21 dezembro 2017

Resenha - Antes da Queda

Título: Antes da Queda
Autor: Noah Hawley
Editora: Intrínseca
Páginas: 368
Skoob
Onde comprar: Amazon/Saraiva

Em uma noite quente e nebulosa, onze passageiros decolam em um jatinho particular da ilha de Martha's Vineyard em direção a Nova York. Porém, dezoito minutos depois, o imponderável acontece: a aeronave despenca no oceano. Os únicos sobreviventes são Scott Burroughs, um pintor desconhecido e fracassado, e J.J., um menino de quatro anos, filho de um magnata milionário do ramo das telecomunicações.
A riqueza e o poder de parte dos passageiros despertam as teorias mais variadas sobre a queda: tantas pessoas influentes teriam morrido em um acidente por mero acaso? Ou teria sido vingança, terrorismo, queima de arquivo? Com capítulos alternando entre os acontecimentos subsequentes à queda e o passado dos passageiros e integrantes da tripulação, o mistério que cerca a tragédia se torna cada vez maior. Enquanto a trama dos personagens se desenrolam, estranhas coincidências apontam para uma conspiração.
Neste suspense eletrizante, Noah Hawley expõe a perversa relação entre jornalismo e entretenimento, o culto às celebridades e o lado obscuro da fama, além de refletir sobre a natureza da arte e a aleatoriedade do destino.




                         
O dia de cada um dos personagens que compõem a trama desse livro incrível começa como mais um dia normal e rotineiro, mas ao final desse mesmo dia nem todos estarão vivos pra contar suas histórias.

Em uma noite quente, porém agradável  de Massachusetts, Estados Unidos um grupo de onze pessoas se reúne para viajar em um jatinho particular que pertence ao poderoso magnata das telecomunicações David Bateman, e são eles: o próprio David Bateman, sua esposa, Maggie, a filha mais velha de nove anos, Rachel e o caçula J.J. de apenas quatro anos, os amigos Ben e Sarah Kipling, a pequena tripulação composta por três pessoas: o piloto, James Melody, o copiloto, Charlie Busch e a comissária de bordo, Emma Lightner, o segurança da família Bateman, Gil e por último o pintor Scott Burroughs, amigo recente de Maggie. Não era para Scott estar neste avião, mas após receber o convite feito por Maggie para voar com o grupo ele decide aceitar, e mal sabe o que está prestes a acontecer que mudará sua vida irremediavelmente e para sempre.

"O avião balança quando o último passageiro sobe a escada. Sem querer, Maggie se sente ruborizar, um frio de ansiedade na barriga. E lá está ele, Scott Burroughs, quarenta e poucos anos, o rosto vermelho e sem fôlego. Tem o cabelo desgrenhado e um pouco grisalho, mas a pele de seu rosto é lisa. Há manchas de guache cor de gelo e azul-celeste em seus velhos Keds brancos. Traz uma bolsa de ginástica verde suja pendurada em um dos ombros. Seu rosto ainda tem o vigor da juventude, mas as rugas em torno dos olhos são profundas e merecidas."

Tudo está correndo bem na viagem, porém dezoito minutos após o avião decolar o pior acontece quando o jatinho vai em direção ao mar e se choca nas águas frias, escuras e profundas do oceano. Somente duas pessoas sobrevivem, Scott e o pequeno J.J., mas para tentar salvar o menino e a si mesmo Scott terá que lidar com os muitos perigos que o mar apresenta, desde ondas gigantes, até tubarões e o cansaço da árdua tarefa de nadar para salvar sua própria vida e a vida de um ser inocente e totalmente dependente dele para sobreviver.

"Ele emerge da água, gritando. É noite. A água salgada faz seus olhos arderem. O calor queima seus pulmões. Não há lua, só um luar diluído através da névoa espessa, ondas se revirando em um azul-escuro à sua frente. À sua volta, chamas alaranjadas sombrias lambem a espuma.
A água está pegando fogo, pensa ele, afastando-se instintivamente.
Então, depois de um segundo de choque e confusão:
O avião caiu."

Após o choque da queda, a luta por se manter a tona e mais a preocupação em salvar  J.J., e a si mesmo de todos os perigos e dificuldades que encontra pelo caminho, eis que enfim eles conseguem sair do mar e qual não é a surpresa de Scott ao perceber por uma placa em uma barraca próxima que ele nadou levando J.J. consigo até Nova York. Eles recebem a ajuda de um pescador muito assustado, que os leva para o hospital e chegando lá eles recebem tratamento de uma equipe médica completamente surpresa e incrédula por eles terem sobrevivido, ainda mais por Scott ter nadado todo o percurso com o ombro ferido e levando uma criança junto.
O desespero e o trauma do acidente faz com que J.J. se apegue desesperadamente a Scott e quando os médicos vão cuidar dele o menino se desespera, pois teme ser separado do único rosto amigo, em meio ao mar de rostos desconhecidos com os quais ele se depara.

"- Não! - grita o garoto.
Ele berra, se debate. Um médico conversa com ele, tentando fazer o menino entender que vão tomar conta dele, que nada de mal vai lhe acontecer. Não importa. Scott se esforça para se sentar.
- Garoto - chama, cada vez mais alto, até o menino olhar para ele. - Está tudo bem. Estou aqui."

O mundo das telecomunicações está em polvorosa com o terrível acidente e morte dos passageiros e da tripulação, e as especulações começam a surgir com uma força desenfreada: será que foi um acidente? Assassinato? Queima de arquivo? Ataque terrorista? E as desconfianças acabam recaindo sobre Scott. Já que além da criança, ele foi o único ocupante adulto do voo que sobreviveu a queda.

Mas quais seriam os supostos "motivos" que levariam Scott a querer que o avião caísse?  E como ele teria a plena certeza de que sobreviveria?
As perguntas são muitas e as suspeitas também, e somente Scott têm as respostas, pois ele é uma testemunha ocular de tudo o que aconteceu antes, durante e depois da queda. E ele terá que lidar com sua memória, que insiste em não se lembrar com exatidão de tudo o que aconteceu durante os dezoito minutos em que ele esteve dentro do avião. E ainda por cima terá que lidar com Bill que é amigo de David Bateman e um entrevistador que só dá atenção à audiência, e que insiste em culpá-lo pelo ocorrido.

"Bill olha para ele e ergue as sobrancelhas, uma expressão de triunfo.
  Scott o encara.
 - Você... Como você...?
Bill ergue o indicador.  Espere só."

Todas as lembranças de Scott sobre aquela noite fatídica estão fragmentadas e envoltas por uma espessa neblina, e ele não consegue ou não quer se lembrar de nada sobre o que de fato aconteceu e que ocasionou o acidente que matou nove pessoas, restando somente duas pessoas vivas. Uma criança que não pode contribuir com nada que venha esclarecer e trazer luz para a grande pergunta: o que aconteceu no avião antes da queda?



[ - Minhas impressões - ]


Como já deixei bem claro em resenhas anteriores o fato de que sou uma grande apreciadora de livros de suspense, e que esse gênero muito me atrai eis que me deparo com essa história surpreendente e cativante. Eu o li não por alguma indicação que tenha recebido, e sim pelo fato de que ao ver a capa eu tenha sido fisgada instantaneamente, pois a achei meio sombria e um tanto quanto triste. E ao ler a sinopse bastou para que eu ficasse extremamente curiosa para saber quem ou o que causou o acidente que matou praticamente todos os passageiros a bordo, mais a tripulação, escapando com vida somente duas pessoas, sendo uma dessas pessoas uma criança de quatro anos apenas.

A escrita do autor é magnífica, e prendeu minha atenção no instante em que comecei a ler. Ele realmente é muito talentoso e soube abordar com maestria os vários sentimentos que habitam o interior de cada ser humano. Foi maravilhoso poder acompanhar o desenrolar de cada personagem, e os duelos travados interiormente dentro de cada um.

Em todo o livro foi sendo apresentado um por um dos personagens e como todos eles se encaixaram na história. E eu pude saber mais a respeito de cada um no seu dia a dia, seus conflitos, medos, dúvidas, receios e pavores. Foi impressionante o jeito como o autor fez para criar uma história que se passa em um dia normal como outro qualquer, mas que acaba unindo um  a um o destino deles, traçando e interligando suas vidas umas nas outras, culminado com a presença de todos no voo, que para a maioria dos que ali estavam seria o último de suas vidas.


Senti uma simpatia genuína pelos personagens do Scott e J.J., e muitas vezes me questionei se o Scott de fato era o responsável pela queda do avião. E minhas dúvidas só foram sanadas no final do livro, e que final, devo dizer. Foi simplesmente arrepiante ler como e porque aconteceu a queda! Posso dizer que não foi o final que eu esperava, mas nem por isso foi menos eletrizante e chocante enfim saber o motivo que levou a queda do jatinho.

Para mim esse livro foi um daqueles que não acabou quando eu terminei de ler, pois fiquei relembrando a história e me questionando até que ponto pode chegar um ser humano para conseguir o que deseja. E por mais que eu tenha me feito essa pergunta nem de longe consegui chegar a uma resposta que me tenha satisfeito, pois como bem diz a minha mãe: o coração dos outros é terra que ninguém pisa. Eu sei que pode parecer meio sem nexo o que eu escrevi, mas tem tudo a ver com o livro e principalmente com o motivo que levou à queda do avião. Se você ficou um tantinho só curioso pra saber mais sobre o livro e porque eu citei essa frase, em especial, eu te convido a ler "Antes da queda" e tirar suas próprias conclusões.

Eu aprecio demais os livros que me fazem refletir, pois não os encaro como um mero passatempo apenas e sim como algo que me ajuda a ser mais sensível a tudo e a todos que estão ao meu redor. Os livros têm esse poder. Eles são pura magia.

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7 comentários:

  1. Oi, Kaline! Também adoro livros que me levem à reflexão. Às vezes é até uma experiência um tanto quanto dolorosa porque a gente se pega pensando em coisas que não imaginávamos, que não concordamos, entramos em conflito... mas acredito que no final o saldo sempre é positivo. Achei interessante que um livro de suspense tenha te provocado isso e fiquei curiosa para conhecer a história também. Parece que o mistério do livro foi bem resolvido e os personagens bem construídos, então já me cativou. Dica anotada.
    Beijos.

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  2. Preciso reler este livro, fato!
    Li a obra tem pouco tempo e confesso que não consegui me prender aos personagens e a história. Até a queda de fato, eu estava ali, firme e atenta a cada detalhe, mas depois tudo foi se arrastando e eu só terminei o livro porque não consigo deixar nada pela metade.
    Mesmo com isso de ter me apegado também aos personagens, não sei, para mim, faltou algo.
    Sei que o livro está sendo super bem indicado e positivamente resenhado, talvez não tenha sido o momento para eu ler!
    Beijo

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  3. Olá Kaline, tudo bem?
    Muito legal ler resenhas de livros que ainda não conhecíamos, isso aumenta nossa listinha de desejados!
    Eu na verdade também amo suspenses, e este mostra como uma situação rotineira pode mudar em um fechar de olhos.
    Muito interessante o fato de o autor mostrar os personagens um a um, é uma forma de conhecê-los melhor e ajuda também a conhecermos o passado e os místérios de cada pessoa.
    Uma pena o final não ser assim tão surpreendente, como quando você já sabia o que havia causado a queda do avião, mas acredito que não deva atrapalhar nosso interesse e reflexões que vem após a leitura. Concordo que com certeza os livros não são meros passatempos, e sim portas para refletirmos.

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  4. Eu adorei a preguiça desse livro Por que me lembrou um que se chama na ilha também publicado pela intrínseca Super ansiosa em começar a ler

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  5. Kaline!
    A maior verdade é essa: coração é terra que ninguém anda e não sabemos o que leva as pesoas a determinadas atitudes vis para conseguirem o que querem.
    Não li o livro, mas fiquei com a maior vontade, primeiro por ver que temos um enunciado sobre cada personagem, até se encontrarem no voo e depois por ficar bem curiosa por saber o que aconteceu e porque o avião caiu...
    Gosto também de livvros que nos fazem refletir, principalmente sobre as motivações humanas.
    “Celebrar o Natal é crer na força do amor, é isto que transforma o homem e o mundo. Feliz Natal!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  6. Olá Kaline ;)
    Eu gosto quando um livro aborda esse tema em que há um acidente, e alguém sobrevive. Os livros que já li parecidos, gostei bastante! Não conhecia Antes da Queda ainda, mas que bom saber que você gostou e deu 5 estrelas.
    Também adoro livros de suspense, e fiquei bem curiosa para saber se o Scott teve algo haver com o acidente, e só lendo para descobrir haha
    Que legal também saber que você gostou da escrita do autor, não conhecia ele ainda. Obrigada pela indicação ;)
    Bjos

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  7. Eu também sou louca por suspenses e amei essa resenha, eu ia adorar ler este livro! Já vai para a lista de 2018 com ctz!
    Recentemente li um livro chamado O Casamento, e achei o suspense o máximo! Pois de vez em quando eu desconfiava até dos "mocinhos" e acho muito legal quando é assim... As vezes a gente se apega ao personagem que, de fato, é o criminoso rsrs

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