14 março 2017

Resenha - O amor em primeiro lugar



Título: O amor em primeiro lugar
Autora: Emily Giffin
Editora: Novo Conceito
Skoob | Goodreads
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon | Saraiva

Uma tragédia familiar muda tudo na vida das irmãs Josie e Meredith. A tristeza torna-se algo recorrente, mas elas fazem de tudo para seguir em frente. E seguem... Quinze anos mais tarde, Josie e Meredith não têm um relacionamento harmonioso. As diferenças de personalidade delas, que já existiam antes da tragédia, estão ainda mais acentuadas. Elas se veem com frequência, mas não se entendem. Uma vida marcada pela tristeza velada e por segredos que as afastam cada vez mais. Será que Josie e Meredith vão conseguir se libertar de seus medos e se abrir para o novo? Será que, finalmente, elas conseguirão seguir em frente de verdade? “O Amor em Primeiro Lugar” é uma fascinante história sobre família, amizade e a coragem de seguir o próprio coração.









"É o primeiro dia de aula, um começo simbólico e cheio de esperança. Ao menos, é o que digo para mim mesma diante da minha plateia cativa e bem-cuidada de dez meninos e onze meninas, usando meu melhor traje J. Crew — sapatilhas douradas, calça cinza e uma blusa rosa com lantejoulas. Sentadas de pernas cruzadas no tapete bordado, algumas crianças sorriem para mim, enquanto outras estão inexpressivas, esperando sem julgar. É a beleza dos alunos da primeira série. São sinceros e não há cansaço entre eles."

Josie e Meredith eram irmãs, porém, não possuíam quase nada em comum, principalmente depois que a vida de ambas mudou, há quinze anos atrás quando Daniel, seu irmão, faleceu em um acidente de carro e a vida da família se despedaçou. Passados quinze anos do acidente, Meredith é uma ótima advogada, casada com o melhor amigo de Daniel e mãe de uma linda menina de quatro anos, mas não consegue se sentir feliz com sua família, com seu trabalho e com o que é, e se tornou uma mulher amarga com todos ao seu redor. Já Josie, é uma mulher animada, simpática, que mora com o melhor amigo, e que aos 37 anos tem um grande objetivo na vida, se tornar mãe, mas a sua busca por um parceiro se mostra infrutífera, até que ela resolve entrar em um empreendimento arriscado e admirável: encontrar um doador anônimo, e fazer uma fertilização em uma clínica, para ter um bebê sozinha.
"Balanço a cabeça em concordância, pensando que é o começo perfeito de uma discussão séria, mas também me perguntando se o que faço não é um problema maior do que a pessoa com a qual estou. Afinal, se você não está feliz com sua vida, não pode estar feliz compartilhando-a com outra pessoa, não é? Parece algo que Amy diria. Na verdade, acho que ela disse mesmo isso."

Quando Josie anuncia sua grande decisão para a família, mais uma vez Meredith vai contra a irmã e declara sua aversão a ideia, apresentando muitos argumentos contra. Então, a relação das irmãs que já era abalada se racha ainda mais, e quanto mais o aniversário da morte de Daniel se aproxima, mais elas embarcam em divergências, uma vez que Meredith quer lembrar o irmão, já Josie se recusa a falar nele ou a visitar o cemitério. Porém, com a ideia da chegada de um filho e querendo se entender com a irmã, Josie aceita pensar e falar novamente em Daniel, porém, muitos segredos vem à tona e ameaçam acabar definitivamente com as relações familiares, ao mesmo tempo que as irmãs lutam com seus próprios dilemas pessoais, sendo que Josie quer construir a sua própria família, e Meredith pensa em como seria abrir mão da sua.

"Mudamos de assunto depois disso, falando de coisas mais leves, fingindo que nada aconteceu, como sempre fazemos até em nossas maiores discussões. Talvez seja uma forma de negação. Talvez seja a melhor forma de agir quando duas pessoas são tão diferentes, como Meredith e eu somos. Talvez seja apenas um jeito estranho de expressarmos amor e perdão, que geralmente são uma coisa só."

Trazendo personagens bem construídos, um enredo cativante, uma escrita deliciosa e temas interessantes, tratados de forma leve, Emily Giffin construiu uma obra viciante e inesquecível

"O tempo é uma coisa complicada, disse Daniel para sua mãe ainda quando criança. Quando você quer aproveitar algo, o tempo passa voando. Quando você quer superar algo, ele se arrasta eternamente. Elaine Garland registrou a frase no diário porque era uma observação muito astuta para um menino de oito anos."



[- Minhas Impressões -]

Esse é um daqueles livros que começamos sem qualquer pretensão de que seja bom. Peguei-o apenas como uma leitura para passar o tempo, pois vinha querendo algo leve e que tratasse de família. Mas a medida que fui conhecendo os primeiros capítulos, me vi presa ao livro, ao ponto de não conseguir largá-lo para qualquer outra coisa, tanto que não passei nem 24 horas com a obra, de tão rápido que a devorei e ao final, fiquei completamente encantada e louca para ler mais alguma obra da autora, embora eu já tenha lido outro livro dela há muitos anos.

Confesso que nessa história, uma das protagonistas, Meredith, foi uma das personagens mais chata e amarga que encontrei nessa minha vida literária, e sempre que eu encontrava um capítulo dela, tinha uma vontade intensa de pular direto para Josie, mas nem isso tirou o quão incrível foi essa experiência literária.

Tudo bem, não posso dizer que é um livro  cheio de grandes surpresas, porque não é, na verdade é uma história simples, que aborda assuntos cotidianos de uma forma muito intrigante e gostosa, de modo que faz com que nos identifiquemos com os personagens e entendamos seus dilemas, seus problemas, e sentimos que aquelas famílias poderiam ser nossos vizinhos ou amigos, e ele é reconfortante, nos fazendo sentir emoção, felicidade, dentre várias outras coisas.

O ponto mais positivo, foi, certamente, a forma como a autora soube abordar os dramas, não deixando-os intensos, e sim apresentando-os de uma forma leve, sem, no entanto, deixá-los perder a importância e também os diversos assuntos que ela nos traz, principalmente mostrando o universo feminino de diversas perspectivas: de um lado, Josie, que quer ser mãe, ter uma família, e por outro, Meredith, que tem tudo isso mas quer se libertar desse estereótipo mãe, profissional bem-sucedida e mulher que suporta tudo por um casamento; então, de certa forma Emily nos apresentou os dilemas que a maioria de nós, mulheres, enfrentamos em algum momento de nossas vidas. Além disso, achei incrível a construção das personalidades, tão divergentes, tão opostas e tão batalhadoras a sua maneira.

O único ponto realmente negativo para mim, foi  a presença de Meredith  e suas decisões e pensamentos. Durante todo o tempo fiquei bastante irritada com todo o seu comportamento, pensamentos e amargura, mas consegui superar tudo isso por causa dos temas apresentados e pela presença de Josie, mas creio que alguns leitores poderão não conseguir ser tão tolerantes e essa personagem pode se tornar um grande incômodo durante a leitura.

Os personagens em sua maioria são cativantes e absolutamente todos foram bem construídos. Temos aqui a desconstrução de uma série de estereótipos, de expectativas, e eles nos ensinam sobre o perigo de esperar certas atitudes de alguém, de querer mudar outra pessoa ou de fazer algo por pressão, pensando que depois isso pode vir a ser bom.

Certamente a minha personagem favorita é Josie, e não consigo expressar o quanto adorei-a e fiquei com vontade de trazê-la para a vida real. Também amei Harper, a filha de Meredith, muito encantadora e fofa. Além disso, o núcleo masculino do livro, Pet, um cara que Josie conhece, Gab, o melhor amigo de Josie, e Nolan, o marido de Meredith são homens românticos, fortes e pelos quais me apaixonei um pouquinho.

O livro é dividido em trinta e cinco capítulos de tamanho razoável. A narração é alternada, sendo que no primeiro capítulo vemos a visão de Josie, no segundo a de Meredith, e assim segue sucessivamente; realizei a leitura em ebook e não encontrei erros.

Recomendo essa obra para os leitores que gostam de bons chicklits, com uma pitada de romance e temas bastante reais e sérios, mas que trazem uma leveza incrível.

17 comentários:

  1. Já tinha visto este livro por aí, mas entre um rolar e outro em sites de livros, jamais havia parado para nem ao menos saber do que se tratava. Achei ele interessante para curar ressaca literária, para quebrar o tédio. Amo livros mais realistas também, além dos que costumo ler. Vou incluí-lo na minha lista de futuras leituras e quando a lista chegar nele certamente o lerei. Agradeço a diquita!

    |amorlivresco.wordpress.com|

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  2. Oie, tudo bem?
    A capa desse livro é linda, masn ão sabia do que se tratava! Parece uma história bem gostosa de se ler, e daria um ótimo filme! O fato da Meredith ser tão amarga talvez seja pra enaltecer mais a Josie, será que não? Acho que foi proposital, haha. Parabéns pela resenha!

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  3. Oie! Tudo bem?

    Estou com dois livros da editora aqui em casa e louca para realizar a leitura deles, espero em breve pegar algum para ler! Sobre esse a capa é bastante conhecida, mas nunca havia lido algum resenha sobre ele e depois da sua vejo que tenho grandes chances de amar alguma história da autora!

    Bjss

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  4. Esses livros com temas mais familiares geralmente possuem histórias mais simples mesmo, mas geralmente elas são encantadoras, como pude perceber através de sua resenha. Eu recebi o livro da editora, mas até agora não li, a verdade é que estava esperando as resenhas começarem a sair, e agora isso está acontecendo. Personagens cativantes e bem construídos têm o poder de transformar uma história. Acho que será uma leitura que me.fará muito bem.

    Beijos

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  5. Oi Tamara, tudo bem?
    Desde que o livro foi lançado, fiquei bem curiosa com a premissa dele. Acho conflitos familiares bem interessantes quando abordados forma bem leve e fico feliz em saber que é o caso desse livro. Estou bem curiosa para saber como essas duas irmãs tão diferentes irão lidar com os dramas envolvidos e se conseguirão discutir melhor sobre o irmão falecido sem que isso cause algumas consequências entre elas. Anotei a dica!

    Beijos! ♥

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  6. Oi Tamara,
    Os livros da Emily sempre me chama a atenção, mas ainda não tive oportunidade de ler. Vixii isso de personagem amargurada demais as vezes me irrita.
    Mas livros com dramas familiares costumam me agradar muito e os livros da Kristin Hannah, que amo de paixão são provas disso. rsrsrs Espero poder ler um dia.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  7. Olá Tamara,
    Que bom que você gostou dessa leitura. Estou com meu exemplar em casa, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Gostei de conhecer suas impressões e fiquei curiosa para entender essa sua ressalva com relação a Maredith.
    A autora ter o "dom" de desenvolver bem os dramas que ela traz esses livros e aqui ela parece ter feito isso muito bem.
    Dica anotada, sem dúvidas.
    Beijos

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  8. Olá, Tamara!
    Tanto pelo título do livro quanto por sua capa e sinopse, temos a impressão de uma obra sem muitas pretensões realmente. Entretanto a história entre a família, ressurgir assuntos do passado e a decisão da protagonista de realizar uma fertilização in vitro parecem segurar a obra. Quem sabe eu não faça a leitura entre uma obra e outra?
    Abraço.

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  9. Oii então eu acabei comentando no outro post seu sobre os quotes. Então eu gostei mesmo da história, é um drama incrível, leve como você disse e também com abordagens interessantes, de como pode ser diferentes as personalidades das pessoas, mesmo parentes, pessoas que pensam e agem diferente, assim como Josie e Meredith. E também concordo com você o quanto é ruim quando não gostamos de algum personagem o quanto isso atrapalha a leitura, mas se o enredo é bom sempre compensa o resto. Parabéns pela resenha, beijos.
    http://fonte-da-leitura.blogspot.com.br/

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  10. Oi, acho que uma história não precisa ser complexa para ser boa... e esse parece ser o caso dessa obra. Apesar de ser algo simples a princípio, o que ela traz como enredo leva o leitor a refletir... e definitivamente não sabia que poderia existir alguém tão amarga como Meredith, tudo bem que é difícil passar por algo tão triste assim, mas tem um limite né? kk Gosto que haja leveza na história sem tirar a seriedade, levando o leitor a ler e aprender com a obra. Sem falar que realmente deve ser muito boa para que você tenha lido em tão pouco tempo <3 Vou pegar para ler e espero gostar e me envolver tanto quanto você!
    Um beijo
    www.brookebells.com

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  11. Oie...
    Adorei a sua resenha!
    Nunca li nada da Emily, mas, fiquei bastante entusiasmada com a sua resenha! O que mais gostei foi o fato de ser uma história mais sobre o cotidiano, sem muitas surpresas... Adoro histórias assim, são mais reais ;)
    Beijos

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  12. Oie
    muito legal sua entrevista, eu li alguns da autora e todos gostei muito, esse parece ser tão legal quanto os outros e espero ter oportunidade de ler em breve, um bom romance é sempre bem vindo e parabéns pela resenha

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  13. Oiee
    Aaaaa q raiva estou de mim agora... encontrei esse livro no sebo por um preço mara mas achei que eu não iria gostar. .. li a sinopse é achei q poderia ser uma leitura "mais do mesmo".
    Sua resenha ficou ótimo e me instigou bastante o que me fez me arrepender de não ter comprado.
    Acho que o enredo, mesmo sendo "simples", eu acabaria gostando. Enfim, vou ver se passo lá de novo... kkkk.
    Parabéns pela resenha!
    Bjo

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  14. Oi Tamara,
    que bom que a autora abordou os dramas de forma leve, já havia desistido do livro na sinopse justamente por achar que seria uma narrativa pesada. A verdade é que tenho meus receios com a escrita dessa autora, já tentei ler outras obras dela que não fluíram de forma alguma, talvez essa seja a oportunidade de tentar novamente ler algo dela.

    Abrçs
    Delmara Silva

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  15. Oi Tamara, tudo bem?
    Sabe que faz tempo que eu não leio nada da autora e esse livro chamou muito minha atenção. Gostei do enredo contagiante e com essa carga boa de drama, sua resenha está muito boa mesmo, meus parabéns!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com

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  16. Oiee!
    Gosto desses dramas familiares, pois retratam bem nossa vida real né? Porque todos nós vivemos dificuldades nos relacionamentos familiares, perdas e coisas desse tipo...
    O fato de as protagonistas serem duas mulheres tão diferentes também me atraiu, pois temos a oportunidade de vislumbrar duas posições em relação ao trabalho, à familia, aos filhos e às prioridades da vida...
    Obrigada pela dica!!
    Um beijo

    www.asmeninasqueleemlivros.com

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  17. Oi Tamara,

    Tenho muita dificuldade em ler livros que não gosto de algum personagem principal, e nesse caso que existem capítulos narrados pelo personagem chato, são mais dificílima ainda. Não me interesso por dramas. Acho que vou deixar essa sua dica passar.

    Beijos e obrigada pela resenha
    Flora Literária

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