25 setembro 2018

Luz, Câmera e Ação [58] - Tal Pai, Tal Filha


Título: Tal pai, tal filha
Data de lançamento: 03 de agosto de 2018 (Brasil)
Direção: Lauren Miller
Elenco: Kristen Bell, Kelsey Grammer, Zach Appelman
Gênero: Comédia
Duração: 98 minutos

Uma jovem executiva (Kristen Bell) viciada no trabalho é deixada no altar pelo seu noivo. Ela resolve ir na viagem de lua-de-mel mesmo assim, mas acompanhada pela última pessoa que ela pensaria ir - seu pai (Kelsey Grammer), também viciado em trabalho, que abandonou sua mãe quando ela tinha 5 anos pois achava que sua família atrapalhava a carreira profissional.

A película se inicia com a protagonista, Rachel, em uma ligação com seu cliente justificando o porquê da sua ausência em uma reunião que estava agendada para o outro dia. Até aí nada fora do comum, mas o que torna a cena absurda é o fato dela fazer essa ligação durante a sessão de fotos com as madrinhas do seu casamento que irá ocorrer na próxima manhã. É explícito o seu desconforto em estar nessa sessão.

Rachel sempre prezou pelo seu trabalho acima de tudo e isso fica extremamente evidente quando é deixada no ”altar” após seu celular cair do buquê de flores e Owen, seu esposo, constatar que a mesma estava em ligação momentos antes de adentrar o recinto. É nessa cena triste e chocante que se revela, por acidente, entre os convidados da cerimônia o seu pai (Harry) que a abandonou há 26 anos.

Então, no dia seguinte ela está firme e forte na empresa para trabalhar e esquecer que um dia estava noiva, mas logo vemos que é apenas uma máscara, tanto é que ela destrói sua mesa no escritório pelo simples fato de ver como papel de parede do computador sua foto ao lado de Owen.

Chegando em casa enche a cara como se fosse curar suas feridas. Algum tempo depois o interfone toca. Rachel se prepara para ter uma briga com Owen, mas a voz que ela escuta não é de seu ex-noivo, é da última pessoa que ela espera ver em sua porta: Harry. Ele a convida para tomar umas em um bar e isso nos proporciona cenas que somente pessoas sobre o efeito entorpecente do álcool são capazes de propiciar.

Ao acordar no outro dia Rachel percebe estar em um quarto que lembra muito o de um hotel, mas com o balançar constante. EPA!. Ela está em um... CRUZEIRO... E HARRY ESTÁ AO SEU LADO!

Créditos da foto: Netflix


[ - Minhas Impressões - ]

Foi fácil me identificar com o enredo visto que tenho meus problemas familiares. Sei o que é ter um lar desestruturado e sei também como é tentar colar os pedaços em vão. Mas uma coisa aprendi: temos que seguir em frente mesmo machucados, e Rachel é assim. Ela cresceu tendo somente a mãe como porto seguro e quando o seu pilar morreu ao seu lado dentro de um táxi ela seguiu em frente. Acabou focando no seu trabalho. Ficou acomodada em um relacionamento que acreditou ser o certo, mas que não era a sua prioridade. Não criou círculos de amigos tanto que fica claro a sua falta de interação lá nos primeiros minutos do filme ao tirar foto com suas madrinhas que acredito serem amigas do Owen.

Mas quando se está em um cruzeiro tudo pode acontecer e isso inclui reconciliações familiares.

TAL PAI, TAL FILHA traz o debate sobre o abandono familiar mas sem deixar o humor morrer, esse está em uma dose que não extrapola e não tira o ar de seriedade ao assunto, não o diminuí em troca de piadas para fazer o telespectador rachar de rir. Logo, o público alvo dessa comédia é o adulto, é aquele que tenta a cada dia sobreviver nessa vida de maioridade com seus traumas e anseios não realizados.

Créditos da foto: Netflix

A construção da personalidade de Rachel é bem convincente. São muitos os jovens adultos que conheci na faculdade que me pareceram presos em corpos errados, que se recusavam a dançar, que preferiam ir para casa o mais rápido possível do que ter uma interação por pelo menos 10 minutos, e que julgavam quem não era assim.

Depois de ver esse filme me peguei imaginando quais eram os traumas dessas pessoas, em que momento elas passaram a ser tão centradas e focadas chegando a desprezar as interações humanas tão necessárias para a nossa construção como pessoas empáticas. E o pior foi perceber que estou me tornando uma pessoa assim, pouco a pouco, consumido pelo trabalho, pelas contas a pagar e o dinheiro a guardar para conseguir tudo aquilo que uma pessoa pobre almeja: Estabilidade Financeira.

Rachel é a personificação das sociedades que perdem a empatia a cada ano, que constroem muros cada vez mais altos e fortificados.

Créditos da foto: Netflix

Mas quando Harry aparece ele vem para enfraquecer esses muros e mostrar a felicidade a Rachel. Ele é alguém que cometeu seus erros e que se arrepende, pois sabe que não pode corrigir o passado mas está disposto a se redimir no presente com o intuito de não deixar que os erros o definam, mas sim os seus acertos. Achei muito corajoso de sua parte ir atrás da filha, caçá-la no Google e tentar se aproximar. Vemos o seu empenho em tentar trazer Rachel para a realidade, fazê-la ter relações humanas e tirar essa robotização dela.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado pelos roteiristas usarem a fórmula barata e fácil de curar toda a mágoa acumulada durante duas décadas em poucos dias dentro de um cruzeiro. Essa é a parte irreal da película. Mas esse ponto negativo não define a obra e nem deve ser motivo para afastar os potenciais telespectadores.

Adorei as locações escolhidas para o filme. Jamaica foi uma grande surpresa, não me recordo de ter visto um cruzeiro antes ter esse local como destino final. Fico feliz por terem focado em mostrar os lugares lindos dessa ilha caribenha.

E que navio foi esse? Onde boa parte das cenas ocorreu , pois confesso que já me deu até vontade de pegar as malas e tirar as férias em um cruzeiro (risos)

Sendo a primeira produção da diretora Lauren Miller devo dar os meus singelos parabéns. Ela focou em ter poucos personagens no enredo para trazer justamente ao centro a relação conturbada entre o pai e a filha. Mostrou que é possível haver um bom filme tendo poucos atores.

Claro que gostaria de ter visto mais interação da Rachel com eles, mas foi agradável vê-los incluídos e participando das mudanças dessa reconciliação familiar. Os três casais foram essenciais para o enredo. Nunca vou esquecê-los: Jim e Steve, Leonard e Shirley, e Dan e Beth. <3

Créditos da foto: Netflix

Recomendo o filme para todo aquele adulto que acredita em mudanças, no crescimento e que tem em seus corações a empatia para escutar o outro e entender que erros nós cometemos e cometeremos e que isso faz parte de nossas construções.




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10 comentários:

  1. Em muitos lugares que vou onde se fala de cinema, assim que este filme foi lançado, veio um bombardeio imenso de como era ruim e tals.
    Mas eu e minha curiosidade fomos lá, em duplinha e? Adoramos!
    Não é o melhor filme do mundo, longe disso e tem isso da rapidez com que o perdão aparece, mas o enredo é bem leve, descontraído. Os cenários são bacanas e as cenas no barco até rendem algumas risadas.
    A amizade que surge é bem bacana entre os personagens e o pouquinho da vida de cada um, vai sendo apenas mencionada. Achei isso legal.
    Vale sim a pena dar uma conferida!
    Beijo

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  2. Oi Bruno, tudo bem?
    Ja assisti a este filme, e confesso que fiquei bem tocada. Também tenho problemas com meu pai, na verdade não convivi com ele e quando ele reapareceu na minha vida eu me senti perdida e revoltada como a Rachel.
    Também acho que o problema entre eles se resolveu muito rapidamente, porque a realidade é bem diferente, digo por experiência própria.
    Adorei a resenha.
    Beijos

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  3. Oi Bruno.
    Parece um filme interessante que aborda algo muito real nos dias de hoje.
    As pessoas estão se isolando mais, tendo menos interações pessoais com outras pessoas, o que é uma pena.
    Achei interessante o pai ter procurado a filha e tentado uma reaproximação numa viagem de cruzeiro. Realmente não é plausível tantos anos de mágoa e abandono ser resolvido em um curto período de tempo, mas é algo que dá para relevar.
    Beijos

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  4. Oi, Bruno,

    Gosto um pouco de dramas familiares, pois sempre abrem espaços para que diversas linhas sejam exploradas. Vejo que foi o caso desse filme, no qual cada segundo foi aproveitado.

    A mistura de gêneros é uma boa combinação, então pode ser que o filme me agrade.

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  5. Olá! Primeiramente queria dizer que amo os trabalhos da Kristen, segundamente (sempre quis fazer isso), tenho que confessar que me identifiquei um pouquinho com a nossa protagonista, na parte em que é obcecada pelo trabalho e não se importa muito com as relações humanas, já fui assim e ganhei uma bela de uma gastrite crônica, além de perder a vesícula em consequência disso. Gostei que o filme, apesar de ser uma “comédia”, conseguiu passar uma mensagem para nós de que é melhor repensar que caminho estamos seguindo e que existe vida além do trabalho. Sem dúvida vou conferir.

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  6. Olá, apesar de ser classificado como comédia eu acho que esse filme apresenta um bom drama familiar. A protagonista que viciada em trabalho perde o noivo na igreja, sendo que já perdeu outras pessoas ao longo da vida. Eu admiro essas histórias de reconstrução de vida, de relacionamentos que se transformam. O pai que reaparece para dar uma guinada na vida da filha, ou na falta de vida,já que vive como programada para o trabalho. Sempre é bom ver um filme onde os personagens apesar dos erros do passado tentam acertar o rumo das relações ,principalmente entre pai e filha. Ninguém mais indicado para dar uma sacudida do que o próprio pai,até resgatando o erro de ter abandonado a família. Deve ser mesmo um bom filme.

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  7. o tema realmente não é de se brincar, quantas vezes abrimos mão de pessoas que gostamos, amigos e amores, por estar totalmente focado em ambições profissionais. Não arrumamos um tempinho para dedicar a quem gostamos. Contudo parece que o filme soube dosar bem e criou cenas leves, recheadas de humor para alegrar quem assiste. Dica anotada.

    Evandro

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  8. Oi, Bruno!
    Confesso que não curto filmes com enredos sérios, provavelmente por isso nos últimos tempos tenho assistido mais animações, que mesmo as vezes com assuntos sérios eles são abordados com leveza...
    Mas achei interessante Tal pai, tal filha, gostei de saber que há humor mas na medida certa... Eu sonho em fazer um cruzeiro então com certeza vou amar o cenário do filme.
    Abraços, valeu pela dica!

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  9. Esse filme parece ser muito emocionante e tocante também, querendo ou não a obsessão pelo trabalho é real e aparece em várias pessoas. Gostei muito que o filme aborde sobre um tema atual de uma maneira mais leve e descontraída.

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  10. Oi Bruno!
    Tdo mundo flando desse livro...
    Ainda não vi, mas pelos comentários, parece valer mto a pena...
    Vou tentar ver o qto antes.
    Bjs!

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