08 novembro 2017

Resenha - A Guerra dos Mundos


Título: A Guerra dos Mundos
Autor: H. G. Wells
Cortesia: Editora Cia das Letras / Suma de Letras
Páginas: 296
Skoob
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Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior?
Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 , que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells.







Em A Guerra dos Mundos, um homem relata, desde o início, a invasão dos marcianos na Terra. A história se passa na década de 1890, o que torna os meios de comunicações bastante limitados, logo, as pessoas se informavam das notícias através de telegramas, jornais e cartas. Ou seja, até que todos fiquem sabendo do fato de que o primeiro cilindro caíra em Woking, leva um certo tempo. O narrador mora lá e vai até o local onde tal feito aconteceu e muitas pessoas vão se aglomerando, curiosas e ansiosas para descobrirem o que há dentro daquele objeto estranho. Seu amigo Ogilvy, um astrônomo que já observava Marte há um tempo devido ao aparecimento de clarões e estrelas cadentes, foi capaz associar imediatamente aquele cilindro como oriundo de Marte. E então as pessoas ficam esperando que alguns homens saiam de dentro do cilindro e expliquem sua chegada.

Quando, por fim, os marcianos saem do cilindro, nota-se que são criaturas repulsivas, possuindo camada de tecido de pele que pode ser comparada a ‘couro molhado’. Essas terríveis criaturas não só ignoram as tentativas de contato, como partem para o ataque de imediato, lançando um raio de calor que mata as pessoas instantaneamente – não havendo tempo nem mesmo para a vítima sentir dor. O narrador, por sorte, consegue escapar do genocídio, e mesmo enquanto corre de volta para casa, explicando para as pessoas que encontra no caminho o que aconteceu, acaba fazendo papel de bobo, pois a ideia de os marcianos estarem na Terra é inconcebível. E em pouco tempo, mais cilindros aterrissam e a missão das criaturas de aniquilar e devastar o novo planeta se torna algo extremamente real. O caos é instaurado completamente nos arredores de Londres. Os militares até tentam lutar contra aquelas máquinas bélicas com seus canhões, mas ou são derrotados pelo raio de calor ou sufocados pela fumaça preta.

“Um enigma devia dominar centenas daquelas mentes vigilantes, assim como dominava a minha – até que ponto eles nos conheciam? Sabiam que nós, aos milhões, éramos organizados, disciplinados, que trabalhávamos juntos? Ou interpretavam nossas explosões de tiros, o súbito ferrão de nossas granadas, nossas constantes investidas contra seu acampamento, como nós interpretamos o ataque furioso e unânime de uma colmeia de abelhas perturbada? Será que pretendiam nos exterminar?”

O narrador vai presenciando os ataques a todo momento, sempre se arriscando e se lançando à beira da morte. Por ser um homem que trabalha no meio científico, analisa os marcianos, suas armas, identifica seus propósitos, suas vantagens sobre nós, suas anatomias e formas de se comunicarem. Percebe um certo padrão e com isso, aprende como sobreviver.

Os personagens secundários são incríveis. Vemos neles principalmente as sequelas deixadas pela destruição dos marcianos, e como suas mentes podem ficar tão transtornadas que não são mais capazes de enxergar o mundo presente e nem aceitar o fato de que se trata de uma guerra perdida. E realmente, tem como ficar são quando você vê caos e morte por toda a parte, sem nenhuma possibilidade de salvamento? A fé e tudo aquilo em que as pessoas sempre acreditaram acabam sendo postos em jogo.



É raro eu acabar lendo alguma obra do gênero ficção científica. Para ser sincera, acredito que antes de A Guerra dos Mundos cair em minhas mãos, eu li somente um ou dois livros. Agora que finalizei a leitura, fico me perguntando o porquê de não ter me aventurado no gênero antes. Imaginava que se tratava de um tipo de leitura bem monótona e cheia de descrições científicas que acabariam me deixando sem entender nada. Como me enganei! Fico feliz por finalmente ter saído da minha zona de conforto, pois se não houvesse desfrutado tal ousadia, jamais teria me deslumbrado tanto com essa história. H. G. Wells descreve os marcianos de uma forma tão detalhada e vívida que me fez duvidar se eles realmente eram apenas frutos de sua grande imaginação. Durante toda a sua narrativa, ele me passou essa forte sensação de que aqueles seres omnipotentes e possuidores de tecnologias bem mais avançadas que as nossas, de fato, existiam. É tão fácil visualizá-los!

Antes mesmo de ler, eu já sabia um pouco do que esperar nas páginas pois havia assistido ao filme dirigido por Steven Spielberg, na época de seu lançamento. Minhas memórias da adaptação estavam bem comprometidas, o que me possibilitou surpreender-me com as reviravoltas da história mais uma vez. Aqueles que já assistiram, não se preocupem! Há sim algumas semelhanças, mas a diferença mais importante encontra-se na época em que se passa a invasão: década de 1890. Isso me fez visualizar a história e os personagens de um modo diferente em comparação ao filme, pois vários elementos presentes na ambientação da história remetem a um cenário distinto.

“Aqueles que foram poupados dos aspectos funestos e terríveis da vida poderão censurar minha brutalidade, meu acesso de ira nos momentos finais de nossa tragédia, pois sabem o que é errado, mas não do que é capaz um homem torturado. Mas aqueles que conhecem as sombras, que desceram até o elementar da existência, serão mais indulgentes.” 

É incrível como há essa mudança drástica na interpretação que o narrador faz dos marcianos desde o início da invasão até o final. No começo, os marcianos são vistos por ele como pobres criaturas indefesas, mas ao longo da narrativa ele percebe a dura verdade, de que são completamente indestrutíveis. Também achei interessante o fato de que quando o primeiro cilindro cai, ninguém faz nada a respeito, apenas fica ali ao redor do fosso esperando, ansiando pelo primeiro movimento deles. Não é de se esperar que as pessoas mais importantes seriam contatadas para averiguar o caso ou tomar alguma providência? O caos que se instaura nas cidades em que os marcianos passam é algo assustador de se visualizar. No início as pessoas ainda insistem em carregar consigo seus bens materiais, pois a inocência delas era tamanha que não tinham ideia de quão sério era a ameaça.

Achei interessante o fato de que no início esperam algum tipo de comunicação dos marcianos. As pessoas se surpreendem bastante quando percebem o desentusiasmo dos marcianos em relação ao ato de interagir com nós. Não ousaram nem mesmo tentar, enquanto os humanos persistiam constantemente, sem obter respostas. Se há algo que o autor enfatiza muito nessa obra, é a comparação do humano com animais inferiores. Nós somos para os marcianos como as formigas são para os humanos: completamente fracos, indefesos e inúteis. E foi por essa razão que partiram para o ataque imediatamente, pois para eles, somos extremamente ínfimos.


É algo horrível presenciar tantas mortes que causam aos humanos, mas aí me lembro que é exatamente o que fazemos todos os dias com os animais, com as tecnologias que possuímos para nos alimentarmos. Será que realmente somos tão diferentes dos marcianos? Essa foi uma reflexão que o livro me pregou e que até agora me pego pensando sobre o assunto. O que o autor teria dito ao ver que no mundo atual as indústrias exploram e são cruéis com os animais? Meu palpite é que ele não ficaria tão surpreso. Nota-se, então, que apesar de A Guerra dos Mundos figurar na lista dos clássicos, trata-se de uma obra muito atual. A crítica social presente na história é muito forte e permanecerá nos acompanhando durante bastante tempo.

O que dizer dessa edição tão cuidadosamente caprichada pela Suma de Letras? Posso afirmar, com toda a certeza, que A Guerra dos Mundos é o livro mais belo que possuo do acervo. É de capa dura, as letras da capa possuem um efeito de baixo-relevo e todo o trabalho com a revisão, espaçamento e fonte ficou perfeito. Além da história, o conteúdo extra é um presente maravilhoso para nós, leitores. Adorei as ilustrações do livro, pois além de contribuírem para o ritmo da história, são muito belas e imersivas. E foram realizadas por um brasileiro! Enfim, poderia dizer que recomendaria o livro para todos os fãs de ficção científica, mas decidi mudar meu discurso e dizer que todo leitor deveria conhecer essa obra, independentemente do gênero que estiver habituado. 


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7 comentários:

  1. Amanda!
    Fico bem feliz em ver que vai ler mais do gênero, porque realmente é ótimo.
    Apesar de amar ficção, não tive oportunidade de ler esse livro, mas assisti o filme e já vi que a adaptação tem grandes modificações, e daí a vontade de ler e também porque o autor é expert no assunto, né?
    “É prova de inteligência saber ocultar a nossa inteligência.” (François La Rochefoucauld)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  2. Namoro este livro já tem um bom tempo e agora posso entender os motivos. Vi a adaptação no cinema também tem um bom tempo, mas por tudo que acima, não chega nem perto do livro. Estes questionamentos sem respostas, o se colocar nas cenas é algo que somente os livros nos permitem.
    Não, não somos tão diferentes dos marcianos e afins, até acredito que sejamos ainda piores em muitos quesitos...
    Também não sou fã de ficção científica, sempre me perco nos enredos, mas quero muito poder ler este livro!
    Beijo

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  3. Não vi o filme, e nem sabia que havia um livro!
    Eu gostante de bastante de livros de ficção, pois adoro imaginar esse mundo todo diferente. Imagino que devem ter achado que ele era um louco por sair falando que havia visto marcianos e que o número de mortes foi realmente grande.
    A editora parece ter feito realmente um belo trabalho nessa edição.
    Gostei bastante de saber da existência do livro.

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  4. Olá Amanda ;)
    Li a resenha mas vi que não faz meu tipo de livro, apesar de ter achado uma narrativa bem diferente essa que o autor criou.
    Que bom que apesar de não ler tanto o gênero, se surpreendeu o livro e até o favoritou!
    Não vi ainda o filme do Spielberg acho, mas vou ver se assisto e depois analiso se me interessa ler Guerra dos Mundos.
    E que legal essa edição com ilustrações da Suma de Letras, adorei as fotos!
    Enfim, adorei saber que você se surpreendeu com a leitura e até que me deixou animada para sair da minha zona de conforto haha
    Bjos

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  5. Olá Amanda!
    Adorei a resenha, já li mtas resenhas da obra, mas a sua ... Tá mto boa, parabéns, gostei mto!
    Eu não li o livro ainda, mas pretendo qdo surgir uma oportunidade, ainda mais dpois de ter visto o filme, gostei mto, espero que o livro seja tão bom qto...
    Bjs!!

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  6. Oiii, gostei da resenha, mais acho qu o livro vai fica pra uma outra oportunidade, eu gostei do filme, mais não sei se seria uma litura que eu gostaria.

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  7. Sou apaixonada pelo livro e fiquei bem frustrada com a adaptação que fizeram com o Tom Cruise no elenco. Nao curti e nem curtirei. Acho lindo a diagramação desse livro e o fato de ter capa dura faz eu amar ainda mais o livro.

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