Resenha - Contos Trágicos


Título: Contos Trágicos
Autor: Loyana Jacinto Rodrigues, L. Matheus, Emerson Almeida.
Cortesia: Editora Pendragon
Páginas: 150
Skoob
Onde comprar: Amazon

Contos Trágicos conta a trajetória desastrosa de treze personagens que tiveram o azar de se deparar com coisas que são muito comuns em nossas vidas, as quais sempre fechamos os olhos. Os contos vão te tirar da zona de conforto e te levar a pensar se você seria capaz de fazer alguma coisa a respeito, fazer a diferença, ou você seria só mais um a pegar o celular e filmar?
São histórias da vida real para a vida real. Intenso. Cruel. Brutal. Visceral.





Mais uma resenha difícil...Sabe quando aquele livrinho pequeno, com poucas páginas está ali e você pensa: “Ah, mais um livro de contos que eu vou pegar para ler, sem esperar muita coisa.” Mas aí você é pego de surpresa e mais uma vez leva um soco no estômago com o conteúdo dele. E foi exatamente isso o que aconteceu com mais esta excelente leitura de Contos Trágicos. Mas já vou adiantando, que essa coletânea definitivamente não é para qualquer um. O que a gente encontra nessas poucas páginas definitivamente não é o que estamos acostumados a ler por aí. E esse é exatamente o diferencial deste livro.


Contos Trágicos trazem 13 curtas histórias sobre os mais variados temas e situações, das quais estamos acostumados a ouvir falar sobre todos os dias, ou até mesmo a presenciar, mas não damos muita bola, ou simplesmente ignoramos. O que nos é apresentado nessas narrativas é algo chocante, cru, bem real mesmo e sem firulas. Os contos em si, nos mostram situações bem reais, e não têm pena de nos contar em detalhes as atrocidades que nós humanos somos capazes de cometer, e infelizmente de presenciar também.

A escrita dos contos é bem fluida e não apresenta nenhuma novidade quanto ao modo como é construída. Porém o grande diferencial é o conteúdo. Se prepare para ler situações que nos levam a um final horroroso, e sem esperança na humanidade. O mundo real é retratado aqui e ele não tem dó e nem piedade de ninguém. Muitas vezes eu não conseguia ler mais do que uma história por dia. Era obrigado a fechar o livro e pegá-lo só depois de uns dias, para me recuperar do baque que havia acabado de ler.

Mas sabe que isso, pelo menos para mim considero como algo bom, pois muitas vezes fechamos os olhos para situações que merecem nossa mais profunda reflexão, e quando um livro, ou um conto consegue provocar este tipo de incomodo na gente, quer dizer que ele tem algo de especial, ele se destaca dos demais. Não é o famoso “mais do mesmo”.



Dentre os contos que li, alguns deles para mim foram bem mais marcantes e vou apresentar a vocês os que se destacaram na minha opinião:

1 – Do fim ao começo: um conto que apresenta uma forma um pouco diferente de ser narrado. A situação já nos é apresentada em seu final, e o autor vai retrocedendo nos fatos. Um marido acaba de descobrir uma traição e não se importa de ir até as últimas consequências para resolver a situação.

2- Fuga: definitivamente o conto mais pesado em termos de violência gráfica. Uma mãe desesperada acaba tomando decisões nada fáceis para conseguir sustentar seu filho, e no final é recompensada com nada menos do que morte. Realmente um conto dificílimo de ler.

3 – Conclusão: Outro conto que para mim foi simplesmente chocante. Um garotinho que sofre muito bullying em seu colégio e é simplesmente ignorado por seus pais, acaba tomando uma decisão nada fácil. O final deste conto é de te deixar em estado de choque, e te faz refletir sobre o que estamos trazendo e proporcionado para as pessoas ao nosso redor.

4 – Coleciona(dor): um conto bem triste que retrata uma realidade que sabemos acontecer com muita frequência: o abandono de idosos. Um pai recebe seu filho que veio da Europa, porém jamais desejaria ter o feito, pelo que acontece depois. O idoso costumava colecionar carros antigos, e no fim de sua vida, acaba colecionado dores. Final de te fazer chorar.

5 – Lá menor: um conto bem curto, porém que nos dá um tapa na cara. Dois homens em um momento de descontração são cruelmente agredidos apenas por demostrarem amor em público. O final é de cair o queixo e nos faz refletir sobre as mais variadas formas de amor e sobre a barbárie a qual o ser humano pode chegar.

A experiência de leitura deste livro, foi bem diferente para mim, e com certeza eu recomendo a leitura dele, caso você queira sair da sua zona de conforto. Mas não da sua zona de conforto de preferência literária, e sim sua zona de conforto de vida mesmo. Pois as tragédias relatadas nesta coletânea, muitas vezes estão na nossa cara e nós preferimos fingir que elas não estão.

A edição da editora Pendragon está muito caprichada e ao final de cada conto há uma gravura. A diagramação é superconfortável e a capa simples, contrasta bem com o conteúdo apresentado.


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3 comentários:

  1. Como sou fã demais de contos, já fiquei toda animada para conhecer este apanhado!
    Fiquei também curiosa em relação a diagramação. Já que há ilustrações e eu sou apaixonada nelas.
    Outro ponto que me chamou a atenção é que realmente são assuntos cotidianos, corriqueiros e estou impressionada com o conto La Menor!
    Sem sombra de dúvidas, o livro vai para a lista de mais desejados.
    Beijo

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  2. Eu gosto de contos, mas o título desse já diz muito.
    É muito bom quando um livro se mostra mais do que parecia ser.
    Gente, não tenho estrutura emocional para esse livro.
    É a verdade nua e crua da realidade em que vivemos, e eu ainda gosto de manter a esperança de tempos e seres humanos melhores.
    Mas é inegável que é uma leitura que faz refletir.

    Beijos

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  3. Olá! Devo confessar que fiquei um pouco (muito) apreensiva em relação a esse livro, sei lá a gente já vê/lê tanta coisa ruim que acontece ao nosso redor (essa ultima semana mesmo foi bem chocante, principalmente para mim, que trabalho em uma escola). Que acabamos buscando nos livros, pelo menos eu, temas mais amenos, doces e que nos deixam com um pouco mais de esperança em relação a vida. Claro que um choque de realidade é sempre muito bem-vindo, mas pelo menos, por enquanto eu ando dispensado viu.

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