24 outubro 2018

Resenha - A Escrava Isaura


Título: A Escrava Isaura
Autor: Bernardo Guimarães
Cortesia: Autêntica / Gutenberg
Páginas: 192
Skoob
Onde comprar: Amazon / Saraiva

Sinopse: Escrava de pele branca, a linda e doce Isaura foi criada e educada como filha na família a que pertencia. Durante muito tempo, foi a protegida da matriarca, que prometeu que, após sua morte, a moça seria liberta. Entretanto, esse desejo não foi atendido pelo filho e herdeiro da família, e Isaura se tornou propriedade de Leôncio, um jovem sem caráter que, mesmo casado, se interessava obsessivamente por ela.
Para afastá-la do assédio de Leôncio e de outros homens da fazenda, o pai da moça, Miguel, um homem livre, tenta comprar a filha, mas não consegue. Decide então fugir com a moça para o nordeste do país. Os dois se instalam em Recife e adotam novos nomes. Lá, Isaura conhece Álvaro, rapaz rico, estudante, por quem se apaixona e é correspondida. Ele fica sabendo que ela é uma escrava fugida, mas não deixa de amá-la.
Tendo sido descoberta e recapturada, Isaura volta para a fazenda de Leôncio, que a submete a castigos e humilhações porque não cede a suas investidas. Enquanto isso, Álvaro, que não desiste de sua amada, vai fazer de tudo para ficarem juntos.
Publicado pela primeira vez em 1875, esse romance é considerado um marco na literatura abolicionista brasileira.



“Desde o berço respirando os ares da escravidão, como semente lançada em terra de maldição, a vida passo chorando minha triste condição”



E é com essa triste canção que este clássico brasileiro tem início. Bora para essa resenha de um livro que de um certo modo eu estava esperando algo um pouco diferente?

A escrava Isaura, é aquele tipo de história que eu sempre ouvia falar, mas não por conta do livro e sim por conta das novelas produzidas. Acredito que todos estão familiarizados com essa história onde Isaura, uma escrava branca, sim uma escrava de cor branca luta pela sua liberdade das garras de seu senhor cruel.

Esta história foi escrita na época da campanha abolicionista do Brasil, e representa uma importante obra na literatura brasileira devido a isso. Mas deixando um pouco de lado a parte técnica da nossa narrativa, vamos ao que se trata ela em si.

Inicialmente nossos heróis encontram-se em uma fazenda em Campos dos Goitacazes, onde moram Isaura, filha de uma escrava com o feitor da fazenda, Leôncio, atual dono da fazenda e sua esposa Malvina.

Apesar de carregar um peso de clássico, este livro mostrou-se um pouco diferente do que eu esperava, já que sua linguagem e maneira com qual a história é contada me lembrou bastante um livro infanto-juvenil. Aqui os diálogos são simples e os personagens são bem unilaterais. Mas enfim, isso não quer dizer que ele seja ruim, ou subestimado, e sim uma boa porta de entrada de jovens para este tipo de literatura.

Mas, voltando ao enredo, após a mãe de Isaura morrer, fruto de torturas de seu senhor antigo, Isaura infelizmente parece partilhar a mesma sina de sua mãe, já que Leôncio, é obcecado por ela e vai fazer de tudo para possui-la. Malvina, sua esposa, com quem o mesmo se casou apenas para manter seu status na sociedade, aprecia Isaura, e promete lhe dar a liberdade, porém as coisas não funcionarão da maneira com a qual ela espera.

“Bem sabes que é meu desejo libertar Isaura; mas acaso depende de mim isso somente? É a meu pai o que compete fazer aquilo que de mim exiges. ”

Com a simples desculpa de que Isaura ainda pertence a seu pai, Leôncio dribla as intenções de Malvina com este simples argumento e com isso ganha mais tempo para tentar seduzir Isaura. Porém, a mesma não cai nas investidas de seu senhor, incitando sua ira cada vez mais. Daí a gente já percebe o porquê de adaptações para a televisão terem dado tão certo com este livro, afinal este tipo de história é perfeita para ser abordada em uma novela: temos a pobre e linda protagonista e o vilão, malvado e cruel. Basicamente a história toda vai se tratar disso, e foi neste ponto que o livro passou a me desagradar.

O pai de Isaura, o antigo feitor da fazenda, e hoje simples jornaleiro, tenta de tudo assim como Malvina para libertar sua filha, e para isso junta uma quantia em dinheiro a fim de proporcionar o sonho de vê-la livre, porém, no momento em que vai levar o dinheiro para comparar a liberdade de Isaura, o dono da fazenda e pai de Leôncio morre, e automaticamente tudo passa a pertencer a ele, inclusive Isaura. E ao invés de cumprir com a liberdade de Isaura, obviamente Leôncio tem suas desculpas para manter Isaura sobre seu domínio.

“- De que proveito pode ser a liberdade agora para Isaura? Porventura não esta ela bem aqui? É maltratada? Sofre alguma privação? Não continua a ser considerada antes como uma filha da família do que como uma escrava?"

E há uma certa verdade nisso que Leôncio fala, já que Isaura nunca viveu exatamente como uma escrava na fazenda. Apesar de não ser livre, a senhora antiga da fazenda e mãe de Leôncio, por nunca ter tido a chance de ter uma filha, sempre tratou Isaura como uma de sua família. A coisa começou a ficar um inferno para Isaura, após a morte dela.


Não querendo entregar muito sobre o enredo, após estA terrível desesperança sofrida por Isaura, a mesma encontra um meio para se ver livre enfim de Leôncio e acaba conhecendo Álvaro, nosso outro protagonista. E não precisamos ser muito espertos para prever onde tudo isso vai acabar, não é?

Álvaro é um rapaz bonito, e que é abolicionista. Não esperem por grandes acontecimentos, afinal o propósito desta história é muito mais uma denúncia a opressão que os escravos sofriam, do que se propor a escrever algo complexo. Como eu disse, o livro foi escrito para ser acessível, já que o intuito do autor era disseminar a campanha abolicionista, e daí vem toda a importância desta obra. Hoje pode parecer algo simples, mas para a época (século 19), imaginem a coragem do autor a retratar isso em uma obra literária!

A principal mensagem que tirei de toda essa história, levando em total consideração o contexto da época é que os escravos, antes vistos como simples propriedades, através de Isaura, são representados como algo muito mais direto: seres humanos, portanto, com os mesmos direitos de qualquer pessoa. Triste pensar que houve uma época em que as pessoas ainda tratavam escravos como meras ferramentas, não?

De um modo geral, esta história não me agradou simplesmente pelo fato de não ter a complexidade que atualmente estou exigindo para considerar um livro como ótimo, os personagens são bem rasos, e claramente seguem a linha de totalmente bons ou incrivelmente maus. A própria Isaura tem uma personalidade bem menininha frágil e que precisa ser salva. Porém, ao levar em conta o contexto, a época e a proposta do livro, acredito que ele mereça sim ser lido, e ter seu mérito.  Por ser uma história bem água com açúcar, acredito que vá agradar sim um grande público, que pode inclusive se surpreender com a simplicidade da escrita.

Quanto a diagramação do livro, preciso confessar que achei a nova edição muito bonita, a capa como vocês podem ver é simples e harmoniosa. Cada começo de capitulo tem detalhes que dão um charme a mais ao livro. As páginas são amareladas e a fonte de um bom tamanho facilitando bastante a leitura.

Mas e vocês, já conheciam esta história através das novelas produzidas? Se sim, aconselho e recomendo muito a leitura deste livro, afinal ele é bem curtinho e de uma maneira geral, de leitura agradável.

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5 comentários:

  1. Isaura é um dos nossos grandes clássicos e acho difícil alguém que ao menos não saiba um pouquinho da história.
    Eu nunca cheguei a ler o livro,mas como minha mãe era viciada na novela(bem antiga) eu a acompanhava e claro, adorava todo aquele ar de romance e também de sofrimento que o longa exibia!
    Adorei essa nova roupagem, a capa está lindíssima e se puder, com certeza, quero muito ler o livro em breve!!!
    Beijo

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  2. Já vi algumas cenas da novela, minha mãe sempre diz que foi uma novela muito boa, mas nunca tive a chance de assistir, e também não tive interesse no livro. Acabo falhando quando se trata dos clássicos nacionais.
    Realmente o autor foi muito corajoso, e é nítida a importância dessa obra para época.
    Acredito que a história não me agradaria, mas quem sabe um dia... É bom ter noção do passado.

    Beijos

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  3. Olá! Apesar de ter gostado bastante da novela, acompanhei alguns capítulos da primeira versão e a segunda versão integralmente, ainda não me dei à oportunidade de ler o livro. Sinceramente imaginava uma história longa, com mais páginas e fiquei bem surpresa em descobrir que não teremos tantas assim, o que me deixou ainda mais empolgada em iniciar a leitura.

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  4. Já vi várias adaptações dessa história, por todas as mídias possíveis e acredito que o grande mérito do livro esteja em dar vazão não apenas à campanha abolicionista e seus ideias de igualdade, mas também à voz dos negros escravos, que tanto sofriam nas mãos de seus senhores. Com relação à trama em si concordo contigo: as personagens não são nem um pouco complexas e a enredo acaba avançando sem muitas surpresas ou reviravoltas. Ainda assim acho que o livro tem sua importância se considerarmos o aspecto histórico e social nele retratado.

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  5. Eu adorei essa capa, linda, fofa, romântica, nem parece que traz uma história tão traumática e vergonhosa do nosso país. Uma ficção mas com certeza retratando muito bem a triste marca da escravidão brasileira.
    Eu assisti essa história na forma de novela, lembro bem que na época foi uma comoção nacional, as pessoas paravam para assistir as desventuras de Isaura. Muito boa, nunca esqueço da Lucélia Santos jovenzinha no papel da escrava Isaura,e do abominável Leôncio.
    Quanto ao livro infelizmente nunca li, mas amei essa nova edição, só não entendo uma história cheia de reviravoltas ser compactada num livro de menos de 200 páginas. .mas deu saudade desse tempo.
    Bernardo Guimarães sempre atual.

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