11 maio 2021
Resenha - A Morte da Sra. Westaway

Harriet ou Hal como prefere ser chamada, vive uma vida bastante difícil e solitária desde que sua mãe morreu em um trágico acidente em frente de casa faltando poucos dias para Hal completar seus dezoito anos. Criada pela mãe, as duas viviam em um pequeno apartamento, ás vezes privadas de uma boa alimentação, porém eram felizes. Sua mãe trabalhava em um quiosque lendo as cartas de tarô para clientes e turistas e foi com ela que Hal aprendeu o que mais tarde viria a se tornar o seu ganha pão.
Hal nunca soube quem era o seu pai, por mais que perguntasse sobre ele a sua mãe. Ela sempre desconversava ou dava respostas evasivas sobre sua identidade e, enquanto criança, as respostas lhe bastavam. Conforme Hal crescia, já não acreditava no que a mãe lhe contava sobre seu pai, então ela se viu obrigada a revelar a filha que seu pai era um rapaz aleatório que conhecera em uma festa e do qual acabou engravidando de Hal.
Enfrentando as dificuldades de sobreviver sozinha, pagar as contas e colocar comida em casa com o pouco que ganha da leitura das cartas, desde que passou a ocupar o quiosque que pertenceu a mãe, Hal acaba pedindo dinheiro emprestado a um agiota e sua vida se complica ainda mais, pois acaba contraindo uma dívida maior e passa a dever muito mais dinheiro do que pegou. Sem ter como pagar, Hal passa a ser ameaçada constantemente pelo capanga do agiota.
Sem perspectivas de conseguir melhorar sua situação Hal recebe uma carta muito estranha de um advogado lhe informando que sua avó morreu e que ela é uma das pessoas beneficiadas pelo testamento.
Hal acredita que tudo não passa de um engano, já que seus avós morreram há mais de vinte anos. Mas após pesquisar sobre sua suposta avó no Google, ela descobre que a tal Sra. Westaway teve quatro filhos, sendo eles três homens e uma mulher.
Seria um desses homens seu pai? Inúmeras dúvidas passam por sua cabeça e, juntando o medo pelas ameaças que vem sofrendo do agiota e a curiosidade de finalmente descobrir a verdade sobre seu pai, Hal junta o pouco dinheiro que tem e parte rumo a Trepassen House, St. Piran, para o velório de Hester Mary Westaway, aquela que pode ser a sua avó ou não, já que Hal carrega a certeza de não ser a pessoa citada na carta, ainda que o nome escrito na mesma seja o seu.
Morrendo de medo de ser desmascarada, ela decide arriscar e, ao chegar a casa, descobre que toda a herança foi deixada para ela, o que acaba lhe ocasionando um terrível choque e a ira daqueles que lhe são apresentados como tios, irmão de Maud, a única filha da Sra. Westaway, que desapareceu há muitos anos e, coincidentemente, tem o mesmo nome de sua mãe.

[- Minhas impressões -]
Um livro com um enredo que vai surpreendendo à medida que a leitura avança. O começo pode parecer meio devagar e até um pouco lento, mas a partir do momento em que Hal decide assumir a identidade da verdadeira neta da Sra. Westaway a história caminha para momentos conflitantes, situações inesperadas e revelações bombásticas.
Narrado em terceira pessoa, o livro trás uma história de suspense muito bem escrita e conta com capítulos curtos que desperta ainda mais a vontade de ler e saber o que vai acontecer no capítulo seguinte.
Conforme as descobertas vão sendo feitas por Hal, ficamos cada vez mais envolvidos e curiosos para entender cada pista e cada fala dos personagens e com receio de termos deixado algo passar. Pouco a pouco o mistério começa a ser revelado e os segredos vão vindo à tona. Contudo, a cada descoberta que Hal faz ela se coloca em perigo, sem nem ao menos se dar conta disso. E finalmente, quando tudo enfim vem á luz a gente se depara com revelações que nos tira o ar completamente.
Quem gosta de Agatha Christie não pode deixar de ler esse livro de jeito nenhum! Uma história eletrizante e com um final que promete fortes e intensas emoções de deixar o leitor de queixo caído. Se no começo a protagonista não desperta empatia ou algo mais no leitor, eis que do momento em que ela decide se passar pela suposta neta da Sra. Westaway em diante a opinião que se tem dela muda radicalmente e para melhor na minha opinião.
Essa é a minha primeira experiência com um livro da autora, mas como a grande fã de suspense e mistério que sou, eu simplesmente adorei o livro e a sua escrita e pretendo ler mais livros seus daqui em diante, pois Ruth Ware já se tornou uma das minhas autoras preferidas do gênero.

Livro: A Morte da Sra Westaway
Cortesia: Editora Rocco
Número de páginas: 320
Skoob
Onde comprar: AmazonQuando Hal Westaway recebe uma carta inesperada anunciando que ela herdou uma soma substancial de sua avó da Cornualha, aquilo lhe parece uma resposta às suas preces. Ela deve dinheiro a um agiota e as ameaças do sujeito estão cada vez mais agressivas: ela precisa botar a mão em dinheiro vivo o mais breve possível. Existe apenas um problema: as avós de Hal morreram há mais de vinte anos. A carta foi enviada à pessoa errada. Hal sabe, no entanto, que as técnicas que usa para “ler” as pessoas através do tarô podem ajudá-la a conseguir esse dinheiro. Se alguém tem habilidade para comparecer ao funeral de um estranho e reivindicar um espólio que não lhe pertence, é ela. Ao chegar à cerimônia, porém, Hal percebe que há algo muito, muito errado a respeito de toda aquela situação, e a herança está no centro de tudo. Mas Hal Westaway fez sua escolha, e não pode voltar atrás. Ela precisa continuar ou arriscar perder tudo. Até mesmo a própria vida. Uma velha casa, uma governanta assustadora, conflitos familiares e dilemas morais. Ingredientes clássicos que se tornam surpreendentes na voz de um dos grandes nomes contemporâneos do suspense, Ruth Ware."
Resenha - Pátria Chamada Amor

“Quando damos a cara a tapa, o buraco é mais embaixo... Eu sei o que é sentir as duas coisas. É uma doença silenciosa que nos corrói de dentro para fora. Quando a gente percebe, ficamos sozinhos, sobrando apenas uma casca.”
Christiano é um jovem extremamente atraente e com uma carreira promissora na área militar. Buscando chegar ao cargo de coronel, ele precisa evitar a todo custo qualquer problema, mas quando ele acaba sendo transferido para o regimento de Niterói seu caminho acaba se cruzando com o de uma bela jovem colocando em prova todo o seu futuro milimetricamente planejado.
“Mas Nina era exatamente isso: um paradigma em forma de mulher e um paradoxo pelo qual eu quebraria todas as regras. E aquele presente, o de ser o escolhido, eu jamais esqueceria enquanto vivesse.”
No lugar e na hora errada, Nina acaba se vendo no meio de uma grande confusão onde acaba por ser ajudada por Christiano. A atração entre eles se mostra instantânea, mas com um passado cheio de mágoas, se envolver é a última coisa que o rapaz queria, e ao mesmo tempo, é impossível não fazer.
“— As diferenças se completam, Nina.
— Ch... Chamo isso de utopia — gaguejei.
— E eu, de lei da atração.”
"Fechei os olhos ao ouvir aquela frase. Ela sempre vinha após a vida me ferir de alguma forma. Sempre, para confirmar a equação dilacerante que aprendi desde garota: eu te amo = dor."
"- Dá raiva enxergar como o orgulho é capaz de cegar alguém tão inteligente. Abra os olhos, Christiano. Não desperdice mais onze anos da sua vida."

Christiano, por outro lado, é um personagem tão cativante quanto, mas ao contrário de Nina que você se apaixona de cara e que fica acompanhando e querendo o melhor, ele desperta o melhor lado e o pior lado do leitor. Sabe o ditado que amor e ódio caminham juntos? Ele faz jus a ele uma vez que na mesma intensidade que o amamos, acabamos por odiá-lo na mesma medida. Com um passado que o fez se tornar quem é hoje, sua maior dedicação é a sua carreira e seus planos. Almejando chegar ao topo da carreira militar ele não poupa esforços e nem dedicação para isso. Nesse ponto ele é um grande exemplo de alguém centrado, decidido e dedicado - perfeito para se inspirar. Ele também é alguém fácil de se identificar e de te conquistar, mas principalmente ele é um exemplo de que até mesmo quem já sofreu muito e é extremamente determinado pode se ver dividido entre o que escolheu para si e o que a vida tem a lhe oferecer.
Os personagens secundários também não deixam a desejar, principalmente porque mais do que apenas estar lá para fazer volume eles se tornam realmente parte essencial da história. No livro você irá encontrar muita coisa, mas cada ponto é extremamente pensado para fazer sentido e aproximar o leitor ainda mais da trama. Sem os típicos clichês de triângulos amorosos, mas ao mesmo tempo trazendo essa essência, essa é aquela obra que faz com que os personagens te comovam despertando no leitor os mais diversos sentimentos de forma a ser vividos o mais real possível.

A edição dessa obra também é algo que merece destaque, vislumbrando o leitor com uma capa extremamente chamativa e impactante, logo de cara dá pra sentir que esse não é apenas mais um simples romance, mas um turbilhão de emoções que passa por muitas facetas e lugares. Com as páginas amareladas e uma fonte de tamanho agradável para a leitura, essa é aquela obra fácil de ser terminada em uma tarde pela sua fluidez e revisão muito bem feitas. Simples, mas com detalhes na medida certa, esse é aquele livro que você já quer conhecer ao bater o olho e se apaixona mais a cada página. O trabalho da autora e editora aqui foram muito bem feitos não deixando para mim margem a ser criticada. E vale lembrar que o livro se encontra disponível tanto na versão física quanto digital deixando oportunidade para todos os tipos de leitores terem acesso (team físico e team digital).
Essa trama é aquela que você lê de forma rápida, mas absorve de forma devagar e aos poucos. São muitos aprendizados, muitas lições e principalmente muito amor em cada página. Aqui no meio das 305 páginas aprendemos que muitas vezes nosso maior problema, ou seja, o maior problema do ser humano é não ter ainda aprendido a escutar o outro. Márcia nos leva a aprender que precisamos passar a realmente ouvir mais e brigar menos. Nos ensina que a paciência geralmente é difícil, mas extremamente necessária. E nos ensina que tudo na vida tem consequência, mas que você não pode temê-las; você deve aprender a escolher e lidar com cada uma delas.
Perguntas como: Até onde a carreira vale mais que o amor? E até onde um amor é capaz de esperar? E principalmente de suportar? São aquelas para as quais ninguém tem a resposta, mas que essa história vai te levar a entender que não se tem porque não existe resposta certa, existe o que você quer fazer e até onde está disposto a ir.
Leiam esse livro, se apaixonem, porque é uma leitura que realmente vale muito a pena.

Livro: Pátria Chamada Amor
Cortesia: Márcia Rubim ( Autora Parceira)
Número de páginas: 305
Skoob
Onde comprar: AmazonA grande obstinação do capitão Christiano Vicenzo é chegar ao topo máximo da carreira, ou seja, ao generalato do Exército. Para alcançar a sua meta, precisa manter uma vida pessoal e profissional irretocável. Tudo começa a mudar quando ele serve em Niterói e conhece Nina, uma jovem com problemas sociais que ultrapassam – e muito – o que ele idealiza como protótipo de par perfeito. Fascinado pela garota, o militar decide arriscar no relacionamento, mas não imagina que, ao ser convocado para integrar a Missão de Paz no Haiti (MINUSTAH), terá sua história ao lado de Nina tragicamente desviada. Inconformado com os caminhos que o destino escreveu para si, Christiano vai descobrir com o tempo que a maior batalha na reconquista do amor perdido talvez seja enfrentar as mágoas do passado e que a felicidade não segue regulamentos. Um romance sensível e resistente ao tempo, que mostra que até mesmo para servir com dignidade à pátria é preciso que a pessoa por trás da farda esteja em
paz com o coração.



