15 janeiro 2018

Resenha - Último turno


Título: Último Turno (Bill Hodges #3)
Autor: Stephen King
Editora: Companhia das Letras / Selo Suma de Letras
Skoob 
Páginas: 340
Onde comprar: Saraiva / Amazon

Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.
Em Último turno, Stephen King leva a trilogia a uma conclusão sublime e aterrorizante, combinando a narrativa policial de Mr. Mercedes e Achados e perdidos com o suspense sobrenatural que é sua marca registrada.







Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores.


Bill Hodges e Holly Gibney formaram uma agência de investigação intitulada Achados & Perdidos, e depois de terem pegado o Assassino do Mercedes e resolvido um caso vinculado a ele, agora ocorre algo excêntrico que faz com que o antigo parceiro de Bill, o Pete Huntley, ligue para ele e peça a sua ajuda para averiguar um assassinato seguido de suicídio. Uma das vítimas de Brady no assassinato do Mercedes, uma mulher que ficou tetraplégica com o atropelamento, foi assassinada pela mãe e logo após, a mesma se suicidou. É claro que Bill aceita a proposta imediatamente e leva Holly para a casa em que os crimes aconteceram, já que Bill tem uma certa conexão com uma das vítimas.

Pete está prestes a se aposentar e sua parceira Izzy almeja um grande cargo na polícia e está ansiosa para alavancar sua carreira, e infelizmente para Bill e Holly, ela não demonstra estar nem um pouco interessada em investigar a fundo o mistério de assassinato seguido de suicídio. Seu desinteresse em investigar a verdade por trás daquelas mortes se expande ainda mais quando percebe que há outro caso de duas vítimas de Brady que também acabaram cometendo suicídio. Dessa forma, Holly será aquela que irá chamar a atenção de todos, já que com o seu olhar atento e minucioso aos pequenos detalhes, descobrirá coisas muito importantes que passaram despercebidas e também irá pensar em possibilidades que levariam muito tempo para os outros policiais perceberem e refletirem, incluindo o detetive aposentado Bill Hodges. Coisas que estão profundamente conectadas a Brady Hartsfield.

"O pensamento que ocorre a ele é complicado demais, carregado demais com uma mistura de raiva e dor para que seja articulado. É sobre a forma como algumas pessoas jogam fora o que outros venderiam a alma para ter: um corpo saudável e sem dor. E por quê? Porque estão cegos demais, traumatizados demais ou voltados demais para si mesmos para ver além da curva escura da Terra até o próximo nascer do sol. É só continuar respirando."

Seguindo o conselho de seus amigos Holly e Jerome, Bill abandonou o hábito de visitar Brady no hospital. Porém, apesar dos anos terem passado, nessa época já haviam boatos de que coisas estranhas aconteciam naquele quarto da clínica de traumatismo cerebral. Coisas como objetos de movendo sozinhos, barulhos repentinos e cortinas de movendo. E tais coisas acabavam se intensificando após Bill ir embora e ter provocado Brady, incentivando-o a se mostrar por trás daquela máscara de aparência catatônica, através de ofensas sobre a mãe, a qual tinha um relacionamento um tanto perturbador.

Mas agora os anos passaram e por trás de toda aquela atuação de vegetal, Brady esteve elaborando um plano muito meticuloso e maligno para voltar à ativa e causar um grande espanto – algo que sempre adorou fazer -  à sociedade, além de explorar e aprimorar suas novas habilidades para realizar tudo com perfeição. Bill, Holly e Jerome terão que lidar com esse novo fenômeno sozinhos, já que estão cientes de que a polícia não irá entender o raciocínio deles. Além disso, estão trabalhando da forma mais lenta para resolver todo o mistério, o que pode ser tarde demais para as vítimas de Brady. Para complicar a situação toda, ao se colocar em uma situação de grande perigo, Bill precisa encarar os fatos e lidar com os problemas que decorrem com a velhice. Será que esse trio improvável será capaz de impedir um assassino que está voltando à ativa muito mais cuidadoso, com sede de vingança e com uma nova carta na manga: as habilidades sobrenaturais?


Eu amei esse livro e apesar de não estar esperando pela forma que o elemento sobrenatural foi inserido na história (afinal de contas, não houve nenhum sinal disso nos livros anteriores da trilogia!), acredito que Stephen King não poderia ter elaborado um desfecho melhor para ele. Gostei dessa junção de investigação policial com o mistério das mortes, pois deu aos nossos heróis Bill Hogdes, Holly e Jerome um desafio ainda maior para enfrentar, já que ninguém acreditaria naquilo que estavam descobrindo. Logo, eles teriam que lidar com a crise sozinhos e encontrar um modo de derrotar o Brady, ou seriam impedidos e as mortes continuariam a se sucederem.

Achei lindo como a relação entre Bill e Holly se mostrou ainda mais intensa e próxima nesse livro. Que pessoas mais fofas! A Holly é encantadora à sua própria maneira, nota certos detalhes que policiais competentes deixam passar batido, é muito inteligente e rápida nas pesquisas, sempre com a resposta na ponta da língua. Nesse livro, ela demonstra claramente não ser mais aquela mulher diminuída e maltratada pela mãe.

“Bill Hodges é seu parâmetro, a forma como ela mede sua capacidade de interagir com o mundo. O que é só outra forma de dizer que ele é o jeito como ela mede sua sanidade. Tentar imaginar a vida sem ele é como ficar de pé no alto de um arranha-céu e olhar para a calçada sessenta andares abaixo.”

Holly é a personagem que, com toda a certeza, que mais brilhou nesse livro. Ela é inteligente e super divertida. Tem suas manias peculiares e sente medo de se envolver com as pessoas, mas vemos que por baixo de toda essa camada de proteção, é um amorzinho de pessoa. Admito que no primeiro livro eu sentia um pouco de medo dela devido às suas crises decorrentes do passado difícil que teve. E até mesmo Bill diz que se sentiu da mesma forma. Mas nesse livro ela está muito mais autoconfiante e é uma coisa incrível acompanhar o seu raciocínio agindo e vê-la trabalhando. Sem falar que é muito devota aos amigos e demonstra o tempo todo se importar com eles, dando o seu melhor para ajudá-los nas situações mais difíceis. Portanto, do primeiro livro ao último, posso afirmar que, aos pouquinhos, ela conquistou o meu coração e nunca mais irei esquecê-la.

É incrível como no início do livro estamos com uma certa ideia e no decorrer dele essa ideia vai se modificando bastante. Como eu disse, não estava esperando por esse novo elemento sobrenatural e apesar de isso fugir do padrão dos outros livros, isso bastou para tornar a história incrível e, com certeza, o melhor livro dos três! Afinal, vemos um antagonista completamente louco e ansioso por vingança, com novas ideias perigosas brotando da sua mente excepcional. E como foi pego pelos massacres e tentativa de assassinatos em massa no passado, ele está mais cuidadoso e fará qualquer coisa para fazer o detetive sofrer pelas suas mãos. Ou, eu deveria dizer, pela sua mente?


Fico triste nesse momento em que escrevo a resenha, pois Último Turno me encantou profundamente e gostei muito de cada um dos livros da trilogia. Na minha sincera opinião, acredito que três é um número muito pequeno e por mim haveria mais casos para Bill resolver com seus amigos. E é com o coração partido que fiquei ao chegar à última página e ter que dizer adeus a esses personagens maravilhosos. Com toda a certeza, recomendo muito a leitura de cada um desses livros!



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6 comentários:

  1. Eu acredito que todo leitor que lê uma obra do Mestre King, nunca mais vai conseguir ler algo dele e não desejar ler.
    Esta trilogia está na minha lista de desejados faz um bom tempo e mesmo na Black Friday eu não consegui adquirir. Os livros do autor nunca reduzem os preços assim, numa escala que meu bolso suporte.rs
    Mas sei que quero muito ler e espero fazer isso em breve!
    Beijo

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  2. Ah King...Só vi filmes de algumas obras dle, não iva ainda a oportunidade de ler os livros, morro de vontade, enredos e capas lindas, me chamam mta atenção, espero em breve conseguir ler...
    bjs!

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  3. Amanda!
    VEr que o elemento sobrenatural foi inserido na trama, mesmo sem um aviso prévio, acho espetacular e mostra ainda mais a genialidade do King.
    Achei fenomenal a ideia do assassino aprender a usar sua mente e passar a matar as pessoas mesmo estando em coma no hospital.
    Tão bom quando uma série termina a contento e os personagens se tornam ainda mais maduros.
    E você queria mais, não é?kkkk
    Desejo uma semana mais que abençoada e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Meta para o Ano Novo? Ser feliz!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  4. Os livros do King são ótimos, adoro eles, essa série ainda não tive a oportunidade de ler, mas pela resenha já mostra que não tem como se decepcionar coisa que é muito difícil de acontecer, o fato do assassino matar pela mente é algo muito diferente e bem curioso, espero que vire um filme ou uma minissérie, mas antes quero muito ler o livro.

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    1. Oi Amanda, Stephen King arrasando mais uma vez né? A trilogia já começou me conquistando pela capa maravilhosa, adoro as capas dos livros dele lançados no Brasil. Amei a construção da personagem Holly como você descreveu, parece muito boa! A gente sabe o talento do escritor por esses pequenos detalhes também. Quando ele nos faz desconfiar de certo personagem no início de uma serie e depois nos faz acompanhar toda a saga desse personagem e criar um laço afetivo. É maravilhosa a descrição como Holly nos cativa aos poucos. Outro ponto positivo pela sua resenha é a propria história, recheada de suspense, mistério e investigação que nos prende do início ao fim. O próprio trabalho do antagonista é bem feito. Adorei a sua resenha, e apesar de amar o trabalho do autor nos seus livros mais famosos não conhecia a trilogia ainda e fiquei curiosa pra ler.

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  5. Por incrível que pareça eu ainda não li esse livro do Stephen King adoro as obras dele mas no momento eu estou lendo o livro que ele lançou com filho dele belas adormecidas escrito por ele e pelo Owen King mas quando eu terminar não vai ser esse livro que eu vou ler mas pelo que eu já vi dos livros do Stephen King ele sempre começa o livro com uma ideia e no fim essa ideia se desenvolveu e ficou incrível então com certeza isso deve rolar bastante nesse livro

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