20 outubro 2016

Resenha - O Ano em que te Conheci





Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt.
Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato. Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt. Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda. Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente. Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer. Uma história dramática, original e divertida como só Cecelia Ahern é capaz de escrever.

Título: O ano em que te Conheci
336 páginas | Skoob | Cortesia: Editora Novo Conceito | Onde Comprar










"Tenho trinta e três anos e trabalhei lá por quatro anos. Nunca tirei sequer um dia de folga por ficar doente, nunca tive uma reclamação, nem uma acusação, nem recebi um aviso, nem mesmo tive um affaire inapropriado - pelo menos nenhum com resultado negativo para a empresa. Eu me doei totalmente ao meu emprego, e notavelmente para meu próprio bem, porque era o que eu queria fazer, mas esperava que a máquina para a qual eu trabalhava pudesse me dar algo em troca, para honrar minha honra. Minha crença anterior de que ser demitida não era algo pessoal, baseava-se no fato de nunca ter sido demitida antes, mas ter demitido outras pessoas. Agora eu entendo que é pessoal, sim, porque meu emprego era minha vida."

Jasmine é uma mulher de trinta e três anos que gosta de fazer tudo na vida com a maior intensidade. E parte dessa intensidade é dedicada a seu trabalho, que é voltado para o desenvolvimento de ideias a fim de colocá-las da melhor forma no mercado, para fazerem sucesso, mas após todos esses desenvolvimentos ela sempre desejava vender o negócio que criara a fim de desenvolver outro, uma típica mente inquieta. Porém, na última empresa da qual era sócia, Jasmine estava visualizando uma futura venda, o que ia contra a ideia do seu sócio, e então ele, repentinamente demite Jasmine, e de quebra exige que ela tenha uma licença de um ano, sem poder trabalhar em qualquer emprego, estando, em troca, ainda na folha de pagamentos da antiga empresa. Perplexa e sem ter  o que fazer, Jasmine não sabe ao que dedicará seu tempo, até que começa a cuidar de seu jardim, e a observar mais o seu vizinho da frente, Matt Marshall, que ela pensava odiar por algo que aconteceu a muito tempo atrás.

"Eu me sinto como se estivesse vivendo em um aquário de peixe dourado e tudo o que posso ver e ouvir de cada janela da minha casa é você. Você, você, você. Então, às duas e meia da manhã, o que é até um horário bem respeitável para você voltar para casa, eu me vejo com os cotovelos sobre o peitoril da janela, o queixo sobre a mão, só esperando sua próxima pisada de bola. Eu sei que vai ser uma boa esta noite porque é véspera de Ano-Novo e você é Matt Marshall, locutor na maior estação de rádio da Irlanda e, apesar de não querer, escutei seu programa esta noite no meu celular antes de ele morrer também. Foi incômodo, nojento, repulsivo, intragável, abominável, sórdido e horrendo como os outros."

Matt era um homem de quarenta e poucos anos que tinha um programa de rádio famoso, no qual trazia diversas polêmicas para serem debatidas e apresentadas aos ouvintes. Até que na noite de ano novo, ele exagera e é suspenso por seus chefes. Se afundando cada vez mais no álcool e em crise com a família, Matt passa as noites sentado no quintal de sua casa, de onde pode ver e ser visto por Jasmine, com quem, repentinamente cria uma estranha amizade.

"Heather não está sempre feliz como se espera do estereótipo de pessoas com síndrome de Down. Ela é um indivíduo com dias bons e outros ruins, como todos nós, mas sua personalidade - o que não tem nada a ver com a síndrome de Down - é otimista. A vida dela está envolvida em uma rotina, e ela gosta disso porque é uma maneira de controlar a própria vida, e é por isso que quando apareço na casa dela ou quando ela está no trabalho fica confusa e quase agitada. Heather precisa de rotina, o que é algo que nos torna ainda mais parecidas e nada diferentes."

Nessa história onde duas pessoas que não tem nada em comum estão perdidas, podemos conhecer o significado da amizade, do estar bem consigo mesmo e aprendemos que sempre vale um segundo olhar para tudo aquilo que nos cerca.

"No jardim sempre há movimento, sempre há crescimento. Não importa quanto eu me sinta parada no tempo, vou lá para fora e vejo tudo mudando ao meu redor. De repente há flores onde antes eu só tinha visto botões minúsculos, e a flor aberta me encara, de pétalas abertas e orgulhosa do que fez enquanto eu dormia."



[ - Minhas Impressões - ]


Eu tenho uma intensa relação de amor e ódio com Cecelia Haern. às vezes me apaixono pelas histórias que ela cria, como aconteceu com P.S. Eu te Amo e com A Lista, e às vezes acho que o livro não me acrescentou em nada, como foi o caso de alguns outros livros dela e também desse que acabei de concluir. Na verdade há sim algumas coisas bastante bacanas no enredo de O Ano em que te Conheci, mas em um panorama geral acho que o livro poderia ter sido mais bem trabalhado e ter um pouco mais de lógica.

Dentre os fatores que não gostei estão a personagem principal, Jasmine, e a forma como o livro foi narrado. Jasmine narra tudo em primeira pessoa e fica o tempo todo em um monólogo constante, divagando, pensando, falando sobre tudo, todos os assuntos, em seus mínimos detalhes, reclamando, e isso não me agradou. É como estar ao lado daquela pessoa que fala demais e você quer que ela apenas cale a boca para lhe deixar pensar um pouco sobre o assunto. Além disso, muitas vezes as atitudes de Jasmine são ilógicas e impensadas e algumas cenas que provavelmente deveriam ser engraçadas me fizeram ficar apenas irritada. Também achei o ponto principal do livro, a amizade entre Jasmine e Matt, algo desenvolvido de forma estranha e pouco convincente, e o tempo todo ficava com um ponto de interrogação querendo entender o que levou a autora a construir certas cenas e atitudes e quais as suas finalidades.

Porém, nem tudo foi ruim na obra, e dentre os melhores destaques está a relação que Jasmine tem com sua irmã, Heather. Heather tem síndrome de Down e a autora soube nos passar com maestria como é a vida diária de uma pessoa com essa síndrome, quais são seus limites e desmistificou muitos dos preconceitos, e na minha opinião essa foi uma das partes do livro que mais valeu a pena e eu adoraria que a obra toda tivesse sido focada em Heather. Além disso, outro fator que me chamou atenção foi o modo como a autora trabalhou as estações do ano e o jardim de Jasmine. Para passar o tempo, Jasmine resolve mexer em seu jardim, que era todo de lajotas, um dos  únicos diferentes da sua rua, e resolve colocar grama e plantar flores, e a medida em que as estações do ano vão se sucedendo - o inverno com seu frio incessante, a primavera com o nascimento das flores, o verão e seu calor intenso e o outono de recomeços - Jasmine também amadurece com esse processo da natureza.

Do núcleo dos personagens, a única que me cativou verdadeiramente foi Heather e a sua maturidade e sua vontade de viver. Já Jasmine me irritou durante todo o livro com seu monólogo e Matt também não foi alguém cativante. Quanto a personagens secundários foram todos bem construídos mas não chegaram a me marcar.

O livro é dividido em vinte e oito capítulos, narrado em primeira pessoa e esses capítulos são divididos nas quatro estações do ano, inverno, primavera, verão e outono. A edição está bem feita e não encontrei erros.

Recomendo para quem gosta da autora e que quer conhecer uma história interessante, sem grandes dramas e sem grandes pretensões.

17 comentários:

  1. Olá Tamara
    Eu sou apaixonada pela escrita da autora, e estou bem empolgada para fazer essa leitura também. Já imagino mesmo que há essa narrativa em primeira pessoal e de forma como um monologo, e eu até que gosto disso, por conta das reflexões impostas, sabe.. Uma pena que a leitura não foi tão proveitosa para você, mas ainda assim eu pretendo conferir logo. Curiosa com a relação de Jasmine com a irmã :)
    Beijos, Fer
    www.segredosemlivros.com

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  2. Que bom que vc conseguiu encontrar coisas boas nesse livro Tamara, eu detestei esse livro. Pra mim foi realmente uma história sem pé nem cabeça, não entendi o por quê. Você fala do monólogo do livro, e o qunato isso te irritou, e eu vi essa narrativa como uma forma da autora nos passar o quanto pode ser enlouquecedor uma pessoa ter uma vida ativa de trabalho e em um momento, não ter mais nada para fazer.... e a relação de amizade entre os dois.... que coisa mais estranha e sem sentido. Enfim, concordo com o que você disse. Rsrs

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  3. Tenho uma relação de amor e ódio para com esta autora. Amei P.S. Eu te Amo, mas odiei O Livro do Amanhã e isso me deixa indecisa se devo ler mais alguma coisa dela. Acho a capa deste livro mega romântica!!!
    Adorei suas considerações sobre o enredo e estou curiosa para conhecer o casal e ver como isso se dará nas páginas.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  4. Tamara, Eu gostei do livro, mas unicamente pelo motivo que vc falou rs. A relação da Jasmine com a irmã é uma coisa linda de Deus, e a maneira que essa relação amadurece é de emocionar... todo o resto do livro nem precisava existir rs.

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  5. Olá!
    Eu gosto bastante dos livros da autora, acho a escrita dela ótima, mas já vi tantos comentários negativos sobre essa obra que tô com medo já, rs.
    É uma pena que a protagonista não cative e acabe irritando o leitor com tanto "monólogo", além das atitudes ilógicas. Me frustrou um pouquinho saber que a amizade com o cara se deu meio forçada.
    Acho que eu leria o livro, mas apenas para conferir a relação da personagem com a irmã. Parece linda!
    Ótima resenha!
    Beijos!

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  6. Minha amiga leu esse livro e adorou, e apesar de ter a mesma relação de amor e ódio com a autora que você, ainda sim estou curiosa pra conferir!
    Que pena que você não se envolveu e gostou tanto dos personagens, em breve quando ler vou ver se partilho da sua opinião!

    Virando Amor

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  7. Olá Tamara,
    Diferente de você, li esse livro e me apaixonei por tudo nele. Acho que isso se deve, principalmente, por eu ter me visto muito como a Jasmine. Acho que somos bastante parecidas e me vi escrita no livro, sabe?
    Em certo momento, te confesso, a Jasmine e todos aquele monólogos que ela vivia me incomodaram também, mas fui entendendo-a. A Heather também me encantou demais e a forma como a Cecelia trabalhou ela me deixou com o coração cheio de amor.
    Adorei ler sua opinião, pois acho essencial conhecermos opiniões contrárias às nossas.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  8. Oi Tamara,
    Eu tô com esse livro aqui e ainda não consegui encontrar vontade de fazer a leitura, a tua resenha me fez ficar mais com o pé atrás ainda em relação a ele. Essa história desses monologos enfadonhos me fazem revirar os olhos, eu tentei ler outro livro da autora e achei bem enfadonho, temo que esse fará eu sentir a mesma coisa :/
    Beijoooos

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  9. Oii Tamara, tudo bem? Gostei muito da sua resenha e ver seu ponto de vista sobre esse livro. Sou fã da autora e gosto muito da sua escrita, mas algumas de suas personagens são realmente difíceis de se gostar! Ainda não tive a oportunidade de ler esse título, mas quero fazer isso assim que puder. Espero gostar.
    Beijos!

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  10. Olá!
    Eu ainda não tive a oportunidade de ler nenhum livro da autora, mas confesso que isso de a personagem ficar divagando o tempo todo me irritaria muito também, então consigo imaginar que a leitura não seria assim tão prazerosa para mim.
    Beijos.
    http://arsenaldeideiasblog.wordpress.com/

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  11. Oi Tamara, acredita que ainda não li nada da autora? Mas vou, tenha certeza! Uma pena que este livro não foi tão bons quanto outros. A Heather parece mesmo incrível! Vou ficar de olho nas suas indicações da Cecília para escolher o meu primeiro livro dela! Abraços

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  12. Obrigado pela Resenha sincera.
    Eu vi muitas resenhas deste livro desde o lançamento eu não gosto da capa e não é um enredo que me agrada confesso que algumas resenhas de um ou dois blogs que acompanho me deixaram com um pouco de vontade de lê-lo. Não faria a leitura nesse momento e assim como você não gosto de personagens que divagam demais.
    Valeu a "dica"
    Bju
    Mary Reis

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  13. Olá.

    Eu já tinha lido algumas resenhas desse livro, mas não gostei da premissa da história. Achei tudo meio chato e sem graça. E agora lendo sua resenha, estou correndo de livros desse tipo. Estou parada a um tempão com uma leitura que é desse jeito. Muito obrigada pela sinceridade e gostei bastante da sua resenha. Vc soube separar bem os pontos positivos e negativos e apresentar de um forma bem simples e convincente. Amei!


    Beijos!
    www.anebee.com.br

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  14. Oi Tamara!

    Olha, fiquei um pouco decepcionada com o que li. Não porque sua resenha ficou ruim, pelo contrário, está excelente. Mas eu estava com tanta expectativa para esse livro, será o primeiro que vou ler dela, e o fato de você ter começado pelos pontos negativos me deixou um pouco desesperançosa com a trama. Bem, vou me agarrar às coisas boas que você disse do livro e seguir no meu propósito de lê-lo e espero que a leitura seja um pouco mais proveitosa pra mim.
    Parabéns pela sincera resenha.

    Ingrid Cristina
    Plataforma 9 3/4

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  15. Oi Tamara!
    Tenho essa mesma impressão em relação a Ce! Ao passo que ela constrói narrativas brilhantes e com um gostinho de quero mais como por exemplo p.s eu te amo... Ela acaba deixando um pouco a desejar como nesse livro. Nossa, eu nem consegui terminar a leitura. A Jasmine ficava o tempo todo naquela chatice, como se falasse consigo mesma.
    Mas o legal é sobre a síndrome que é narrada no livro. Como irmã ela dá o seu melhor.
    No mais é uma leitura bacana mas que deixa mt a desejar.

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  16. Eu também tenho uma intensa relação de amor e ódio com a Cecelia, já li alguns livros dela e gosto de um e de outro não, por exemplo, A Lista foi ótimo, mas O ano em que te conheci foi bem chatinho pra mim, não curti e antes do final já era uma tortura. Sobre as divagações da personagem central, ou fluxo da consciência, é a parte que curti do livro, mas tive a impressão que o problema nesse caso é de tradução, só impressão.

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  17. Oi Tamara! ^^
    Como você amo A Lista, primeiro livro que li da autora, ainda não tive oportunidade de ler outros livros dela, apesar de conhecer vários títulos da Cecelia. Não sei dizer se irei gostar ou não de O Ano em que Te Conheci, mas admito que até o momento não me senti atraída pela história. Então quem sabe né? Uma hora eu leio.

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