16 julho 2018

Resenha - Escola dos Mortos


Título: Escola dos Mortos
Cortesia: Autora Karine Vidal
Editora: Skull Editora
Páginas: 590
Skoob / Goodreads
Onde Comprar: Skull Editora / Amazon

Lara Valente irá morrer. Mas sua história não termina por aqui. Pelo contrário: é aí que ela começa. A jovem carioca será enviada para um misterioso internato na Inglaterra. Mas o lugar esconde um segredo. Lara se deparará com vozes de gente morta em gravadores, assassinatos misteriosos no colégio, meninas mortas que ainda moram nos quartos, e um despertar assustador num caixão. Tudo isso vai leva-la a descobrir que, por trás da fachada da Escola dos Sotrom, existe uma Escola muito mais perigosa, cheia de segredos, pactos e mortes. Nessa Escola repleta de ocultismo, Lara será assassinada. Mas sua história ainda não terminou. Ela acordará em um mundo paralelo, um universo glamouroso onde vive a nata dos melhores, escolhidos à dedo pela Morte. A Escola dos Mortos abriga os que foram assassinados e enviados para lá. Uma sociedade escondida em que existem apenas os melhores, coexistindo em segredo com a escola dos vivos. Adolescentes mimadas, carros luxuosos, segredos escandalosos, campeonatos, corridas e caçadas. Lara irá se apaixonar por um homem perigoso. Luka Ivanovick, com seus olhos negros, hostis e arrogantes – repletos de ocultismo e falta de respostas. Através dele, Lara descobrirá a cruel história por trás de sua morte. Paixão, mistério e um jogo de sedução escuro e apimentado irão acontecer entre o mundo real e o misterioso mundo noturno da Escola – até Lara descobrir que, dentro dos caixões, os mortos daquele lugar nunca dormem.






Lara Van Pelt Valente é uma surfista carioca de 18 anos que mora na Lapa junto de sua sua mãe, Helena, e sua madura irmã caçula, Ana. Em uma noite como outra qualquer, um estranho bate à sua porta, este é John Fitelberg, representante de seu avô, pai de seu pai, o inglês Edward Van Pelt que sumiu quando sua mãe estava grávida de Ana e nunca deu mais notícias do que uma quantia enviada mensalmente para as três. John traz a notícia da morte do avô e que, consequentemente, Lara e Ana são suas únicas herdeiras.

Entretanto, para que elas recebam a fortuna deixada, Lara deve estudar pelo menos um ano no Internato dos Sotrom, próximo de Londres, onde toda a família Van Pelt estudou. Lara se recusa a deixar sua família por dinheiro de alguém que nunca fez questão delas, mas após ver o valor que a família receberia, o orgulho e o prazo de um ano não eram tão grandes como o quanto aquele dinheiro poderia ajudar sua família, um sacrifício mínimo para realizar os sonhos de Ana e sua mãe.

Dois dias depois, ela parte para a Inglaterra com John Fitelberg. Lá, ela descobre que a Escola de Sotrom é, na verdade, uma academia onde ela começará no primeiro ano e poderá sair formada com ensino superior ao fim de cinco anos, longe de estar nos planos de Lara. A escola se mostra cada vez mais sinistra, todos parecem ter medo de algo. E, claro, há a regra mais importante: ninguém sai do quarto após às oito horas da noite.

Era uma espécie de castelo medieval, com torres e pináculos pontudos e obscuros, ladeados por árvores sombrias, esqueléticas. Gárgulas estavam dispostas nas altas torres. Esculturas de anjos encravados nas pedras do castelo tinham olhos tristes, que pareciam mais humanos do que deveriam. Era quase como se dissessem: vá embora enquanto ainda pode.

Pouco depois de chegar, quase nove horas da noite, Lara ouve uma melodia melancólica familiar e vai atrás do som para, então, encontrar um pianista de cabelos negros que dedilhava as notas no escuro. Ele e a música eram diferentes de tudo que ela já vira e Lara descobre que há muito mais mistério por trás daquele garoto do que ela poderia imaginar.

Cada vez mais coisas estranhas acontecem e o uniforme desinteressante se torna a última preocupação de Lara, histórias macabras de mortes, incêndios e assassinatos de alunos se tornam recorrentes. Por algum motivo, todos os alunos parecem se esforçar para não se destacar. Todos, com exceção de Alexandra Ivanovich, cujo olhar intenso a lembrava do pianista e cuja irmã gêmea morrera assassinada no ano passado.


Misteriosa e ameaçadora, Alexandra era a única disposta a contar a verdade para Lara: pessoas interessantes morriam por ali, quanto antes melhor para que outra pessoa não tenha que ir no lugar. Uma vez marcada pela Morte, não havia para onde correr. E foi uma questão de tempo até a Morte encontrar Lara, mas ela descobrirá que ainda há muita vida após o seu enterro, a começar pela Escola dos Mortos e o arrogante Luka Ivanovick.

Seus olhos se cravaram em mim, avassaladores, exigindo espaço. Eram assustadoramente negros, felinos, perigosos, cor do véu da noite. [...] Encarava o escuro onde eu me escondia, e embora eu soubesse que ele não estava me enxergando, fixava aquelas íris negras diretamente em mim, como se me sentisse.


 [ - Minhas Impressões - ]

Poderia dizer que estou sem palavras depois deste livro, mas a verdade é que eu preciso muito falar sobre ele e não sei nem por onde começar. A Karine Vidal é uma autora brasileira que nos trouxe um romance de tirar o fôlego, com uma escrita leve e envolvente, quase seiscentas páginas passaram para mim como se não fossem cem. Sabe aquele livro que você não larga nem para escovar os dentes? Então, já vou avisando que a Escola dos Mortos é um caminho sem volta (será?).

Não há terra tão boa quanto a que fomos criados. Tão civilizada quanto a que nós nascemos. Tão confortável quanto o nosso lar, nosso berço. E, embora eu ainda não estivesse desesperada, sabia que daqui a alguns anos daria qualquer coisa para sentir os pés na areia outra vez, o sol batendo no rosto... E ver minha mãe totalmente desequilibrada, borrada de tinta - bem como minha irmã equilibrada até demais. A carrasca mirim.

Se você acha que esta é apenas mais um história de uma jovem normal que ganhou um cartão de crédito sem limite e viveu feliz para sempre, você está completamente enganado, quer dizer, a Lara já não viveu tanto assim, mas quem disse que não há felicidade após a morte?

Inicialmente, eu fiquei com um pé atrás porque eu não gosto quando um livro nacional acaba em algum lugar como EUA ou Inglaterra (por razões evidentes), mas a autora não abandonou a cultura brasileira nem no mundo dos mortos, eles foram inseridos com muita propriedade e eu valorizei muito isso. A única coisa que realmente me incomodou, para jogar na roda de uma vez, foi a possessividade do Luka, liguei o alerta de relacionamento abusivo na hora, não é algo que deve ser romantizado, MAS levando em consideração as circunstâncias, a progressão da história e o capítulo narrado por ele (que o redimiu um pouco), vou deixar essa passar.


A Lara tem uma personalidade divertida e corajosa, com seus defeitos, é uma personagem extremamente real e o tipo de protagonista que nós gostamos de acompanhar. O romance tem aquele dilema eletrizante entre amor e ódio e se desenvolve de forma gradual e estranha (risos). Gente, o Luka é muito estranho, a família dele é praticamente os Cullens no colégio onde todos já estão mortos, sério, me rendeu boas risadas. Também vou dar um ponto positivo para a evolução dos personagens que aprendem com seus erros e mudam ao longo da história.

Nem só de romance vive Escola dos Mortos, o universo paralelo do mundo dos mortos é muito original, o modo como as histórias se entrelaçam é impressionante. Algumas coisas foram previsíveis, mas muitas delas eu nem desconfiei. A história nunca se perde ou fica tediosa, você sempre quer saber o próximo passo, temos até uma Caçada à la jogos vorazes, emoção é o que não falta por aqui.

Eu precisei morrer para encontrar o meu lugar no mundo. E que me perdoem aqueles que estão vivos, mas aqui, nesse mundo dos mortos, eu conseguia encontrar vida em cada esquina. Isso a Morte não conseguiu nos roubar - éramos humanos. Carregávamos amor, ódio, sentimentos e laços em qualquer mundo.

Em termos práticos, eu adorei a construção do mundo fantástico, a justificativa para sua existência, a mecânica de tudo e, principalmente, os contratos com a Morte (com "M" maiúsculo mesmo). A Karine é advogada e eu, como uma boa estudante de direito, amei ver esses elementos inseridos no livro, achei genial! Fiquei envolvida do início ao fim, ri muito, fiquei feliz, com raiva, chocada, apaixonada, quase chorei e até comemorei. Faz muito tempo que um romance não me colocava nessa montanha russa de emoções e este ganhou meu coração, espero boas coisas da Karine no futuro, desejo todo o sucesso do mundo e, para vocês, fica aqui minha indicação de um livro nacional que vocês precisam conhecer!


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12 comentários:

  1. Olá Luana!
    Sempre acompanho resenhas sobre esse livro e tenho muita curiosidade para ler, pelos cometários positivos que li o enredo parece ser bom, eu gosto do gênero e por isso gostaria de ler, espero que seja em breve.
    Essa capa é linda!
    Bjs!

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  2. Sinto uma ponta enorme de orgulho quando vejo um livro nacional tão bem construído.
    Não conheço o trabalho da autora, mas adorei o tema e ainda sabendo que há esse misto de sentimentos desta maneira, apesar de acreditar que o bom humor seja o ponto central de tudo.
    Gostei muito de saber também que há romance é que ele não é o foco do enredo.
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  3. Quando via esse livro sempre imaginei que era gringo. Mais uma vez à literatura nacional fazendo bonito.Gostei da resenha pois dá pra sentir teu entusiasmo com a leitura. Os pontos fortes, Eu achei incrível essa história da Escola dos mortos, dá até medo. .e sobre a família que vive no Brasil e as filhas recebem a herança. .achei meio batido, assim como a possessividade do namorado e a família ser meio família Cullen...se estão todos mortos é compreensível.
    Fiquei intrigada como a autora consegue explicar essa escola dos mortos e fazer isso parecer uma coisa positiva, mesmo que fantástica. Achei linda a capa.

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  4. Nao leio muitos livros de suspense, mas esse parece interessante rsrs, a historia parece envolvente!!!

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  5. Oi, Luana!
    Ah, Escolas dos Mortos! 😍❤ Amo de paixão esse livro!
    Li essa história em pdf, quando a Karine Vidal estava disponibilizado gratuitamente a história para quem quisesse ler, e quando o livro físico foi publicado é claro que eu comprei! ❤
    Eu amei a personalidade da Lara - divertida, corajosa, amigona... - ri muito com ela. E sim, eu estranhei esse lado possessivo do Luka, e concordo com você, o capítulo narrado por ele e as outras circunstâncias o redimiu um pouco.
    E o que foi essa Caçada à la Jogos vorazes?! Por muitas vezes o meu coração quase saiu pela boca rsrs.
    Agora estou desesperada para ler o segundo livro - O príncipe dos mortos - mas estou sem verba... 😟 Vida difícil essa de leitor viciado, hein!?

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  6. Não conhecia o livro e nem a autora mas adorei a trama.
    Eu sou viciada nesse gênero e fiquei super curiosa para saber a evolução dos personagens e de Laura.
    Esse negócio de Luka ser meio possessivo me incomoda um pouco, mas quero fazer a leitura mesmo assim.
    Adorei a dica.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  7. Eu já vi muitas resenhas positivas sobre esse livro e a sua entra pra cota mas por mais que eu leia eu não consigo sentir a curiosidade que me faz ir atrás de um livro, eu leio a sinopes e penso que é um livro interrssante mas acabo deixando de lado. Acho que se eu realmente pegar esse livro vou acabar gostando como você, acbo que so preciso dar um chance. Vou procurar dar uma chance a essa obra e quem sabe eu posso ter um livro favorito até o final do ano.

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  8. Olá! Esse livro vem rodando meu feed nas redes sociais há um bom tempo e confesso que não botava tanta fé assim na história, mas depois dessa resenha, vou repensar essa ideia, afinal o livro traz muito do que eu gosto durante a leitura essa pegada de Jogos Vorazes foi a chave para a conquista, pelo menos a minha (risos). O enredo é bem interessante, afinal a maior parte da história se passa depois da morte dela (eita que doideira), as 600 páginas, já não me assustam mais e quero muito devorar tudo o quanto antes.

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  9. Olá Luana,
    Juro que não sabia que o livro era nacional, que orgulho, e uau, quantas páginas, normalmente eu ficaria com o pé atrás por achar que o livro seria cansativo, mas gostei tanto do que foi apresentado, fiquei muito curiosa para ler! Pelo visto a protagonista foi bem trabalhada dos dois lados, viva e morta, e sobre a "morte", fico imaginando como a autora trabalhou essa parte!
    Sendo sincera, eu gostei de todos os pontos que citou, já quero ler o livro.
    Beijos

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  10. Luana!
    Nossa! 600 páginas? O livro tem de ser envolvente para não querer largar.
    Embora tenha achado essa história um tanto bizarra, no sentido de que Lara tenha morrido e pretende 'viver' da melhor forma possível... Fiquei foi intrigada, viu?
    Gosto quando há mistura de estilos, torna o livro mais interessante e sabeer que é de uma autora nacional, mais um motivo para ler.
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Guriaaaa!

    Desde que comecei meu bookstagram eu vejo TODO MUNDO postando sobre esse livro e desde a primeira resenha que li fiquei completamente doida por ele!Eu nem li ainda, não sei quand vou poder, mas já considero a Karine uma baita de uma escritora. Sem falar que eu amo livros com teor sobrenatural, a primeira coisa que me chamou a atenção nesse foi o nome e sem falar que essa capa é sensacional. Arrasaram em tudo. Depois da tua resenha só fiquei mais louca ainda pra sair correndo atrás desse livro, tu não tem ideia.

    Porém, a parte do romance meio abusivo também ligou um alerta em mim. Sou um pouco sensível com esse assunto e acho que se for mesmo romantizado vai me dar uma coisa ruim, mas não irei desistir de ler não. Tenho certeza que a história é incrível demais para eu deixar me abalar por esse ponto. Preciso dele urgenteee!!

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  12. Juro que antes de tudo eu pensei que ela morria e iria para a Escola dos Sotrom, mas é ao contrário 😂😂😂

    Já fiquei com muita vontade de ler pela personagem ser carioca e morar no centro do Rio. Minha querida Lapa 😍 Nunca tive a oportunidade de ler um livro que se passasse no Rio. Fico muito orgulhoso até.

    Fiquei impactado pela Lara ser a personagem melhor que o Luka, pois na maioria dos livros que leio é ao contrário, mesmo eles sendo escritos por autoras. Um ponto super positivo para a belíssima Karine.

    Uma dúvida que fiquei ao ler a resenha: e a mãe? Sumiu? O que acontece com ela?

    E isso só me aumenta mais as expectativas de ler esta linda obra, que parece maravilhosa! Pretendo me apaixonar pela linda Lara e pela escrita de Karine também haha!

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