29 abril 2016

Resenha - O Príncipe




Obra-Prima que inaugurou a ciência política, este clássico da filosofia moderna chega numa nova edição que contém não só os comentários de Napoleão I, mas também os da rainha Cristina da Suécia, mulher à frente do seu tempo, protetora das artes e amiga de pensadores como Descartes.Segundo o filósofo Leo Strauss, "Maquiavel é o único pensador político cujo nome foi adotado pelo uso comum para designar um tipo de política guiada exclusivamente por considerações de conveniência, que lança mão de quaisquer meios, limpos ou sujos, ferro ou veneno, para atingir os seus objetivos".Carlos Lacerda, político brasileiro que como ninguém fez uso das lições extraídas de "O Príncipe", escreveu o seguinte sobre o seu autor: "Há quatrocentos anos, mais ou menos ele é vítima de um mal-entendido. Estadista sem Estado, patriota sem pátria, ele viu uma realidade e a descreveu. Confundiram a sua descrição com a sua intenção. Tomaram como receita sua, para o governo dos povos, o que era súmula realista de preceitos para habilitar o governante a realizar o que, este sim, foi o ideal desse funcionário florentino: a unificação da Itália, a formação do Estado moderno, baseado na soberania do povo".


Livro: O príncipe
224 páginas || Skoob || Cortesia: Geração Editorial || OndeComprar ||









Acho que é importante começar essa resenha dizendo que se trata de um clássico que em nada trata de uma estória, Maquiavel ficou conhecido por seus textos de caráter político e prescritivos, então não farei uma resenha como a que vocês costumam ver por aqui, será um diferente igual e espero que vocês gostem de saber um pouquinho mais sobre esse clássico.

Nascido em 1469, na Itália, Maquiavel desde os 29 anos teve uma vida política ativa e deste modo sempre pôde falar com propriedade sobre o assunto e O príncipe nada mais é, de uma maneira bem singela de falar, que um manual para se chegar ao poder e se manter nele com a ilustre frase "O fim justifica os meios".

Ao longo do livro vemos ele divagar e exemplificar situações nas quais um governante pode se encontrar e o que deve ser feito para tal, ele explica a caminhada até se conquistar o poder de uma nação, o respeito de um povo e o temor de seus inimigos, mas também ilustra as dificuldades administrativas pelas quais o soberano pode vir a passar e sobre as duras decisões que devem ser tomadas para que o trono não lhe seja usurpado.

"... é necessário saber bem disfarçar esta qualidade e ser grande simulador e dissimulador: tão simples são os homens e de tal forma cedem às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar."
"... possuindo-as e usando-as sempre, elas são danosas, enquanto que, aparentando possuí-las, são úteis; por exemplo: parecer piedoso, fiel, humano, íntegro, religioso, e sê-lo realmente, mas estar com o espírito preparado e disposto de modo que, precisando não sê-lo, possas e saibas tornar-te o contrário..."

Fala ainda sobre uma parte importante não só de governante de uma nação, mas da humanidade em geral, temos que saber nos colocar em nossos lugares sociais e saber que isso não nos torna uma "falsiane", você não age da mesma maneira com seus amigos como age com seus pais, você não apresenta um discurso falando gírias, você não trabalha falando com seus subordinados como se fossem colegas de escola.


São ações e situações diferente e você deve saber disso, um governante precisa saber disso, ele deve saber que hora tem que ser humanista e que horas deve ser frio, cru e racional, ou então seu país caíra por terra. Sempre que paro para pensar sobre isso me pego refletindo do peso que eles carregam, são dezenas de milhares, centenas às vezes, de vidas que dependem de você, o governante não pensa sozinho, ele pensa em nome de todos, ele sacrifica uma pequena parte em prol de todos os outros, é complicado governar, é complicado estar no poder, tudo recaí em seu nome.

E dado o momento político atual que estamos vivendo acho isso muito significativo, e não falo somente em relação ao Brasil com o impeachment , mas cito também os EUA com suas eleições e Trump subindo, acho tudo isso muito válido e me faz ficar um pouco preocupada.

O mundo mudou, Maquiavel escreveu sua obra no século XV e tenho certeza que apesar dele ter presenciado guerras horrendas, e digo isso pelas situações citadas no decorrer dos 26 capítulos, mas ele nunca sequer previu o raio de alcance das Grandes Guerras Mundiais e nem imaginou algo parecido com o poder de fogo que temos atualmente, e sinceramente, odeio pensar nisso, odeio pensar que apesar de tão evoluídos os seres humanos parecem mais bárbaro do que nunca e isso me faz temer as escolhas presidenciais, afinal são eles que podem levar o mundo para guerra ou manter a paz o máximo possível.


Não sei, talvez esteja divagando e esteja um pouco revoltada com o governo, mas outra coisa que me incomoda muito é a escolha alarmante do que eu quero, ao invés do que o país precisa, em seu manual Maquiavel deixa isso muito claro, um governante não tem espaço para isso. Eu poderia continuar tecendo e tecendo palavras sobre o livro, mas seria redundante e estragaria o prazer de se ler, mas se você gosta de política, A arte da guerra e clássicos aqui tem e eu recomendo, e não só por isso, mas também por ser uma edição comentada por Napoleão Bonaparte.

12 comentários:

  1. Livro necessários nos curso de direitos haha Apesar de ser de uma área completamente diferente(computação) sempre tive bastante interesse nesse livro, vou pedir emprestado a minha prima advogada haha

    Lindo blog <3
    Beijos


    www.sonhosliricos.com.br

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    1. Oie Tainá.
      Siiim, acho que deve ser uma das leituras obrigatórias viu? Que bom que curtiu e vai dar uma lida e nem, computação nem está tão longe de direito... Kkkkkkkk.
      Bjokas

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  2. Já ouvi falar muito desse livro, e sempre tive curiosidade em ler, apesar de não ser o meu estilo favorito e confesso também que não sei nada a respeito, o que me faz ficar ainda mais intrigada. Sua resenha me mostrou um lado que me deixou inquieta sobre algumas coisas. Mas espero conferir.
    Beijos, Fer

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  3. Olá, tudo bem?
    Eu não li esse livro ainda e ele parece ser realmente muito interessante. A sua resenha (que está diferente e ótima), deixou isso bem claro.

    Apesar de tudo isso, eu não tive ainda vontade de lê-lo. Não sei se um dia chegarei a ter. Quem sabe?

    Beijos e até mais! <3

    www.dreamsandbooks.com

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  4. Oii, tudo bem?
    Eu acabei de estudar Maquiavel na escola, e a professora falou sobre esse livro, então eu já tinha vontade de o ler. Mas ao conferir a sua resenha, tive a certeza de que preciso adquirir esse livro, eu preciso entender um pouco mais sobre o modo dele pensar.

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  5. Oi Agatha,
    Adoro o teu nome ♥
    Então, realmente um super clássico da filosofia política, até hoje nunca me senti muito impelida a fazer a leitura, mas tenho pensado em aprofundar meus estudos sobre política por causa do cenário em que o nosso país se encontra e nós precisamos nos manter bem informados sobre o assunto e quando eu resolver faze-lo esse será um dos livros que estará na minha lista. Gostei muito da tua resenha, mas eu acabo pensando no Maquiável de outra maneira, apesar da obra ser muito importante, acredito que ao lê-la a pessoa não deve tomar os escritos para si cegamente, tem muita gente que o faz, mas ser crítica, afinal de contas não podemos esquecer que o termo "Maquiavélico" vem do autor, né?
    Beijos

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  6. Esse é um clássico que tenho a maior vontade de ler, e até tenho uma edição na estante, mas ainda não realizei a leitura. Ao menos não completa, já que li algumas partes em textos na faculdade. Acho que essa edição da Geração está super interessante e me pareceu mais completa do que apenas o texto em si, e isso me deixou com mais vontade de ler.
    Essa coisa de 'os fins justificam os meios' sempre me pareceu desculpa para se fazer coisas erradas. E concordo muito quando você diz que estamos cada vez mais bárbaros. É incrível ver a evolução do mundo, ver que tanta coisa mudou para a melhor mas pensar em todas as atrocidades que já foram cometidas em nome do poder - ou em busca dele - que me deixa muito triste.
    Beijinhos,
    Lica

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  7. Oii Agatha, tudo bem? Eu adorei tua resenha!
    Eu não gosto muito de ler sobre política, mas acho que essa seria uma leitura super válida no momento em que estamos vivendo e as crises pelas quais o brasil está passando. Não sei se lerei, mas anotei tua dica aqui. Parabéns pela resenha.
    Beijos!

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  8. A obra não faz nem um pouco meu tipo de leitura, mas admiro quem lê esse tipo de livro. Parece uma leitura interessante, e que pena eu não ter paciência para algo do gênero. Achei interessante a premissa da obra. Você desenvolveu sua resenha muito bem, parabéns!
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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  9. Ooi
    Gosto bastante de temas políticos, embora esse livro em si não tenha chamado minha atenção leria mesmo assim, pois mesmo gostando tanto nunca li algo sobre. haha
    Arrasou na resenha!

    Beijoos!
    www.estantemineira.blogspot.com

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  10. Ooi
    Amo assuntos políticos e não gosto nenhum pouco de livros clássicos. Ler ou não ler? haha Difícil escolha.
    Embora ser um que se eu visse não pegaria nem pela sinopse, com sua resenha e pelos assuntos tratados acho que leria, principalmente nessa atualidade que vivemos.

    Beijoos!
    http://estantemineira.blogspot.com.br/

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  11. Nunca soube exatamente do que se trata o livro, mas já vi muitas referências em aulas na escola, mas não é uma leitura que eu faria no momento por não ser uma criatura de humanas, sendo que conheço gente que é e travou na leitura (que era obrigatória por um acaso), o que eu gosto mais desses textos sobre política e afins de séculos é que mesmo em conceitos diferentes ainda é atual.

    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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