16 maio 2018

Resenha - Um Vento À Porta #2

Título: Um Vento À Porta #2
Autora: Madaleine L'Engle
Editora: HarperCollins
Páginas: 224
Skoob
Onde comprar: Amazon / Saraiva

Charles Wallace está em perigo. E o mundo todo também. Quando a família Murry pensava que os problemas haviam terminado, um novo desafio surge. Charles Wallace agora tem seis anos de idade e na escola o menino se tornou um problema. Sofrendo bullying constante, Meg acha que o novo diretor da escola deveria ser responsável pelo menino, mas Charles Wallace fica terrivelmente doente antes que ela possa ajudá-lo. Mas há algo estranho acontecendo. Charles Wallace diz a Meg que há dragões no quintal de casa e ela descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, querubins feitos de asas, vento e chamas. E mais uma vez este é só o começo de uma nova aventura, onde Meg e seu amigo Calvin precisam correr contra o tempo para salvar seu irmãozinho. E, para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e lutar para restaurar a brilhante harmonia do universo. Junte-se a Meg, Calvin e Charles Wallace nesta nova aventura repleta de seres incomuns, mundos novos e muitos heróis que precisam ultrapassar seus medos para salvar o mundo!



Se você ainda não teve a oportunidade de ler a resenha do primeiro volume, Uma Dobra no Tempo, confira a resenha aqui 



Madaleine L’Engle foi uma autora além do seu tempo. Talvez, ela seja muito além da nossa reles percepção de mundo. Afinal de contas, qual a nossa importância no universo?

Em Um Vento À Porta, Meg precisará criar coragem para enfrentar o inimigo e salvar a vida de seu irmão caçula. 

Um ano após a primeira aventura intergalática, Charles Wallace tem passado por grandes problemas. Na escola, ele vem sofrendo bullying dos garotos mais velhos, tornando-se motivo de chacotas e, por diversas vezes, sofrendo agressões físicas. Precisamos recordar que Um Vento À Porta foi escrito em 1970 e publicado em 1973. É provável que as novas gerações não tenham conhecimento de que até meados dos anos de 1990, o termo bullying nem ao menos existia. Pais diziam aos seus filhos que eles deveriam enfrentar a situação ou simplesmente ignorar o causador das “brincadeiras” ofensivas. Com o personagem Charles Wallace a situação não difere. Seus genitores afirmam que o garotinho precisa adaptar-se ao seu novo meio para que as crueldades acabem. 

Entretanto, diferente de sua família, Meg Murry sente que precisa proteger seu irmão contra seus agressores. Certo dia, ela decide ter uma conversa franca com o Sr. Jenkins, seu ex-diretor escolar, o mesmo que, por diversas vezes, teve as piores conversas em seu gabinete. O homem, uma pessoa completamente infeliz com a própria vida, não da ouvidos à Meg, dizendo que o melhor é seu irmãozinho aprender a conviver com as outras crianças. 

Todavia, os problemas de Charles Wallace vão além das gozações de seus companheiros de escola. Atualmente, o menino apresenta um quadro bastante preocupante. Sempre muito pálido, sua respiração encontra-se  debilitada, transformando suas curtas caminhadas em grandes esforços físicos. A Mãe passa seus dias no laboratório, procurando respostas para a doença do filho. Ao mesmo tempo, a Sra. Murry conta com a ajuda de Louise, uma médica muito carinhosa e preocupada com a saúde do pequeno gênio. Contudo, o Pai mais uma vez encontra-se ausente, trabalhando em Brookhaven, para o governo Norteamericano. 

É com a chegada fantástica de uma revoada de dragões que o mundo de Madalene L’ Engle se expande. 

Margaret encontra um amigo mágico, um querubim, que traz a resposta para salvar Charles Wallace. O universo novamente corre perigo. Os Ectroi, criaturas obscuras que almejam transformar as galáxias em lugares vazios, pretendem destruir com a vida de qualquer ser vivo, mesmo que este seja um garoto de 6 anos de idade. 

Meg, ao lado de Calvin, passará por testes para retomar o equilíbrio de sua vida em família, assim como a vida no universo. 



[ - Minhas Impressões - ]

Diferente do primeiro livro, Um Vento À Porta é repleto de metáforas. Os diálogos, apesar de diretos, escondem significados profundos, que tocam diretamente o leitor. As ações dos personagens são bastante claras, mas por se tratar de uma obra repleta de mensagens escondidas, talvez crianças mais novas, o público alvo, não enxergue além daquilo apresentado. Contudo, se você, assim como eu, já possui uma certa bagagem de vida, as mensagens te tocarão com bastante sensibilidade. 

Desta vez notamos um certo amadurecimento dos personagens infantis. Calvin, ainda muito doce, se mostra mais corajoso. Sua presença constante o coloca como pilar principal para o desenvolvimento de Meg. Já a pré-adolescente, apesar de ainda muito insegura em suas ações, decide encarar as novas afrontas, dando oportunidades até àqueles que jamais cogitou se unir. Já Charles Wallace, perdeu aquele ar arrogante, aprendendo que o fato de ser inteligente não o classifica como alguém especial. O carisma é algo que se adquire ao lado das pessoas, em roda de amigos.

Madeleine soube levantar uma questão muito importante e, ao mesmo tempo, bastante atual. Em um determinado ponto do enredo nós compreendemos o que acontece com Charles Wallace, assim como, relacionamos sua doença com os problemas científicos constatados pela Mãe e o Pai. Todavia, o que vale e precisa ser ressaltado, é o fato de o mundo nos contar mentiras, o tempo todo. Calma, vou explicar. Quantos de nós, enquanto crescíamos, ouvimos histórias sobre a dificuldade de ser adulto, ou como crescer é repleto de infortúnios? Quantos, aos 18 anos, nos enganamos com essa ideia boba de que a diversão acaba ao nos tornarmos maiores de idade? Ouvimos, em alguns casos, frases tolas como: "Quando você for adulto, certamente irá entender.", ou pior: "Quando você tiver a minha idade, certamente pensará como eu..." L'Engle foi brilhante ao nos colocar diante desse empasse: Por que crescer? Por que ganhar responsabilidade? Bem, eu posso afirmar que crescer é muito mais do que nos consolidarmos em sociedade. É sermos capazes de transcender as linhas do inimaginável e corrermos atrás daquilo que realmente desejamos. Ser adulto acarreta em inúmeras tarefas, mas também nos presenteia com a sensação de liberdade, afinal de contas, o mundo é o nosso quintal e nele podemos fazer absolutamente tudo.

Mais uma vez a HarperCollins arrasou no projeto gráfico. Livro em capa dura, a imagem nos transporta a um universo vivaz e estrelado. A diagramação é extremamente confortável e, apesar dos capítulos longos, a narrativa flui com muita rapidez e facilidade.

Se você se encantou com Uma Dobra No Tempo, certamente Um Vento A Porta te fará se apaixonar por este enredo eletrizante. 

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9 comentários:

  1. Oi Bella!
    Eu sou apaixonada e doida para ter os livros desse autor, .Se tem uma coisa que faz eu querer adquirir um livro primeiramente é a capa e os livros desse autor as capas são maravilhosos.

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  2. Oi Bella,
    Que linda essa capa, gostei muito. Essas histórias em que a família apesar dos problemas precisa se unir para resolver são muito interessantes. Ponto positivo para o amadurecimento dos personagens, e também para esclarecer as coisas que os jovens ouvem todo tempo...
    Realmente capítulos longos são cansativos, mas pelo jeito essa aventura pode ser lida bem rápido.

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  3. Sou maluca para ter e ler os dois livros(e acredito que o terceiro volume deve estar chegando). São lindos lindos tanto esteticamente,quanto na parte do enredo.
    Amo histórias assim, leves, repletas de sentimentos e com famílias, sendo a base central.
    Ainda mais quando isso é com crianças tão novas!
    Espero ler ambos em breve.
    Beijo

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  4. Olá Bella
    Visualmente falando, o livro é maravilhoso. Já o enredo me deixa na duvida, se realmente vai ser uma leitura interessante para mim, acredito que talvez seja, porque o gênero não é um dos meus preferidos...

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    1. Alice, um dos pontos que realmente me fez gostar da série foi o fato dele ter sido escrito em uma época na qual as mulheres ainda não tinham a liberdade de escolhas. A autora foi rejeitada por várias editoras porque alegavam que esse enredo não soava aceitável, que ele era diferente delais, coisa que atualmente ele é até muito simples porto do que encontramos.
      Outro ponto que muito me agrada é a leveza com que a narrativa é apresentada. Você se sente bem com a leitura e nem vê o tempo passar.

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  5. Quero tanto ler esses livros. Claro que a narrativa de um livro escrito 1970 será diferente do que vivemos hoje e eu adoro descobrir tudo isso. Li muitos elogios a Uma dobra no tempo e pelo jeito Um vento à porta não vai me decepcionar. É muito importante como a autora trabalhou a questão dos abusos na escola, só em imaginar que parece que nada mudou. Apesar do nome que ganhou continua existindo. A edição tá mesmo linda.

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  6. Olá! Confesso que ainda não li Uma dobra no tempo, mas estou de olho nele já faz um tempinho, gostei muito do enredo e esse segundo livro me deixou ainda mais empolgada para iniciar o mais rápido possível a leitura. É impressionante como apesar de ter sido escrito há tanto tempo retrate fatos que passamos até hoje. Eu realmente ouvi muito que quando chegasse à maioridade entenderia melhor algumas coisas. Acho que ao passo que “se tornar adulto” te traz mais responsabilidade, junto trás também outras sensações como independência.

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  7. Oi, Bella!
    Quando li a sinopse de Um vento à porta fiquei meio que boiando rsrs, então fui correndo ler sua resenha de Uma dobra no tempo pois não sei nada sobre essa série; só então pude entender um pouco do universo que a Madalene L' Engie criou...
    Confesso que não costumo ler ficção científica, prefiro assistir algo do gênero do que ler, mas fiquei bastante interessada em conhecer mais de Um vento à porta... Bom saber que os personagens infantis amadureceram nesse segundo livro pois prefiro personagens mais maduros... Ah, quanto mais você fala sobre o Cavin - sobre sua doçura e coragem - mais quero conhecê-lo, tenho certeza que também irei amá-lo! ❤
    Acho essa insegurança da Meg algo bastante negativo - gosto de personagens fortes e seguros de si... - mas dá pra relevar afinal ela é uma pré-adolescente...
    Enfim, já anotei Um vento à porta - assim como Uma dobra no tempo - na minha lista de leitura e não vejo a hora de lê-los. Valeu pela dica. Abraços!

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  8. Bella!
    Gosto muito de livros com metáforas, cheias de significados profundos que tocam o leitor. Já é um ponto positivo.
    Bom saber que as personagens infantis conseguem atingir um amadurecimento nesse exemplar.
    Temas delicados e muito bem abordados é o mais importante em um enredo.
    Maravilhosa semana!
    “Gosto de ouvir. Aprendi muita coisa por ouvir cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca ouve. “(Ernest Hemingway)
    cheirinhos
    Rudy

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