13 agosto 2018

Resenha: 20 mil Léguas Submarinas


Título: 20 mil léguas submarinas
Autor: Jules Verne
Editora: Zahar
Páginas: 504
Skoob
Onde comprar: Amazon / Saraiva

Sinopse: Resgatados do mar e feitos prisioneiros pelo enigmático capitão Nemo, o professor Aronnax, seu fiel ajudante e o exímio arpoador Ned Land passam a viver a bordo do prodigioso submarino Náutilus.
Navegando águas remotas, lançando-se em ousadas caminhadas pelo fundo do mar, enfrentando criaturas das profundezas, esses homens viverão emoções conflituosas e descobrirão a exuberância da flora e da fauna marinhas, numa inesquecível viagem por 20 mil léguas submarinas!

                         



“O Ano de 1866 notabilizou-se por um acontecimento insólito, fenômeno inexplicado e inexplicável do qual certamente ninguém se esqueceu. ”

Não há descrição melhor do que esta para se tratar desta história: Inesquecível! Esta resenha será repleta de acontecimentos épicos, então vamos colocar a imaginação para trabalhar e embarcar nesta incrível jornada submarina!

20 mil léguas submarinas é um livro de alta ficção científica, e quando diga alta, quero dizer que esta carregado de termos científicos em suas descrições e reflexões. Inclusive o autor é considerado o precursor deste gênero, fazendo diversas previsões com seus livros. Este em particular previu a invenção do submarino, por exemplo.

Mas vamos a história: o livro começa com um grande mistério: alguma coisa esta fazendo o terror das embarcações e navios no ano de 1866. Várias especulações e teorias surgem a partir dos relatos destes terríveis incidentes. Algo assustador esta rondando os mares e oceanos do mundo e as grandes nações estão totalmente alarmadas. Diversas teorias surgem e ninguém nunca consegue chegar a um veredito final sobre o que realmente esta tirando o sono de quem se aventura pelos oceanos, ou mesmo de quem o utiliza para trabalho, algo muito comum na época. E apenas duas opções são aceitas como prováveis para o intrigante mistério.


“Restavam então duas soluções possíveis para o problema, as quais congregavam dois clãs bem distintos de adeptos: de um lado, os que se inclinavam por um monstro de força colossal; do outro, os que pendiam para uma embarcação “submarina” de extrema potência motora”

Por um triste “acaso”, um importante navio dos Estados Unidos é avariado nesta história toda e o governo resolve tomar providências: uma expedição para a caça e eliminação do grande mal, e isso, a bordo de um navio chamado Abraham Lincon. E é aí que conhecemos nosso protagonista e alguns dos personagens que mais aparecem nesta história: o renomadíssimo professor e naturalista francês, Aronax que é prontamente convidado a fazer parte desta gloriosa expedição, seu fiel assistente Conselho e o arpoador Ned Land.

O Professor Aronax é uma pessoa inteligentíssima, que não mede esforços quando se trata de pesquisa científica, e vê nesta grande expedição a chance de sua vida de pôr em prática seus estudos, pois afinal, ele é um dos que acreditam que o terrível mistério dos mares se trata de uma criatura ainda desconhecida da ciência, e inclusive já tem sua própria teoria do que ela é. Conselho, seu assistente é uma pessoa totalmente focada em servir seu patrão. Ele é um talentoso taxonomista que vive em classificar as mais diferentes espécies de animais da face da Terra.  Já Ned Land é o  eficiente arpoador que faz parte da tripulação do navio e que mete medo em qualquer cachalote ou baleia de qualquer tipo. Um excelente guerreiro dos mares que possui uma personalidade bruta, porém honrada.

A jornada começa finalmente, e a bordo do navio, logo Ned Land é apresentado ao professor e seu assistente e desenvolvem uma amizade. Muitas conversas de cunho científico começarão a pipocar e tronar-se frequente a partir deste ponto da história, e o leitor menos preparado poderá sofrer com isso. Muitos consideram estas partes terrivelmente chatas, porém para os curiosos e entusiastas, são um prato cheio.

“-Pois bem meu digno arpoador, se vertebrados com várias centenas de metros de comprimento, e volume proporcional, vivem em tais profundezas, eles cuja superfície é representada por milhões de centímetros quadrados, é em bilhões de quilogramas que devemos estimar o empuxo externo que sofrem. ” 

Apesar do excesso de detalhes científicos que o autor nos brindará daqui para a frente, onde termos de unidades de medidas e classificação taxonômica se farão muito presentes, acredito que o principal foco a qual devemos ter para com esta narrativa, seja sua parte de aventura.


Uma vez que nossos personagens já têm suas relações estabelecidas, acontecimentos a bordo levarão eles a adentrarem em uma jornada muito maior do que eles sonharam, levando nós leitores junto com eles. Um incidente terrível ocorre no navio e nossos heróis ficam à deriva. Porém nem tudo está perdido, já que um colossal veículo submarino resgata o professor Aronax e seus amigos, salvando-os da morte certa.

“Subitamente um barulho de ferragens empurradas com violência produziu-se no interior da embarcação. Uma placa foi erguida, um homem surgiu[...], Instantes depois, oito homens corpulentos, usando máscaras, apareceram silenciosamente e nos arrastaram para as entranhas de sua máquina transcendental.”

Confusos, logo nossos protagonistas descobrem a quem a embarcação submersa pertence: ao enigmático autointitulado Capitão Nemo (agora já sabemos de onde a Pixar tirou o nome de Procurando Nemo). Nemo, é um homem totalmente diferente do que conhecemos. Ele é uma criatura que com o tempo sabemos que se desprendeu e cortou relações com a superfície terrestre. Um homem amargurado, porém com um ideal que ele leva ao extremo: conhecer e dominar os oceanos de nosso planeta. Mas apesar de tudo, nosso capitão dá muito valor as mais diversas formas de vida, o que, descobrimos rápido na história. E tudo isso a bordo de sua monstruosa criação: seu submarino Nautilus. O Nautilus é sem dúvidas uma máquina a frente de seu tempo, uma obra prima que aos olhos do professor é uma honra estar dentro dele. Conselho partilha da curiosidade de seu patrão, e apenas Ned Land se vê encurralado naquele veículo que para ele é totalmente fora de seu entendimento. Mas apesar de Nemo ter salvo a vida de nossos amigos, ele deixa bem claro que uma vez dentro de seus domínios, eles jamais sairão dele.

“ - Capitão Nemo, declarei, [...] como alcança grandes profundidades? Como sobe à superfície? Enfim, como permanece no meio que lhe convém? Eu estaria sendo muito indiscreto com essas perguntas? 
- De forma alguma, professor - respondeu-me o capitão, após ligeira hesitação -, uma vez que nunca mais deixará esta embarcação submarina.” 

Cientes de seus destinos, nossos amigos não têm outra alternativa senão “mergulharem” nesta jornada mais do que épica ao lado do Capitão Nemo e de sua estranha tripulação, que inclusive se comunica em uma língua própria.

Deste ponto em diante, 90% desta história se passa submersa. A partir daí vamos viajando junto com os personagens de Jules Verne até os confins dos oceanos nas mais diversas aventuras. Somos apresentados a recifes gigantescos de corais, a criaturas que jamais ouvimos falar que habitam as profundezas dos oceanos, a perigos como tubarões raivosos, caçadas a pérolas colossais e valiosíssimas, e tudo isso não é nem de perto tudo o que nos aguarda nesta incrível viajem submarina.
Definitivamente este livro não deve ser lido com pressa, e sim degustado com calma e com bastante curiosidade. E com certeza para uma experiência total, eu recomendo muito ao ler, estar com o Google Imagens aberto. Sério, vai ajudar muito acompanhar com imagens todos os lugares e as fabulosas criaturas citadas na jornada.

Sem dúvidas nenhuma somos através destes episódios, apresentados as características e personalidade tanto do Capitão Nemo, quanto do trio de personagens iniciais. Ficamos conhecendo seus medos, modo de agir e seus princípios. E a história vai os levando a alguns rumos que não necessariamente temos respostas, apesar de ela terminar bem redondinha. Mas, será que tudo realmente deverá ser explicado? Por que sim, no meio da história esbarramos com alguns mistérios a respeito de nossos personagens. Mas apenas na leitura do livro as perguntas dadas são respondidas, ou não...


Enfim, eu recomendo muito este livro para quem assim como eu é curioso e não se importa de levar esta leitura com calma e paciência. É preciso relevar o exagero de termos científicos e aproveitar a parte de aventura que o autor nos presenteia. Vai valer muito a pena se levarmos isso em consideração. A edição da Zahar para este livro esta impecável, apesar de pocket, é cheia de ilustrações, de capa dura e folhas amareladas. Uma verdadeira edição bolso de luxo.

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11 comentários:

  1. Que senhor clássico!!!!
    Acabei lendo uma versão bem antiga deste livro e claro, adorei cada página. Mas é como você citou, não é um livro que deva ser lido de uma vez, mas creio eu, que em páginas bem devagarinho, como se realmente estivesse fazendo a viagem junto com os personagens.
    Julio construiu um cenário único, com personagens que mesmo depois de tanto tempo,ainda dão o que falar.
    Edição linda esta!
    Super recomendado.
    Beijo

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  2. Nossa Eduardo que resenha bem escrita, parabéns!
    Nunca tinha ouvido flar desse livro acredita?
    Eu gostei mto, a capa e sinopse me chamaram atenção, agora conhecendo um pouco sobre o que se trata preciso ler pra ontem....
    Bjs

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  3. As edições de clássicos da Zahar arrasam de mais e esse não e exceção, que livro lindo! Já li sobre esse livro e fiquei muito interessada, ainda mais querendo conhecer clássicos. Fiquei receosa quando me disseram que as partes científicas que são bem descritivas se torna maçante, mas fico feliz agora em saber que tirando isso é uma aventura maravilhosa em si. Fiquei ainda mais curiosa e com vontade de ler!

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  4. Olá! Confesso que não conhecia o livro, mas toda a história parece fascinante. Adoro esse tipo de leitura, cheia de aventura e mistério, apesar de ficar um pouco perdida com alguns termos, acredito que uma pesquisa rápida no Google vai me ajudar a aproveitar e muito toda a história. E como você disse deve ser lida aos poucos, para melhor proveito. A edição está realmente muito bonita, sem dúvida uma ótima aquisição para a minha estante (risos).

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  5. Oi, Eduardo,

    A maneira que o autor encontrou para apresentar algo - para chegar no ponto principal -, é totalmente agilizada, visto que o enredo une e engloba dois elementos fundamentais. O que pode render para o leitor momentos eufóricos e de total atenção.

    No entanto, não é o tipo de leitura que eu curto, mas não posso negar que o livro possui uma proposta chamativa, e aparentemente bem desenvolvida.

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  6. Eu percebi pela resenha o quanto você gostou do livro, realmente um clássico citado em todas listas dos melhores livros. Apesar de tudo isso não me arriscaria a ler, por vários motivos, desde o estilo ,os termos técnicos, e só de pensar nos personagens passarem quase todo tempo submersos já me dá uma angústia. Bom que a história termina redondinha como você falou, e que o livro lida bem com os relacionamentos dos personagens, naturalmente muito é mencionado pois são poucos vivendo num ambiente recluso.Pra quem curte uma aventura acredito que seja leitura obrigatória. Essas edições da Zahar são lindas mesmo.

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  7. Eduardo!
    É a boa ficção transcrita por Vernee de forma ilustrada, fantástico.
    Quem não leu ainda não pode se transportar para dentro do Nautilus e singrar os mares em buscas de aventuras...
    Embora reconheça que a leitura não flui em todos os momentos, gosto demais de detalhes.
    cheirinhos
    Rudy

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  8. Oi, Eduardo!
    Não curto ficção científica, ainda mais aqueles livros carregados de termos e detalhes científicos como você disse que 20 Mil Léguas Submarinas possue, sinceramente eu acho isso bem confuso, prefiro livros leves e simples, sabe?!... Provavelmente por isso não fiquei curiosa para desvendar o mistério sobre as embarcações e acompanhar a aventura dos protagonistas, e por isso eu não leria esse... Abraços!

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  9. Oi Eduardo!
    Eu comecei a ler esse livro há uns bons anos e não consegui prosseguir com a leitura, acho que por eu ser muito nova e ele ter informações demais pra minha cabeça haha Espero conseguir dar uma chance à ele novamente em algum momento! Achei a capa dessa edição um luxo!!

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  10. Oi Eduardo.
    Eu ainda preciso ler esse livro. Como sou da área da saúde, a parte científica é algo que sempre me interessa, mas que não encontro tanto nos livros de ficção.
    A parte de aventura bastante bem envolvente e cheia de reviravoltas.
    Espero ter a chance desse livro logo.
    Achei essa edição lindíssima.
    Beijos

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  11. Esse foi um dos primeiros livros que li na escola e, por conta da pouca idade, não pude aproveitar ao máximo o que foi a experiência da leitura. Mas a vontade de reler a obra em algum momento permanece comigo. Acho fascinante todo o universo e personagens criados pelo autor, as aventuras pelas quais eles passam e as resoluções a que chegamos. Confesso que o exagero dos termos científicos talvez seja um pouco cansativo e monótono, mas não acredito que isso tire o brilho da história. A edição está realmente linda, eu jamais diria que ela é de bolso se tu não tivesse comentado.

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