Resenha - Um Jogo de Amor e Sorte


Livro: Um Jogo de Amor e Sorte
Autor: Beth Reekles
N° de páginas: 320
Cortesia: Editora Astral Cultural
Onde comprar: Amazon
Depois de se mudar de uma pequena cidade no Maine para a Flórida, Madison Clarke aproveita a oportunidade para se reinventar, esquecer os dias de solidão e fazer parte da turma popular da escola, afinal, a nova Madison é descolada, espontânea e ousada. Porém, dizem que quanto mais alto você sobe, maior é a queda – e Madison fará qualquer coisa para impedir que sua nova vida despenque ladeira abaixo. Quem sabe o que vem pela frente nesta nova vida na Flórida?


Em Um Jogo de Amor e Sorte, Beth Reekles traz um young adult com temáticas extremamente relevantes, mas que não foram bem aproveitadas do meio para o final do livro. Gostei, mas esperava mais do desfecho.

Madison, nossa personagem principal, é uma adolescente que passou por uma transformação relativamente grande e que precisa se encontrar depois disso. Ao sair de sua cidade natal, no Maine, e ir para a Flórida, sua vida muda drasticamente na escola, e vemos uma evolução da personagem a partir de situações que passa em relação a amizades, relacionamentos e status social. Foi interessante ver o amadurecimento da Mads, e de como ela lidava com os acontecimentos tão repentinos e importantes para uma adolescente de 17 anos que nunca teve amigos, ou mesmo um namorado.

Além disso, também teremos como pano de fundo temas super relevantes como o bullying, a auto aceitação e a impressão dos outros acerca da nossa pessoa. Como o livro é narrado em primeira pessoa, somos lembrados o tempo todo da vida antiga de Madison, e o quanto ela quer esquecer esse tempo, que por ter sofrido muito, a personagem tem muitos problemas de auto estima, por não ter o corpo ideal e aceito pelas pessoas do Ensino Médio. E é muito difícil não se compadecer da situação toda, porque querendo ou não, poderia ser eu a vítima, ou até mesmo o agressor; para muitos, são somente brincadeiras, mas para quem escuta, ou sofre, é uma ferida que talvez nunca seja cicatrizada. É preciso ter muito cuidado ao falar desses assuntos em um young adult, e achei que a autora soube abordar de uma maneira direta, mas não agressiva.

Tenho também que dar destaque ao meu personagem preferido - e o único que eu realmente consegui me conectar -, que, aos poucos, foi roubando meu coração mole: Dwight. Doce, inteligente, introspectivo e muito leal, é o único amigo verdadeiro que Madison tem (ainda que ela insista em não admitir isso). Dwight tem uma história triste e bela, e nem mesmo isso o deixa amargurado, ou até mesmo mesquinho; sua personalidade forte e ao mesmo tempo delicada, me conquistaram totalmente, porque sempre fui do grupo dos nerds.

Achei que a autora, em determinado ponto, se perdeu um pouco na concepção de Madison acerca do próprio corpo, e dos relacionamentos em que se envolveu. É normal uma adolescente perdida ser manipulada por vontades que tinha há tempos - ainda que não sejam as melhores -, mas achei a personagem rasa em muitos momentos; a personalidade não é marcante, pelo contrário, é facilmente influenciável.

Ademais, confesso que me decepcionei muito com o desfecho dos personagens; foi rápido demais, e não foi muito trabalhado. Um acontecimento previsível, um perdão facilmente dado e uma desculpa não tão convincente, acabou que tirando um pouco do brilho da obra como um todo pra mim. Li o livro em dois dias, e esperava um fechamento mais bem construído do que realmente foi; para um desfecho à altura, creio que seriam necessárias mais umas 50, ou 60 páginas de desenvolvimento, porque quase não vemos Dwight ao longo do livro; a maior parte dele é do relacionamento entre Mads e Bryce.

Enfim, Um Jogo de Amor e Sorte foi uma boa experiência como um todo, então agradeço à Sil por ter me dado a oportunidade de ter lido, e à editora Astral por ter disponibilizado para nós, do blog. Se estão procurando uma leitura rápida, de entretenimento, essa é uma boa pedida!


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