05 janeiro 2018

Resenha - Tartarugas Até Lá Embaixo

Título: Tartarugas Até Lá Embaixo
Autor: John Green
Editora: Intrinseca
Skoob
Páginas: 256
Onde comprar: Saraiva / Amazon
Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo.  A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.






Depois de um período consideravelmente longo sem escrever nenhum livro para seus adorados leitores/fãs, John Green resolve nos agraciar com Tartarugas até lá embaixo.

O livro é narrado em Primeira pessoa por Aza Holmes, uma garota aparentemente normal como qualquer outra adolescente, porém que sofre de uma doença crônica chamada TOC.

Definição: O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é uma doença mental caracterizada por
pensamentos excessivos (obsessões) que levam a comportamentos repetitivos (compulsões).
Em alguns casos essa doença se manisfesta moderadamente. Quase todo mundo tem algumas manias que lembram os "sintomas" de TOC, como revisar a porta mais de uma vez, ou se o gás está ligado, ao sair de casa. Mas na protagonista a doença é muito presente. Perturbadora para ser mais exata.


"Eu sabia bem como era. Sempre me senti incapaz de pensar direito, de concluir os pensamentos, porque eles me vinham à cabeça não em linhas retas, mas num emaranhado de nós enroscados uns nos outros, em areia movediça, sendo engolidos por buracos negros."

Aza tem um medo incomum de contaminada por bactérias e micróbios, essas e outras coisas fazem com que a garota sinta problemas ao se relacionar com as pessoas. Até mesmo com a própria mãe.

Dayse sua melhor amiga tenta levar isso da melhor forma possível e esta sempre ao lado de Aza. Um belo dia essa dupla dinâmica fica sabendo do desaparecimento de um bilionário famoso, que esta sendo acusado de corrupção, e seu sobrenome parece familiar. Está sendo noticiado também que a recompensa para quem saiba alguma informação que leve ao paradeiro do foragido, é uma quantia de cem mil dólares.

Logo Dayse e Aza se lembram de onde conhecem o sobrenome. O bilionário nada mais é, do que o pai de Davis Pickett, um garoto que Aza conheceu em um acampamento de férias há alguns anos atrás. Assim, as garotas tem a ideia de fazerem uma visita inesperada ao velho amigo de Aza para tentar colher alguma pista sobre o paradeiro do pai dele. E assim porem a mão na recompensa.


"— Sua mãe se importa, sabe? A maior parte dos adultos é simplesmente vazia. Vemos adultos tentando preencher o vazio com bebida, dinheiro, Deus, fama ou com o que quer que idolatrem, e tudo isso faz com que apodreçam por dentro, até não sobrar nada além do dinheiro, da bebida ou do Deus que eles acharam que era a salvação. Meu pai é assim… Ele na verdade já desapareceu faz tempo, e talvez seja por isso que não fiquei tão chateado quando sumiu agora. Gostaria que ele estivesse aqui, mas desejo isso há tanto tempo... Os adultos pensam que sabem controlar o poder, mas na realidade é o poder que acaba controlando os adultos."

Mas não será tão fácil como elas imaginavam. Aza de alguma forma sente uma conexão com Davis que é bem aparente desde o início. E vê que o garoto, embora com uma vida invejável, naquele momento, com a ausência do pai, está carregando o mundo nas costas, e segurando o mundo de seu irmão Noah de 13 anos, que está bastante confuso.

Os dois se aproximam, e claro, tratando de John Green muitas coisas irão rolar.




Assim que me dei de cara com esse livro sabia que ele seria diferente de alguma forma. Ao começar pela capa, com esse desenho de espiral, e o título que não diz nada com nada, deixa qualquer um curioso com o que nos aguarda ao mergulhar na leitura.
"Talvez você já tenha se apaixonado. Estou falando de amor de verdade, do tipo que minha avó descrevia recorrendo à Segunda Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, aquele amor gentil e paciente, que não tem inveja nem se enaltece, que tudo sofre, tudo crê e tudo suporta. Não sou de usar em vão a palavra que começa com A, dado que é um sentimento raro e precioso e que não deve ser banalizado."

Essa é minha quarta experiência com a escrita do autor e posso afirmar, que sim, o livro realmente é diferente do que John já escreveu.

Pra começar, podemos entender um pouco mais a fundo o sua cabeca e seus sentimentos, uma vez que John Green também sofre de TOC.


"Quando procuro o que eu sou, nunca encontro. Como as matrioskas, aquelas bonecas russas, sabe? As bonecas são ocas e, quando abrimos uma delas, tem outra boneca menor dentro, e assim por diante, todas ocas até a menor delas, que é sólida. Só que dentro de mim… acho que não existe a última. Só bonecas ocas, uma menor que a outra"

É daqueles livros que facilmente te levam a se imaginar na pele da personagem. Tentando controlar seu drama, vendo o quanto é excruciante ela ficar repetindo as mesmas coisas, como abrir a ferida no próprio dedo, limpa-la e novamente por o curativo. Acho que agora entendo o que John green queria retratar em Quem é você Alasca? Com a frase: Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados. 

Os primeiros dez capítulos foram super rápidos de serem lidos, isso se deve aos personagens bem construídos. Dayse realmente salvou o livro em alguns momentos, com sua personalidade forte. Davis foi interessante, não que eu tenha morrido de amores por ele, nem pelo casal. Mas cumpriu bem o seu papel.

"Eu pensei em quando ele me perguntou se eu já havia me apaixonado. Em inglês se usa uma expressão estranha, in love, que seria algo como estar “imerso no amor”, como se o amor fosse um mar em que mergulhamos, ou uma cidade em que moramos. Não se usa essa expressão para mais nenhum sentimento — não se está em uma amizade, ou em raiva, ou em esperança. Só é possível estar imerso no amor. Tive vontade de dizer a Davis que, embora eu nunca tivesse me apaixonado, nunca tivesse me sentido imersa no amor, sabia como era estar imersa em sentimentos; não só cercada, mas permeada por eles, da mesma forma que minha avó dizia que Deus estava em toda parte."

A leitura só se tornou um pouco cansativa para mim quando  tratava  das fanfics que Dayse escrevia de Star Wars, pois eu não conheço nada desse universo, e ficava perdida. Mas creio que pra quem conhece, seja muito legal.

O mistério emdo desaparecimento do pai de Davis em si, só é revalado no final, o que não é tão surpreendente, uma vez que não é o real foco do livro. Porém me deixou muito pensativa. O final da história, mexeu comigo de uma forma que não sei explicar. Pois ao longo da leitura não senti tanto apego aos protagonistas, mas ao terminar, senti que eles queriam dizer algo sobre minha própria vida. John green mexe com nossa consciência.




Posso dizer que é uma leitura rápida, que, sem dúvidas irá conquistar, quem gosta do autor ou até quem ainda não leu nada dele, é o livro ideal pra começar. Talvez não seja a melhor das leituras que fiz esse ano. Mas valeu muito a pena, por tratar de um tema tão complicado, e valorizar o amor de uma família e. das amizades certas.

"— Não, não é, Holmes. A gente escolhe os nossos finais e os nossos começos. Podemos escolher a moldura, sabe? A gente pode até não decidir o que aparece na foto, mas a moldura é a gente que decide" 


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9 comentários:

  1. Adorei a resenha! É um dos livros que agora quero ler haha
    Se puder dar uma olhada no blog tem post novo, beijos ❤ reinflamar.wordpress.com

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  2. Este sem sombra de dúvidas foi um livro que dividiu os leitores. Muitos amaram,outros odiaram.
    Não que eu não goste de John,mas sei lá, acho a maneira dele escrever meio arrastada, meio drama só.
    E tem coisas que a gente sabe que são desnecessárias.
    Ainda não tive a oportunidade de conferir este novo livro,mas farei isso em breve. Até pelo Toc!
    E oh, a capa é um horrorzinho.rs
    Beijo

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  3. BRena!
    Não sabia que o John Green tinha sido diagnosticado com TOC.
    Deve ser muito complicado sentir pensamentos intrusivos constantemente 'entrarem' na nosa mente e tornarem a vida bem complicada.
    Gostei de ver que além do mistério do desaparecimento, outros temas foram aborados, como a injustiça e questões existenciais.
    Uma pena que na parte escrita, destinada aos fanfics, a leitura fica um tanto monótona, mas ainda sim, é John Green e mesmo sendo o livro mais diferente dele claro que quero fazer essa leitura.
    Desejo Um ótimo final de semana e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Chega de velhas desculpas e velhas atitudes! Que o ano novo traga vida nova, como o rio que sai lavando e levando tudo por onde passa.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  4. Oi Brena!
    Esse livro já está nos meus desejados...Sou fã do autor e não vejo a hora de conhecer mais essa obra dle pelo que ando lendo tá bem bacana como as outras...
    Bjs!

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  5. Já li diversos livros do John Green, e acabei ficando curiosa para ler este livro quando vi ele entre os lançamentos, achei interessante a história ser sobre uma garota com TOC, que bom que os personagens são bem construídos, pela sua resenha este livro aparenta ser muito bom, pretendo ler Tartarugas até lá embaixo.

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  6. Li apenas "a culpa é das estrelas" mas amei a escrita do autor e me senti na pele dos personagens. Creio que esse livro vai ser igual. Gostei bastante dela fazer fanfic de star wars pois sou a loka da série e fiquei curiosa sobre o desaparecimento do pai, embora não seja o principal minha veio de detetive já saltou rsrsrs.

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  7. Esse livro tocou meu coração de uma forma tão profunda que nem sei explicar! A escrita do John é magnífica, mas dessa vez não foi usada de forma a te fazer debulhar em lágrimas, como ocorre em alguns livros dele, mas pra fazer com que possamos refletir sobre problemas que nem sempre são nossos, mas que nem por isso não precisamos compreendê-los. A ansiedade é um problema real e eu amei o quanto o autor trouxe isso pro leitor, de nos fazer refletir e pensar sobre tudo.

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  8. Oi Brena, li "A culpa é das estrelas" do autor e apesar de ter amado muito o filme, não engatei tanto no livro e fiquei um pouco receosa com as demais obras do autor. Ja vi algumas resenhas relatando a diferença deste livro pros demais e eu mesmo lendo a sua achei a história muito interessante. Eu amo star wars então ia adorar as referências kkkk Enfim se eu dar uma segunda chance pro autor com certeza iniciarei com "Tartarugas ate la embaixo" :)

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  9. Só cheguei a ler dois livros do John Green que foram cidades papéis e a culpa é das estrelas eu não tinha ficado muito empolgada quando eu vi que ele iria lançar mais um livro mas eu vi muitas críticas muito positivas em relação a essa obra dizendo até que era o melhor livro que ele tinha escrito até melhor do que a culpa é das estrelas então com certeza eu quero conferir ele até porque disseram também que esse livro é cheio de metáforas lindas

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