Resenha: Retalhos, Almas em Versos




Título: Retalhos (Almas em Versos)
Autoras: C.B Kaihatsu e Natasja Haia
Editora: Empíreo
Número de páginas: 115
Skoob
Onde comprar: Amazon / Estante Virtual 

Retalho é um pedaço que se retira de u m todo, parte de alguma coisa que foi fragmentada. Assim é a nossa vida, uma coleção de retalhos num apanhado de memórias. Somos versos diários tecidos nas páginas de uma história que não termina.
Retalhos: Almas em Versos é isso, um apanhado de sentimentos, com poemas sobre a vida, a condição humana e as mazelas sociais. Como o título sugere, cada verso leva um pouco do sentimento das autoras. Os traços da ilustrado fazem a junção dos pedaços, costurando, junto com as letras, a alma da obra.



“E ela sem os dentes da frente, no meio do sofrimento, abria o sorriso, mais belo, que a alma se atreveu a dar”.

Retalhos é um pouco daquilo que deixamos pra trás, daquilo que fazemos, deixamos de fazer ou almejamos, é um misto de lembranças que nem sempre podem ser restituída, recordação de como o mundo era e em que ele se transformou hoje, repleto de seres humanos que querem viver felizes, mas que tem os olhares voltados para a dor, esquecendo que dentro de nós há uma poesia que precisa ser lida todos os dias, para lembrar o quanto somos capazes de recomeçar, mesmo quando deixamos retalhos nossos pelo caminho, sempre há uma esperança e a poesia nos faz resgata-la.

Os poemas trazem a reflexão de saudade, o quanto poderíamos fazer mais o que desejamos, amar mais aquilo que temos, pois a saudade às vezes é como um vapor, outrora, uma pedra que ficamos carregando em nossas mochilas, os jogos que somos fadados durante a nossa trajetória de vida, que representam as adversidades, as lembranças, o tempo que deixamos passar, as coisas que deixamos para amanhã como se tivéssemos certeza de que ele chegará. A realidade, as aparências, que nos faz tomar decisões emocionais, no quesito de agir e falar sem ousar pensar antes.

Em uma das poesias: A realidade da caverna, uma das quais tem um conteúdo que me chamou bastante atenção, é que, durante a poesia, a autora retratava a permanência de pessoas em um ambiente escuro, ou seja, que não se permitiam vivenciar a luz, que se sentiam bem em estar aonde estavam, porém, não era isto que ela queria para si, então, a poesia enfatiza que a personagem deu a volta por cima, já que sua essência estava em decadência, ela acreditou em si mesma e mesmo estando cansada, após criar sua armadura, sua própria válvula de escape, sentiu-se livre.

Além disso, a poesia cujo o título é: Somos Maria, retrata a luta das mulheres em carregar diversos preconceitos ainda no tempo em que vivemos, entretanto, a poesia demonstra a força que tem mulheres unidas, enfatizando que todas tem o mesmo objetivo e devem permanecer juntas a fim de alcança-los, seja nos momentos difíceis ou bons, todas podem conquistar o empoderamento.

“Na dor, nas conquistas, nas pequenas alegrias, somos Marias”.



O livro Retalhos foi publicado através da Editora Empíreo, contendo o subtítulo “Almas em Versos”, as autoras expressaram em seu agradecimento total satisfação pelo apoio de pessoas amadas. Além disso, a ilustradora, Michele Borges, agradeceu aos familiares e amigos por acreditarem em sua capacidade. A capa tem um aspecto especial, refletindo a ideia dos retalhos assim como o título, trazendo consigo o despertar no leitor o desejo pelo livro facilmente. A diagramação é simples, com folhas amareladas, com alguns textos centralizados e outros lateralizados, com as poesias separadas por autora e por títulos, demonstrando a integridade da organização entre autores e editora. Não consegui guardar a leitura para outro dia, quando inicie-a, a leitura fluiu facilmente, embora possua algumas palavras na norma culta, a forma a qual as poesias foram escritas tocou minha alma. 



Concluo esta resenha, indicando este livro de poesias cheio de amor, saudade e que é capaz de aquecer um coração, lembrando que, somos a nossa poesia e todos os dias temos a liberdade de escrever uma nova estrofe. Espero que gostem!


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3 comentários:

  1. Como eu amo poesia!!! Um gênero que muitas vezes passa despercebido,mas que para mim, significa muito.
    Ainda mais quando vem numa forma assim, com capa tão linda. Há tempos não via uma capa tão bonita.
    E pelo que li acima, o título fazendo muito jus ao que está dentro. Retalhos do que vivemos, sentimos. Sentimentos!
    Com certeza, o livro vai para a lista de desejados.
    Beijo

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  2. Essa resenha é pura poesia!
    Sou completamente apaixonada pela poesia; não conhecia o livro, mas já estou desejando.
    Sinto que vou me identificar A realidade da caverna; acho que será uma leitura tocante.
    E a capa está linda e encantadora.
    Obrigada pela dica.

    Beijos

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  3. Olá! Sou simplesmente apaixonada por esse tipo de leitura, que nos faz refletir, nos deixa com aquela necessidade de rever nossas ações e pensamentos. É aquela leitura que eu costumo fazer quando estou com algum tipo de ressaca literária ou travada em algum outro livro, diga-se de passagem, sempre ajuda hein. Não conhecia o livro, mas fiquei encantada com o que eu li sobre, desde a edição que está linda, até as histórias fortes que ele traz, sem dúvida quero conferir.

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