03 janeiro 2018

Resenha - A Queda

Título: A Queda
Autor: Michael Connelly
Cortesia: Cia das Letras / Suma de Letras
Skoob
Páginas: 312
Onde comprar: Saraiva Amazon

A três anos da aposentaria, a carreira do detetive Harry Bosch no Departamento de Polícia de Los Angeles está perto do fim. Numa manhã, ele recebe dois novos crimes para solucionar, junto com seu parceiro David Chu. No primeiro, uma prova de DNA, encontrada no pescoço de uma vítima de um crime cometido há vinte anos, indica que o criminoso era uma criança de apenas oito anos. As evidências levam Bosch a se perguntar se o caso apontaria para uma criança assassina ou se houve uma falha do laboratório de análises criminais.
O segundo crime investigado não é menos instigante: um delito que tem, certamente, caráter político. O filho do vereador Irvin Irving – um antigo inimigo de Bosch – pulou ou foi empurrado da janela de um hotel de luxo. O mais surpreendente é que foi o próprio Irving quem solicitou ao Departamento de Polícia que a investigação fosse conduzida por Bosch.
Em A queda, Michael Connely mantém a narrativa perspicaz e repleta de reviravoltas. Na trama, o detetive protagonista busca descobrir os indícios para solucionar os dois casos. Afinal, há três décadas, um assassino opera secretamente na cidade e uma conspiração política age no departamento de polícia corrompendo a instituição. 





"-Mas às vezes você precisa pegar o caminho errado para encontrar o caminho certo."

Harry Bosh está cada vez mais próximo de se aposentar, faltando apenas três anos para que isso ocorra ele está cada vez mais preocupado em como irá lidar com as finanças – e com sua filha adolescente - com a redução que sofrerá quando chegar a hora. No entanto, sem muito o que fazer quanto a isso e trabalhando ao lado de seu parceiro David Chu ele se encontra novamente em meio a mais uma, ou melhor seria dizer duas, investigação em sua divisão de Casos Abertos/Não resolvidos – onde eles são responsáveis por lidar com revisões de casos na esperança de resolvê-los agora que possuem mais tecnologia ao seu lado.

Recebendo um caso que ocorreu há vinte e dois anos, no ano de 1989, eles irão lidar com a história de Lily Price, uma garota que aos dezenove anos de idade foi vítima de estupro seguido de morte. E se já não bastasse o fato deles terem que tentar resolver algo do tipo depois de tanto tempo, o fato do DNA encontrado ser de um suspeito com ficha criminal não os ajuda em nada, muito pelo contrário, visto que na época ele possuiria apenas OITO anos de idade.  Então como seria possível ele ser o criminoso? Se vendo diante desse questionamento e das evidencias, Bosch passa a se questionar se eles estão a lidar com um caso onde uma criança já possuía tendência a ser um assassino desde cedo ou se algum erro foi cometido no laboratório... 

“- Harry, você me conhece, puxa vida. Por que está agindo desse jeito?
- Desse jeito como? Como se eu estivesse de saco cheio da intrusão política no meu caso? Vou dizer uma coisa, tenho outro caso em andamento – uma garota de dezenove anos estuprada e deixada morta nas pedras da Marina. Os caranguejos se alimentaram do cadáver dela. É engraçado, mas ninguém na câmara de vereadores me procurou por causa disso.”

Por outro lado, paralelamente a esse caso, Harry é convocado a investigar o até então suposto suicídio do filho de Irvin Irving – alguém com quem ele claramente tem uma inimizade mortal devido a uma richa de muitos anos e que atualmente é o vereador da cidade. Sem nenhum motivo aparente para suicídio, visto que George Thomas possuía uma importante carreira como advogado lobista, era muito bem casado e tinha um filho, esse caso parece não se encaixar... Será que ele realmente se suicidou ou há algo por trás? E porque justamente ele, Harry Bosh, foi solicitado para ser o detetive líder dessa investigação sabendo que Irvin o odeia? 

“Você disse uma vez que todo mundo importa ou que ninguém importa. Lembro disso. Agora é hora de por isso a prova. O filho do seu inimigo importa? Você vai se empenhar ao máximo por ele? Vai até o fim?”

Em meio a muitas investigações e reviravoltas, Harry Bosh irá se deparar com situações que pouco apresentam em comum, mas que se mostram completamente terríveis. Mas será ele capaz de descobrir a verdade por trás de ambos e ir até o fim? Só lendo para saber! 



[ - Minhas Impressões - ] 

Michael Connelly mais uma vez vem demonstrando todo o seu talento em uma obra que se mostra instigante desde o inicio com um gancho de deixar o leitor se corroendo de curiosidade para descobrir e com um toque de realidade que torna ainda tudo melhor. Sem economizar nas descrições, ele envolve o leitor em sua trama através de uma narrativa crua e repleta de detalhes. Surpreendo com sua desenvoltura, mais do que até com os desfechos propriamente dito, nos vemos arrebatados com uma história que não apenas apresenta suas conclusões, mas leva o leitor a pensar e refletir sobre o fim observado. Saindo do tradicional romance policial já tão comumente encontrado na literatura, nos vemos surpreendidos com uma obra que não deixa o suspense de lado, mas alcança outros patamares durante suas páginas. 


Harry Bosh para aqueles que já o conhecem continua sendo o protagonista com suas características peculiares e seu jeito de investigação própria capaz de enxergar coisas além daquilo que se apresenta na sua frente. No entanto, não sei se dessa vez eu que prestei mais atenção ou se foi mais explicito, sua forma de agir em alguns pontos me incomodou um pouco. Com anos de experiência sendo detetive é normal que ele se considere mais experiente do que muitos outros com quem convive, no entanto, seu constante senso de superioridade juntamente ao falta de respeito – e de certa forma até desprezo – pelos seus companheiros de trabalho e até mesmo pela lei foi algo que me incomodou durante a leitura. Mantendo aquela característica de frieza característica de quem está constantemente lidando com a morte, Bosh continua a ser aquele detetive durão e determinado a encontrar respostas a qualquer custo e convicto de que está certo – um pouco egocêntrico, mas justificável visto que ele realmente é um detetive de tirar o chapéu. Seu desenvolvimento segue padrões já observados e característico de Connelly: bem desenvolvido e com personalidade própria. Amando ou odiando, Harry é aquele típico personagem que chama a atenção com seu jeito de ser e suas reflexões sobre tudo, além de claro, suas descobertas.

David Chu, por outro lado, apesar de ser um personagem secundário não deixa de ter suas características e personalidade ressaltadas. Ainda que sua presença não seja tão marcante quanto à do protagonista, ele é alguém que se mostra interessante e presente em toda a obra. Já o Vereador Irvin é alguém que de cara reconhecemos como um típico politico e nos deixa com um pé atrás... Em síntese, os personagens secundários da obra não pecaram em desenvolvimento ao marcarem presença na trama de forma concisa e entrelaçada a ela. Sem ser forçado, a não ser no caso de um romance desnecessário no meio da história, essa é uma obra muito bem trabalhada em seus aspectos de forma a garantir uma construção concisa e que não deixa pontas soltas e nem se mostra exagerada. 


Outro ponto forte da escrita do autor é a forma como ele consegue trazer o realismo para sua narrativa de forma a ser mais do que um livro que segue incansavelmente uma linha de investigação ininterrupta e enfadonha. Mesmo demorando um pouco para fluir no inicio com a quantidade de informação acerca das duas investigações, essa é uma estória que se mostra interessante e instigante ainda que esteja longe de ser uma dos melhores do autor. Subaproveitando a trama de uma das investigações, Connelly acabou por criar um livro cujos alguns elementos se mostraram fracos e os desenrolares simplórios dando a impressão de que faltou estória para que ele pudesse prosseguir o que o levou a seguir o caminho mais fácil. Mesmo assim, essa não é uma história que merece ser descartada e se mostra muito importante principalmente ao tocar na questão da aposentadoria desse detetive – e convenhamos, depois de dezessete livros acho que é mais do que merecido

Quanto à edição o que falar dessa capa misterioso e bela que a Suma de Letras fez? Representando o detetive solitário sem exageros de detalhes e com cores que combinam harmonicamente, essa é uma obra que se mostra muito bela e não deixa a desejar visualmente. Mantendo os padrões das outras capas da série, essa é uma coleção que dá orgulho de ter na estante e que atrai olhares sem precisar de muito. Outro ponto positivo é sua diagramação que mesmo simples se mostra bem feita sendo acompanhada por páginas amareladas, capítulos de um tamanho ideal de forma a não se torna cansativo e uma fonte agradável para leitura. Sua revisão também se mostra bem feita, ainda que tenha alguns deslizes em alguns pontos, no entanto, de forma geral essa é mais uma obra cheia de primor e muito bem desenvolvida por aqueles que já apresentam uma tradição em fazer livros de qualidades.


A Queda é mais um livro de Michael Connelly onde o autor demonstra firmeza em sua escrita e um desenvolvimento interessante -  ainda que já tenha tido melhores em outras obras – apresentando um enredo crível e real acerca de temas que constantemente vemos por ai. Com reflexões profundas e lições importantes, somos levados a aprender mais sobre questões politicas e de interesses assim como o pior lado do ser humano.  Intenso e surpreendente, ainda que não dá forma geralmente esperada nas obras do gênero, essa é uma estória capaz de deixar o leitor perplexo e pasmo com o que é revelado. Mais do que um mero livro policial, essa é uma história sobre crime, paixões, dúvidas e ensinamentos... Leitura mais do que recomendada! 


Se Inscreva e Participe!!








9 comentários:

  1. Amo as letra do Connelly!!! Ele não só consegue realmente desenvolver um enredo inteiro, como também consegue dar aquelas reviravoltas danadas quando a gente já pensa que resolveu tudo.
    Não conhecia este livro do autor, mas já vai para a lista de desejados e espero mergulhar nesse mistério em breve!
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Bem Bruna!
    Pelo que entendi é um livro policial que dá continuidade a outros do autor, embora esse não tenha sido um dos melhores, embora a escrita seja boa e não torne o livro entediante e ainda traz curiosidade a quem lê.
    Gostei!
    Desejo Um Novo Ano repleto de realizações!!
    “O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova.”(G. K. Chesterton)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

    ResponderExcluir
  3. Oi Bruna!
    Preciso confessar que apesar de não ler mto o gênero há algum tempo este livro me chamou bastante atenção, começando por essa capa, tá linda,, o enredo me parece bom, tbm, eu vou anotar a dica, espero ler em breve.
    Bjs!!

    ResponderExcluir
  4. Amo livros policiais, sempre bate a curiosidade do próximo capítulo.
    Não tinha lido nada a respeito do autor ou até mesmo da série, mas já coloquei como desejada no skoob. Gostei bastante da história por enolver politica o que sempre nos deixa cheios de desconfianças. Com certeza vou ler.

    ResponderExcluir
  5. Gosto de livros com histórias de investigações então isto acabou contribuindo para que eu acabasse ficando curiosa para ler este livro. Que bom que o autor escreveu uma história em que o leitor fica curioso desde o início da história, adicionei este livro em minha lista de leituras.

    ResponderExcluir
  6. Oi Bruna!
    Como não conhecia o autor só o fato de ler a sinopse com duas investigações nesse porte, me peguei curiosa para saber os acontecimentos da história. Não é a primeira vez que me deparo com investigadores arrogantes em livros policiais, e apesar de irritarem as vezes, tenho que reconhecer que esse tipo de personagem sempre dá boas histórias.
    Além desse, vou procurar outros livros do Michael Connelly, achei o enredo que ele criou muito bom!
    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Oi Bruna!
    2017 foi o ano também de encontrar meu amor por romances policiais e lendo a resenha de "A Queda" ja estou colocando no quero ler do skoob pois este mistério que nos prende desde o início é o que eu mais gosto dentro do gênero. Uma trama bem elaborada que deixa o autor com fome de ler até o final do livro em um dia. Ótima indicação!

    ResponderExcluir
  8. Oi Bruna, então mana não vou dizer que vou ler esse livro por que é provável que eu não leia, tenho muita coisa atrasada mas posso dizer que eu achei bem legal o enredo apesar de não ser exatamente minha área de leitura, eu gostei de sua resenha e se um dia eu puder ler esse livro ok,as hoje ele não é minha prioridade.

    ResponderExcluir
  9. Também achei a escrita do autor muito interessante apesar de ter parado o livro no começo por motivos pessoais eu quero muito voltar a retomar essa leitura eu consegui ter toda a minha atenção voltada para o livro e até a parte que eu parei não tenho nenhum reclamações nem sobre a Trama nem em relação as personagens

    ResponderExcluir