Resenha - A Filha do Rei do Pântano



Livro: A Filha do Rei do Pântano
Autor: Karen Dionne
N° de Páginas: 266
Cortesia: Grupo Editorial Record / Galera Record
Onde comprar: Amazon
A fascinante história de uma mulher que deve arriscar tudo para caçar o homem que moldou seu passado e ameaça roubar seu futuro: seu pai.
Helena Pelletier tem um marido amoroso, duas filhas lindas e um negócio que preenche seus dias. Mas ela também tem um segredo: é fruto de um sequestro.
Sua mãe foi raptada quando adolescente por seu pai e mantida em uma cabana nos pântanos do Michigan. Nascida dois anos depois do sequestro, Helena amava sua casa na natureza e, apesar do comportamento às vezes brutal do pai, ela o amava também... Até perceber o quão selvagem ele poderia ser.
Vinte anos depois, ela já enterrou seu passado tão profundamente que até o marido não sabe a verdade. Mas agora seu pai matou dois guardas, escapou da prisão e desapareceu. A polícia começa uma caçada, e Helena sabe que não irão descobrir nada, pois apenas uma pessoa, treinada por ele mesmo, tem as habilidades para encontrar o sobrevivente que o mundo chama de Rei do Pântano. E essa pessoa, claro, é Helena.


Três palavras que tenho para esse livro: chocante, violento e MARAVILHOSO! Primeiramente, precisamos analisar como a história foi criada, e como a ambientação foi importante para tal.

Nesse livro temos muitos detalhes acerca da vida de Helena no pântano durante seus primeiros 12 anos de vida. Em detalhes ricos e muito bem descritos, ela nos conta sobre a vida reclusa, e em como isso a afetou depois que fugiu; houve uma pesquisa minuciosa da autora e sua equipe acerca da natureza no Michigan, dos costumes dos nativo-americanos e de como a figura parental pode influenciar na personalidade de uma pessoa.

Helena é uma mulher cheia de segredos. Aos 18 anos, mudou seu sobrenome, sua aparência e sua história, para ninguém reconhecê-la como a filha do rei do pântano, aquele que destruiu a vida de uma menina de 14 anos no momento em que a capturou. Toda a pressão psicológica que Helena sofreu ao ter esse fardo depois que saiu do pântano a motivou a se esconder e esconder totalmente suas raízes do mundo exterior, inclusive de sua família, muitos anos depois. E é muito interessante ver a diferença de personalidades quando vemos a Helena na infância, e a Helena atual. O livro se passa em uns 2 dias, mais ou menos, e ao longo das páginas temos um gosto muito saboroso, mas perigoso, de como seu pai era e o que ele se tornou (ou simplesmente se mostrou).

Além disso, Jacob, o famoso Rei do Pântano, é um personagem extremamente bem construído, e foi um dos meus preferidos da história. Aos poucos, nos damos conta de seu lado narcisista, masoquista e psicopata pela visão de Helena, e é chocante o quanto você pode sofrer se não fizer exatamente o que uma pessoa dessas quer. Jacob é o vilão em algumas situações, o mocinho em outras, o pai em mais algumas e o psicopata em mais outras. Eu fiquei fascinada com o jeito como ele envolveu Helena em seu casulo pessoal, e como a manipulou na infância para odiar sua mãe; foi realmente uma jogada de mestre da autora fazer um antagonista tão cativante (pelo menos pra mim).

O que mais gostei no livro, contudo, foi o final. Somos testados, juntamente com Helena, e podemos ver com clareza em que situações nos poríamos se nossa família estivesse em perigo. As últimas cenas nos dão detalhes sobre a fuga de Helena 13 anos antes, e sobre o encontro com o pai anos depois, e como isso a afeta de uma maneira inimaginável. Helena, a filha prodígio, que o pai tinha orgulho e obsessão; Helena, que idolatrava o pai a qualquer custo, mesmo que isso fizesse com que sua mãe sofresse as consequências. O final que Karen Dionne preparou para nós é nada menos que arrasador.

Li esse livro em poucos dias, e posso dizer que foi uma leitura muito rica em termos de conhecimento biológico. Em algum momento, percebi que o pântano era tão parte de mim como de Helena; que as brincadeiras que fazia com o pai de encontrar rastros, as caçadas, o gelo que é a Península Superior, a cabana como um todo, enfim; toda a infância de Helena foi minha por um tempo. Foi incrível essa ambientação na natureza, e também como foi a adaptação de Helena depois da fuga.

Você já imaginou ser criado(a) de uma forma, achar que aquela é a certa, para depois de adolescente descobrir que tudo o que viveu foi uma mentira? Acho que nunca paramos para pensar em como nossa vida seria se não tivéssemos água encanada, por exemplo. Ou até mesmo a eletricidade; lâmpadas acesas em qualquer momento, banho quente no frio, um fogão que é só apertar um botão. Dionne traz à tona questionamentos que, até então, não tinha feito para mim mesma, e nos traz também uma reflexão acerca de nossos hábitos, e em como podemos mudá-los em função do meio ambiente.

A autora também faz um apanhado sobre a cultura indígena dos Estados Unidos, brindando-nos com muitos dialetos dos nativos, como o apelido que o pai deu a Helena: Bangii-Agawaateyaa (Pequena Sombra). Vemos também muito sobre os deuses indígenas, e sobre sua fé depositada na natureza e no que ela tem para dar. Ao longo do livro, Jacob conta muitas histórias sobre seu povo, e foi maravilhoso ter mais contato com essa etnia tão escassa nos EUA atualmente.

Ademais, ainda somos brindados com a história original de A Filha do Rei do Pântano, de Hans Christian Andersen no começo de alguns capítulos. É muito interessante saber um pouco mais sobre esse conto do autor, porque nos traz um ensinamento muito latente em relação à beleza exterior: nem tudo o que vemos é verdade, e um rostinho bonito nem sempre é sinônimo de bondade.

Por fim, quero agradecer ao Grupo Editorial Record por estar brindando a equipe com tantos livros incríveis esse ano, e por dar a oportunidade de ler esse livro maravilhoso. Se você está procurando uma leitura diferente, violenta e arrasadora, A Filha do Rei do Pântano é a pedida ideal!!! <3


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