02 janeiro 2018

Resenha - As Fúrias Invisíveis do Coração


Título: As Fúrias Invisíveis do Coração
Autor: John Boyne
Cortesia: Cia das Letras
Skoob / Goodreads
Páginas: 536
Onde comprar: Amazon


Cyril Avery não é um Avery de verdade ou, pelo menos, é o que seus pais adotivos lhe dizem. E ele nunca será. Mas se não é um Avery, então quem é ele? Nascido nos anos 1940, filho de uma jovem solteira expulsa de sua comunidade e criado por uma família rica irlandesa, Cyril passará a vida inteira à mercê da sorte e da coincidência, tentando descobrir de onde veio — e, ao longo de muitos anos, lutará para encontrar uma identidade, uma casa, um país e muito mais. Além das incertezas de sua origem, ele tem de enfrentar outro dilema: é gay numa sociedade que não admite sua orientação sexual. Autor do best-seller O menino do pijama listrado, John Boyne nos apresenta à sua maior empreitada literária até então, construindo uma saga arrebatadora sobre aceitar-se e ser aceito num mundo que pode ser cruelmente hostil. Uma leitura necessária para os dias de hoje, que reitera o poder do amor, da esperança e da tolerância.






Catherine Goggin é uma futura mãe solteira de dezesseis anos, expulsa do vilarejo onde nasceu no interior depois de ser humilhada na frente de todos pelo padre em 1945, quando a Igreja Católica influenciava não só toda a comunidade da pequena cidade, como toda a Irlanda. Sozinha, no trem em direção a Dublin, ela conhece Seán MacIntyre que também está a caminho de "tentar a sorte na cidade grande". Ele oferece que ela fique alguns dias com ele e seu amigo, Jack Smoot, até que consiga se estabilizar na cidade.

Catherine consegue um emprego de garçonete  na Dáil, mas ser uma mãe solteira na década de 40 era completamente inaceitável pelos "bons costumes" promovidos pela Igreja, o que nos leva ao "Grande Plano" que consiste em entregar seu filho para adoção logo após o nascimento. Pouco antes dele nascer, Catherine descobre que seus colegas de apartamento são, na verdade, amantes, razão pela qual um dia os três são atacados pelo pai de Seán, resultando na morte de Seán.

Filho de Catherine, Cyril Avery é adotado por Charles e Maude Avery, um casal rico que faz questão de lembrar a todo o momento que ele não é um Avery de verdade. Sendo praticamente invisível para a família, Cyril recebe uma criação peculiar, porém ele mesmo não a considera ruim. Quando há um escândalo envolvendo seu pai adotivo, Cyril conhece Julian Woodbead, o filho do advogado de seu pai, quem acabará por se tornar seu melhor amigo e seu amor platônico.


Em As Fúrias Invisíveis do Coração, vamos conhecer toda a trajetória de Cyril que se descobre homossexual em uma Irlanda que considera a homossexualidade crime, vivendo em uma realidade opressiva e sendo obrigado a esconder quem é de verdade. John Boyne retrata impecavelmente o que é viver recluso e com medo constante diante de uma sociedade intolerante, trazendo abertura para diversas outras críticas e com personagens extraordinários.



[ - Minhas Impressões - ]

Este livro é uma obra de arte que todos deveriam ler. É o primeiro contato que eu tenho com o elogiadíssimo John Boyne, e se são as primeiras impressões que ficam, ele tem minha eterna admiração. Pesado, com um toque sutil de humor, As Fúrias Invisíveis do Coração me fez rir, chorar, ficar preocupada, aliviada e algumas vezes até brava. É, além de tudo, um livro que é fiel ao seu propósito do início ao fim.

A narrativa me deu a sensação de estar lendo uma autobiografia, às vezes eu esquecia que Cyril Avery não existiu de verdade, mas nem tudo é ficção. Acho que o mais triste de tudo é pensar que toda a crueldade do século passado que é retratada no livro não é muito distante da nossa realidade aqui no Brasil mesmo com todos os avanços. Tenho certeza que muitos "Cyrils" existiram e ainda existem pelo mundo passando por coisas ainda piores do que o que nos é mostrado aqui. No entanto, eu fico feliz ao encontrar autores que se propõe a expor essa realidade sem filtros e contribuir para mudanças positivas.


Apesar de não ser uma história complexa em si, eu o consideraria um livro denso pela quantidade de questões abordadas nele, dá vontade de ler tudo de uma vez, mas eu precisei de um tempo para digerir algumas passagens. Em contrapartida, os capítulos são curtos e isso faz com que a leitura caminhe com um bom ritmo.

A história começa em 1945 e se estende até 2015. Neste período, além de conhecer a Irlanda entre os dois séculos, vamos ter um lampejo da Amsterdã e da Nova Iorque dos anos oitenta. Uma das coisas que mais gostei é como os caminhos dos personagens vão se cruzando ao longo da narrativa, trazendo várias reviravoltas. Cyril é aquele protagonista com qualidades e falhas que fazem dele real e apaixonante, uma história digna de ser contada. Para falar a verdade, acho que eu poderia passar horas falando sobre como e porque eu amei cada personagem, mas como isso renderia muitos spoilers para vocês, basta dizer que eu leria um livro de cada um deles.

As Fúrias Invisíveis do Coração foi uma das minhas últimas leituras do ano passado e uma das melhores do ano inteiro. Não é um livro que vai passar a mão na sua cabeça e dizer que vai ficar tudo bem, mas vai te deixar esperança e marcar sua vida para sempre.


Se Inscreva e Participe!!!



9 comentários:

  1. Me recordo bem de quando coloquei este livro na lista de desejados. A resenha foi como esta, arrebatadora.
    Tipo, o autor pegar tantos temas fortes, densos e transformar com certa leveza, história.
    Eu adoro esse juntar peças. Tipo, os personagens irem se cruzando como em um grande quebra cabeças.
    A capa também merece destaque!
    Lerei em breve, tenho certeza!
    beijo

    ResponderExcluir
  2. Luana!
    Já gostei porque mostra a ambientação na Irlanda, poucos livros são ambientados por lá.
    Ver que Cyrilatravessou parte do século passado e chegou até a atualidade e que o enredo poderia ser real, de alguém que conhecemos, acredita que nos aproxima da leitura.
    Nunca li nada do autor e bem queria ler esse livro.
    Desejo uma semana abençoada e Um Novo Ano repleto de realizações!!
    “O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova.”(G. K. Chesterton)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

    ResponderExcluir
  3. Adorei a escrita do autor, sem contar que sempre aborda temas atuais com histórias do passado. Achei a história bem interessante e diferente do que somos acostumados a ler sobre o tema. Não seria minha leitura do momento pelo fato de ser bem denso e nos levar a refletir, acho que precisamos estar com a mente bem aberta para ler uma história assim.

    ResponderExcluir
  4. Oi Luana!
    Nunca tinha ouvido flar do autor, primeira vez que leio algo sobre suas obras, gostaria mto de conhecer mais sobre...Vai pra listinha...
    bjs!!

    ResponderExcluir
  5. Eu não conhecia este autor, mas pela sua resenha este livro aparenta ser muito bom, pelo visto a história meche com os sentimentos do leitor, fazendo rir, chorar, realmente apesar de ser uma história retratada no século passado não esta muito distante da realidade, adicionei este livro em minha lista de leituras.

    ResponderExcluir
  6. Oi Lu! Só de saber que é um livro do John Boyne não posso esperar nada menos que um livro maravilhoso! Apesar de a capa não ter me chamado tanta atenção, como outras que já vi do mesmo autor, a sinopse me deixou bem curiosa! <3

    ResponderExcluir
  7. Olá Luana!
    Eu recomendo mesmo que leia mais livros do John Boyne, ele é incrível.
    Esse é um dos livros que está na minha lista de desejados, e eu já sabia que continha algumas características do autor, ele mistura a ficção com a realidade, na maioria das vezes é tão real que até nos confundimos. Acredito que o personagem Cyril deve ter elementos bem fortes, já tem uma história triste desde o nascimento, e os pais adotivos não ajudaram em nada pelo visto... Adoro narrações intercaladas entre passado e presente.
    Beijos

    ResponderExcluir
  8. Só pelo autor já sei que é um livro a se levar em consideração. O menino do pijama listrado acho maravilhoso. E os temas são muito difíceis de se explorar mas são extremamente importante a discussão. Na década de 40 e 50 ser gay como o Cyril. Até a própria historia da mãe dele também é algo a se compreender de como a vida dele foi dificil desde o nascimento e também como é complicado a vida de uma mãe solteira sem dinheiro, que se reflete até hoje. Além disso mostra pelo que eu entendi toda a vida dele, essa transição deve mostrar também a evolução das pessoas. Enfim achei ótima a história e resenha bem explorada que da aquela vontade de ler hoje mesmo o livro. Sinto que vou adorar! Parabéns pela resenha, e como sempre o autor não deixou a desejar!

    ResponderExcluir
  9. Confesso aqui que não fazia ideia da exitância desse livro, mas só a sinopse já me dizia que tem uma senhora trama e lendo a sua resenha da pra ver isso mas por mais que o livro tenha lhe conquistada eu não senti vontade de lê-lo, não faz o meu tipo de história e sei que no meio eu iria provavelmente deixar de lado, eu leio muitos livros de romance e fantasia raramente livros assim me atraem mas obrigada pela resenha.

    ResponderExcluir