Resenha - Imperfeito Olhar


Título: Imperfeito Olhar
Autora: Júlia C. Marques
Cortesia: Editora Coerência
Páginas: 472
Skoob
Onde Comprar: Loja da Editora
Mais que nossas palavras, são nossas escolhas que melhor nos definem. Escolher nunca é uma tarefa fácil e geralmente não afeta apenas quem decide seguir determinado caminho. Escolhas se espalham com o vento, estilhaçando e atingindo a todos que estão ao redor, mesmo, e talvez principalmente, quando não era essa a intenção. Ferida pela vida, ela escolheu se fechar, se esconder em uma muralha de espinhos, sofrendo com a dor da perda, ele luta para continuar respirando, sabendo que não se trata apenas de si mesmo. Quando uma escolha os coloca na mesma estrada, tudo que era certo se torna confuso. As certezas evaporam, dando lugar as dúvidas. Novas escolhas serão feitas quando, mais uma vez, os fantasmas do passado resolverem aparecer. Desta vez, as escolhas envolvem a todos. Desta vez, tudo será diferente.



Anastacia Adams, está acostumada com perdas. Com uma vida difícil, cheia de problemas e de pesadelos que viraram rotina, ela agora é contratada por Albert Wood para realizar um trabalho. Tendo que se infiltrar na família Sanders, ela conhecerá duas pessoas que também lidam com uma perda: Alec Sanders e seu filho Kalel. A convivência e o passar dos dias nessa nova casa passa a abrir uma parte do seu coração que até então achava estar morta. Os caminhos cruzados, mesmo que de forma proposital, mudará a vida de todos. Será que o destino até então cruel trouxe uma nova esperança para todos? Qual é o trabalho dela na família Sanders? Qual é o passado da Anastacia?

A minha primeira impressão com a capa e a sinopse me fez perceber que não estava nada preparada para o conteúdo. E isso é um elogio, rs. O desenvolvimento abrange muito mais do que se espera, o que me fez ver a leitura com um outro olhar. A capa não tão reveladora — no entanto que ainda assim se encaixa perfeitamente com o enredo a partir do momento que você o conhece — e a sinopse que também não evidencia tanto do que se trata, converteu-se em algo que atiçou total minha curiosidade.



A autora possui uma destreza na escrita sem igual. Descritiva e profunda com o que quer transmitir, ela é devastadora para os leitores sentimentais. Eu pelo menos consegui me aprofundar junto dos personagens, sobretudo pelos acontecimentos e aflições que eles passavam. Era como se eu sentisse o que eles sentiam, fizesse o que eles faziam, e confesso que até hoje foram poucas escritas que me fizeram ter esse turbilhão de emoções de modo tão fácil — é como se fossem pessoas que convivemos no dia-a-dia pois suas dúvidas e receios são totalmente críveis.

Os personagens principais ao mesmo tempo fortes e frágeis, para mim é o maior ponto positivo. É nítido os sofrimentos que o destino lhe impuseram, e mesmo assim vemos que eles seguem em frente — algumas recaídas, alguns muros construídos para que essa carga emocional não transborde, porém eles vivem. Aliás tenho que destacar o pequeno Kalel que achei uma fofura e com certeza deu um toque ameno a uma leitura que é densa.

" — Que o ser humano tem uma mania horrível de julgar o que não conhece. Que nós vemos com olhos, mas esquecemos de enxergar realmente. Acho que, no fim, olhamos apenas para a superfície, sabe? Acho que esquecemos que as pessoas têm muito mais guardado dentro de si do que aquilo que permitem que os outros vejam..." pág. 93

Acredito que seja complicado encaixar Imperfeito Olhar em uma caixinha de um único gênero. Com um pouco de tudo — suspense, romance, mistério, drama — ele torna-se grandioso e que agrada um grande público. Suas quase 500 páginas são fluídas e contém todos os requisitos para ser uma leitura mega agradável, no sentido de querer saber mais e mais. Admito que ele me tirou da minha zona de conforto pela consistente carga dramática — uma quantidade de tormentos que é realidade do ser humano, da vida real — e mesmo assim não deixa de ser um tapa na cara para possíveis realidades que queremos ignorar — ler sobre faceta não tão feliz da vida nunca é simples.

Sem falar do final, que apesar de ter sido algo que perpassou pelos meus pensamentos, não deixa de surpreender — pelo menos um parte dele. É coerente com o andamento e possíveis escolhas a serem feitas — na verdade acontece porque é feito uma escolha pessoal — entretanto, confesso que queria que um dos tópicos terminasse diferente. Talvez seja o ápice da história, que dependendo da perspectiva de que lê, pega de surpresa e toca. E não deixa de ser sensacional.



Um adendo a se fazer é que é uma narrativa de presente e passado. Para conhecermos melhor Anastacia e outros principais, às vezes é necessário voltar à situações antigas para entendermos seus posicionamentos e pensamentos. Geralmente não gosto deste modo de contar história, contudo aqui funciona e se faz necessário.

De uma forma geral, saio elogiando a obra. É uma trajetória de autodescoberta, de saber lidar com dores, com perdas, com uma vida que às vezes é feita de dias ruins. Acompanhar a rotina de pessoas que poderiam ser nós, nossos vizinhos, nossos parentes com uma pitada de ficção que adiciona tensão e dinâmica ao exemplar. Recomendo demasiadamente, e esteja preparado para ser preenchida por um carrossel de emoções.

"Existem coisas na vida que, por mais que nos preparemos, por mais que planejemos cada detalhe, cada mínimo passo, jamais estaremos preparados o suficiente. Existem decisões que abrem novas feridas, que fazem com que queiramos eternizar um único instante, o último segundo daquilo que foi bom, que foi o melhor que poderíamos imaginar, muito melhor do que teríamos conseguido se tivéssemos simplesmente pedido." pág. 450

Na parte física, como comentei anteriormente, tive uma primeira opinião inicial, e depois de finalizar as páginas ela foi alterada. Acho a capa bem condizente com a parte interna, e tem vários elementos que se entrelaçam com a narrativa. Dar atenção para ela depois de terminar, indico! E sobre a diagramação, só tenho elogios. A editora Coerência arrasa nos detalhes, na escolha das fontes, no espaçamento, em praticamente tudo na parte "técnica". Não encontrei erros de revisão ou ortográficos. Tenho somente elogios a fazer.

Atualmente tenho me arriscado em ler livros nacionais, e até hoje só tive experiências maravilhosas. Júlia C. Marques entra para meu ranking de autoras brasileiras que indicarei com gosto. Por isso, se tem algum pré-conceito, insista pois vai sair feliz. Espero que tenham gostado da resenha!



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3 comentários:

  1. Eu amo nossa literatura e amo mais ainda quando dou de cara com livros e autores que ainda não conheço. Não tive o prazer antes de encontrar com alguma letra da autora, mas pela capa e enredo acima, a gente percebe nitidamente que todo elogio é pouco.
    Além de ter uma capa lindíssima, é claro!
    E pelo que li na resenha, realmente não dá para simplificar e dizer que é deste ou daquele gênero, pois além dos sentimentos, dramas, romance e vida, há família e tnatos outros assuntos que fica complicado classificar.
    Eu só sei que quero demais ja conferir o livro e ele vai para a lisa de desejados o quanto antes.
    Beijo

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  2. Que resenha linda!
    Essa capa também está um arraso.
    Sinto que vou gostar dessa leitura, é muito bom quando a autora nos consegue fazer sentir o mesmo que a personagem, nos aproxima... É uma sensação indescritível.

    Beijos

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  3. Olá! É tão gostoso quando nos deparamos com uma história assim, que tem um pouco de tudo e torna a leitura ainda mais interessante e intensa. É sem dúvida aquele livro que quando terminamos ficamos com aquela sensação de que o mesmo deve ser lido por o máximo de pessoas possíveis (risos). Tudo muito instigante afinal não temos muito detalhe do que esperar da história, por isso, a necessidade de começar e descobrir tudo o mais rápido possível. Não conhecia a autora, mas gostei demais e sem dúvida quero conferir essa linda história.

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