadores pegam as asas de seus pais e morrem com elas [...] asas são uma responsabilidade; elas devem ser usadas por aqueles que amam o céu, que vão voar melhor e mantê-las da melhor maneira. Em vez disso, o nascimento é o único critério para conferir as asas. O nascimento, não o talento. Mas o talento de um voador é o que o livra da morte, é o que mantém o Santuário dos Ventos unido.

Quando Maris contesta a tradição e Coll rejeita as asas, o Senhor da Terra de Amberly Menor se vê obrigado por Corm, o voador mais velho da ilha, a retirar as asas até que Corm escolha alguém mais apto e disposto a preservar a lei dos voadores. Maris, então, decide roubá-las e voar até Dorrel, seu amigo e amante, para pedir que ele convoque um Conselho de voadores, sua única chance de recuperar as asas. Deste Conselho virão consequências que mudarão para sempre a tradição e história de Santuário dos Ventos, assim como a vida de Maris.


[ - Minhas Impressões - ]


Santuário dos Ventos foi uma leitura no mínimo interessante. Eu comecei a ler sem saber o que esperar e acabei terminando sem saber exatamente o que achei. E eu explico, não foi uma experiência ruim, muito pelo contrário, não havia nada que eu pudesse realmente reclamar sobre ele, a história, os personagens, a escrita à quatro mãos, achei tudo original e muito bem construído, mas uma parte de mim sentiu que faltou tão pouco para ser um livro sensacional e marcante que me deixou um pouco frustrada.

O livro é dividido em três partes, todas narradas em terceira pessoa e cada uma delas dá um salto temporal na vida de Maris, o que permite que nós conheçamos sua vida como um todo. Com ela, nós entendemos o que significa voar nesse mundo para que possamos entender que as asas são como uma extensão do corpo dos voadores e não existe uma outra vida para eles que não seja no ar.

De repente, foi preenchida por uma sensação de paz, e sentiu-se esvaziada de todas as tensões e raivas da terra. É isso o que significa voar, pensou. O restante: as mensagens que levava; as homenagens que recebia; a vida relativamente tranquila; os amigos e inimigos da sociedade dos voadores; as regras e as leis e as lendas; a responsabilidade e a liberdade ilimitada; tudo isso, tudo isso era secundário. A recompensa real, para ela, era esta: a simples sensação de voar.

Maris é uma protagonista sonhadora e inteligente do tipo que nós adoramos ver nas histórias. Meu único problema com o livro foi a carga de drama que colocaram em cima dela, especialmente na segunda parte. Faz parte de sua personalidade ser movida pela emoção e agir por impulso, mas de uma forma genial. Esse talento todo foi, muitas vezes, desperdiçado e colocado em segundo plano; a Maris era arrastada pela corrente do drama quando tinha todo o potencial para agir e mudar o rumo da situação. Se tivéssemos no livro inteiro (ou na maior parte, pelo menos) a Maris das últimas 50 páginas, eu não teria corações o suficiente para favoritá-lo.

Uma das coisas mais legais na história é o poder que as canções exercem sobre as pessoas, elas são a principal fonte de informação sobre os feitos que marcaram o mundo e chegam a ser transmitidas por várias gerações. Quando relatados, o mundo passa a enxergar esses feitos da maneira com que são cantados, com o sentimento que a música transmite. As canções são uma forma de verdade, sejam elas realmente verídicas ou não. Gostei que elas desempenharam um papel crucial na última parte.

A história gira em torno de Maris, mas os personagens secundários (que são muitos, por sinal) são muito bem construídos e são as peças essenciais que movem a narrativa. A polaridade entre Dorrel e Val (que surge na segunda parte) representa muito bem os conflitos entre voadores e confinados à terra, um é o extremo oposto do outro, ligados pela Maris que é, também, o elo entre os dois ideais, a chave de tudo.


Em cada parte do livro, os autores exploram o universo dos voadores de um ângulo diferente que vai se completando como peças em um quebra-cabeça até o clímax da terceira parte, um ato sempre gera uma consequência no futuro. Isso nos dá uma visão ampla de como esse mundo funciona e nos permite conhecer à fundo todas as camadas da nossa protagonista colocada à prova.

Talvez eu tenha sido um pouquinho exigente porque eu sei que havia muito potencial aqui, mas simplificando, a verdade é que eu gostei muito. Santuário dos Ventos é uma fantasia original e completa, muito bem amarrada, com certeza será bem aproveitada por qualquer fã desse gênero e poderá despertar o interesse de muitos outros!

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13 comentários:

  1. Olá Luana!
    Adorei esse livro, nunca tinha ouvido flar, sou doida pelo gênero e confesso que tenho lido bem pouco mas este vai para minha lista de desejados, adorei essa capa e pela resenha e sinopse parece ser bom.
    Bjs!

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  2. O livro me parece bom gostei da resenha, concordo q a musica ela pode ser passada de geraçao em geraçao mas seu significado sempre sera o mesmo e capaz de ate mudar o mundo,nunca li nada desse autor, sei q ele é muito bom pq atraves dele foi criada pra mim uma das maiores e melhores serie do mundo e com certeza de todos tempos GAME OF THRONES rsrs !!!

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  3. Quando vi este livro pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi o fato de trazer o nome de George nele.
    Engraçado que a gente(eu) só achava que ele tinha escrito Got.
    Mas felizmente,não!!
    Adoro o gênero e pelo que li acima o enredo parece ter sido muito bem construído e com personagens, idem.
    E pelo que entendi, mesmo que sejam muitos personagens, a gente não se perde.
    Já está na lista de desejados.
    Beijo

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  4. Luana!
    Maravilhoso ver mais um livro do George R. R. MARTIN, mesmo sendo em parceria, sobre uma fantasia bem elaborada e bem escrita.
    E mesmo com todo o drama da segunda parte, gostaria de apreciar, afinal, é uma fantasia carregada de pernonagens diferentes que formam todo enredo.
    Acredito que foi mesmo muito exigente, mas é de cada um, concorda?
    Dá gosto de ler, não é mesmo.
    cheirinhos
    Rudy

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  5. Olá! Não conhecia o livro, mas gostei muito de tudo que li. Fantasia é um dos meus gêneros favoritos e a história esta repleta de detalhes o que a torna ainda mais interessante. Bacana saber que durante a leitura seremos capazes de acompanhar o amadurecimento da protagonista e acompanhar toda a sua trajetória.

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  6. Gostei da capa, da resenha ,e achei a história incrível, de Maris perder o direito às asas por uma questão de tradição sobre filhos legítimos ..
    Também gostei de saber que Maris é uma personagem sonhadora e inteligente pena que essas características se perdem no decorrer do livro . Acho que vindo de George Martin toda fantasia desse livro se justifica, um prato cheio para fãs do gênero.

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  7. Oi, Luana!
    Sinceramente achei bastante confusa a trama de Santuário dos ventos - voadores, confinados à terra, asas herdadas... - provavelmente por isso não fiquei curiosa para conhecer mais desse universo criado à quatro mãos, não fiquei interessada em saber se Maris conseguirá suas asas... por isso esse é um livro que eu não leria. Abraços!

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  8. Oi Luana,
    Um livro com uma história bem diferente, não é?
    Achei bem bacana o enredo montado, a vida dos voadores, apesar de não ter entendido muito bem em como eles vivem, só achei original o que foi apresentado.
    Quanto ao desenvolvimento, até acho legal a autora colocar o drama, gostei de Maris ir atrás do que queria e lutou para ter, só isso me ganhou.
    Olha, fiquei bem curiosa para saber como tudo acaba, quero ler.
    Beijos

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  9. Oiee!
    Não conhecia o livro e confesso que não me interessei, não é um tipo de livro que pego para ler e das poucas vezes em que peguei demorei uma eternidade para terminar, por isso, prefiro nem tentar mais, ao menos por enquanto.
    Bjs!

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  10. Oi, não lembro de ter visto esse livro sendo divulgado mas eu achei interessante o enredo dele e lendo a resenha me pareceu ainda mais interessante, eu imagino a frustração do personagem por não fazer o que ama por causa que não tem o sangue do pai. Não gosto muito como você quando vejo o potencial de um personagem sendo deixado de lado, ainda mais por dramas do enredo, acho que série interessante o que o personagem poderia fazer fora isso mas ok. Obrigada pela resenha.

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  11. Fico receoso ao falar o que achei sem mesmo ler o livro ou também por não gostar tanto do gênero (gosto das fantasias que tem uma mistura com romance!). Então, sou bem suspeito.

    Mas, apesar de tudo, acho que o livro é bem detalhista e bem descritivo! O que as vezes pode me irritar bastante, ainda mais quando o livro é totalmente bem construído e ele nao me agrada do jeito que deveria.

    Assim como Santuário dos Ventos, se mostrando um livro com uma história bem cativante! Porém, não fiquei tão interessado por não ser meu gênero e fico triste (alerta drama 😂).

    O livro com uma pegada de drama pode me irritar dependendo do momento em que ele está presente. Não são todos os momentos que da certo. Podendo até fazer com que a gente desista de terminar. Então, acho que poderiam salpicar o drama ao invés de botarem 1 pitada.

    Aposto que se não fossem todo conjunto não seria aquela obra perfeita que você achou! 💖

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  12. Achei a capa do livro sensacional e fiquei boquiaberta com a sinopse já morrendo de vontade de sair correndo comprar. Amo fantasia, apesar de não ter lido muitos livros do gênero, mas fiquei bem interessada nessa. É completamente diferente de qualquer uma que eu conheça, o contexto e tudo parece muito demais haha. Fiquei com um pé atrás por tu ter dito que faltou algo para ser excelente, mas como tua resenha no geral foi positiva acredto que valha a pena ler o livro. Acho que irei gostar bastante, ainda mais que a protagonista é uma mulher e ela vai contra as tradições, eu adoooro isso! E eu também adoro uma carga pesada de drama haha, então acho que isso na personagem não irá me incomodar. Também sou bem impulsiva e sempre me deixa levar pela emoção quando é melhor ir pela razão.

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  13. Eu confesso que mesmo lendo a premissa não me interessei nem um pouco, acho que se eu parasse para ler não iria me envolver e também acabaria sendo exigente demais.
    Por isso creio que passo a dica.
    Um dia talvez quem saiba.
    Adorei a resenha.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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