12 agosto 2022

Resenha - O Capo da Máfia



O livro conta a história de Bruno Graziani e sua família e tudo começa na Itália mais precisamente na Sicília... Bruno é um homem honesto e muito trabalhador. Casado com Isabel e pai de cinco filhos, então o camponês vê sua vida sofrer uma reviravolta quando é abordado por Emílio, responsável pela vinícola em que trabalha e que o leva ao encontro de Don Vitório Panagio, conhecido e temido por todos devido ao seu enorme poder, bem como a reputação de ser um homem violento que mata, tortura e comete vários crimes por toda a região. 

Don quer que Bruno trabalhe para ele transportando algumas bebidas de um armazém para outro, que elimine os barris de vinho e as uvas que estiverem estragadas, e que monte guarda para que as mercadorias não sejam roubadas. Bruno aceita a oferta de trabalho pois sabe que não pode recusar e dizer não para o Don e assim o seu destino é selado.


"Agora escute bem: - o homem retirou o copo da mão de Bruno e colocou em cima da mesa - não diga a ninguém que me conheceu, nem mesmo a sua esposa. Sou um homem que tem seus inimigos. Não quero que ninguém saiba que sou o dono dessas terras e que você irá trabalhar para mim. Você compreende?"


Após esse encontro, Bruno segue para casa, para sua esposa e seus cinco filhos: Vincenzo, Rute Domênico, Maria e Geovani. A família vive com pouco, mas todos são imensamente felizes, o lar é cheio de alegria e amor, e o casal desfruta de muita cumplicidade entre si. Porém, o clima de felicidade da família Graziani logo chega ao fim e se transforma em agonia, sofrimento e desespero quando uma enorme tragédia se abate sobre suas cabeças e os obrigam a fugir para salvarem suas vidas. 


Com a ajuda de amigos leais, os Graziani fogem para Nova York e lá começam uma nova vida, todavia, o perigo é constante em se tratando de imigrantes. As gangues estão por toda parte e dominam o bairro do Brooklyn, local onde a família reside. A situação em que se encontram é muito difícil, mas aos poucos as coisas vão melhorando na medida que vão conseguindo trabalho. Contudo, os Graziani se veem novamente ameaçados pela figura de um novo Don, considerado um homem de negócios e filantropo. Seu nome é Alberto Mazza e ele oferece proteção a família, desde que eles lhe pague um valor todo mês.


"Nesse bairro há muito perigo. Para continuar fazendo o bem para os italianos, eu preciso de dinheiro, pois tenho muitas despesas com pessoas contratadas."



Mais uma vez os Graziani estão em perigo e isso faz com que Domênico acabe se envolvendo com todo o tipo de gente para defender e proteger sua família custe o que custar.


"Por um momento pensou em uma frase que há muito lhe perseguia, "todos os momentos, sejam eles bons ou ruins, simplesmente passam."





[- Minhas Impressões-]

O enredo de O Capo da Máfia foi construído de forma excelente pelo autor e através de sua narrativa impactante, ele nos apresenta uma história que se inicia na Sicília (Itália), mas que ganha força com a chegada da família Graziani em Nova York, um ambiente totalmente novo e desconhecido para eles.

O livro conta a história de Bruno e sua família em 1911, em uma época em que a máfia detinha todo o poder e causava o terror em toda a Itália e a partir daí, fui tomada pela curiosidade em saber com o que me depararia na trama e digo que foi uma surpresa atrás da outra. 

A história traz personagens pelos quais é impossível não sofrer e torcer para que as coisas melhorem logo, afinal, quem não se simpatiza e até mesmo se identifica com uma família acometida por uma grande tragédia, não é mesmo? 

Mas o que mais chama a atenção para os Graziani é a força que eles têm individual e coletivamente, cada dia se reinventando, se adaptando e se fortalecendo nas perdas e rasteiras que a vida lhes impôs. A empatia por Isabel, a mãe valente e batalhadora que luta com sacrifício para manter a família unida foi algo que realmente me emocionou muito enquanto lia. Os irmãos carinhosos, preocupados e zelosos uns com os outros e com a mãe, principalmente, me encheu de ternura e contentamento, bem como o amor incondicional de Bruno por sua família.

O autor me apresentou a um mundo completamente inexplorado por mim até então, pois o meu conhecimento sobre a máfia sempre foi muito raso e superficial e em seu livro eu pude ter um vislumbre de toda a magnitude do que a mesma representa.

Foi uma experiência incrível, surpreendente e ao mesmo tempo chocante, já que a máfia não se trata de algo inventado, ela realmente existiu e ainda existe nos dias de hoje e o autor explorou muito bem esse universo com bastante ação, violência drama, vingança e derramamento de sangue. 

Cada personagem tem uma importância e peso gigantesco na história, mas Vincenzo e Domênico carregam consigo a lembrança do medo que viram nos olhos do pai no dia em que a vida deles mudou para sempre e isso é algo que eles não conseguem esquecer e que o autor pontuou de forma extraordinária em sua obra, além de vários relatos da época em que a história se passa, já que o ano é 1911.

Eu gostei muito da leitura e mergulhei fundo na história da família Graziani. Foi muito gratificante conhecer a escrita envolvente e contagiante do autor e eu deixo aqui o meu convite para você, que porventura esteja lendo essa resenha, que leia o livro e conheça a escrita maravilhosa do autor Marcelo Voigt Bianchi.



09 agosto 2022

Resenha - O Mergulhador





A resenha de hoje é do tão aguardado e ansiado livro 2 da "Saga Chicote". Eu estou falando de O Mergulhador, do autor Nuno Rebelo, que chegou chegando com mais uma trama arrebatadoramente instigante e eletrizante.

Na sequência do livro anterior, um novo serial killer passa a ocupar os pensamentos da dupla de detetives, formada por Grego e Romano e embora ainda pensem bastante no caso "CHICOTE", o foco agora está sobre o assassino que vem matando suas vítimas (todas mulheres), usando a água como arma e deixando como uma espécie de marca registrada um X feito com fita isolante nos mamilos das vítimas. A investigação tem início após a polícia receber o chamado de uma senhora que trabalha como zeladora em um prédio. Ela está preocupada com o sumiço de uma das moradoras, a qual não vê faz alguns dias. Logo que chegam, Grego e Romano entram no apartamento e encontram o corpo da mulher no banheiro, mais precisamente dentro da banheira, no que parece ser uma cena de suicídio. Todavia, os anos de profissão, bem como os olhos treinados dos detetives os levam a acreditar que toda a cena tenha sido forjada para encobrir um crime.


"-- Foi assassinada e posta na banheira sem resistência. Veja, não há sinais de luta e nem de coisas fora do lugar."



Jairo, morador do andar acima do da vítima recebe a visita de Grego e Romano e acaba rolando uma tensão entre eles, já que Jairo parece ter algo a esconder, mas isso o leitor só irá descobrir mais para a frente na história. A morte de Vanessa é só o começo de uma trama intricada e logo outras vítimas surgem, mas enquanto não tem nenhuma pista sobre a identidade do serial Killer, Romano vai para sua consulta obrigatória, após o caso CHICOTE com a psicóloga Carla, por quem se interessa instantaneamente.


"-- Espero poder vê-la novamente. Você é linda e inteligente. Até uma próxima oportunidade. - despediu-se, sereno, gostara da imagem de Carla e de seu estilo. Aproximou-se dela como quem daria um beijo no rosto, ela fez o mesmo gesto, mas ele interrompeu no meio do caminho, olhou-a de forma penetrante e confiante, voltou com o rosto. -- Volto aqui pra te ver, Carla."



As investigações do caso seguem a toda, bem como o número de vítimas do assassino, que recebe o título de "mergulhador" e assim passa a ser chamado pela mídia. Grego e Romano seguem algumas pistas que os levam ao encontro de um personagem crucial do livro anterior, o que acaba resultando em desdobramentos sensacionais e de muita ação na trama. Enquanto isso, o assassino passa completamente despercebido e anônimo ao longo da história, porém o autor deixa nítido que se trata de uma pessoa emocionalmente perturbada e que sofre muito a perda de um grande amor.



[- Minhas impressões-]

Eu estava muito ansiosa para a leitura do livro 2 da Saga Chicote e é com grande prazer que digo que foi uma leitura sensacional em todos os sentidos! A começar pela capa, que logo me fisgou, assim como a sinopse, que me deixou com uma enorme vontade de ler o livro, ainda bem que eu li e eu vou dizer o porquê.

 

O autor criou um enredo tão intrigante e atraente quanto o do livro anterior e prendeu completamente minha atenção às paginas do livro. Sua escrita é rica em detalhes e ao mesmo tempo ágil e dinâmica, fez com que eu me envolvesse mais e mais à medida que a história foi se desenvolvendo. Os personagens Grego e Romano estão ainda mais carismáticos e interessantes por eu já conhecê-los do primeiro livro Chicote , bem como suas personalidades, tão distintas uma da outra, mas que se completam e os faz ser uma dupla perfeita. Grego é mais ação e emoção e também mais prático. Ele tem um jeito de ser mais despojado de viver e enxergar a vida. Romano é mais observador, ponderado e questionador. Para ele as coisas quase nunca são o que parecem ser e seus questionamentos internos levam o leitor a refletir bastante enquanto lê.

Os diálogos intensos entre os personagens e o clima de suspense e mistério presente em cada capítulo deu ainda mais fluidez a trama, ao passo que o desespero e a ansiedade tomam conta para descobrir quem é o assassino da vez.


O cenário político também está presente em O Mergulhador e isso se deve a volta de um personagem crucial da história do livro anterior e eu achei que foi uma sacada simplesmente genial por parte do autor, assim como referências feitas a outros personagens, que foram citados pelos detetives no decorrer da história.

 

O autor me surpreendeu bastante com a volta desse personagem e eu faço questão de não falar de quem se trata para que a curiosidade leve o máximo de pessoas possíveis a irem atrás da história do primeiro livro e, consequentemente, desse também, é claro. O final do livro me deixou sedenta e ansiando por mais e eu não vejo a hora de ler o próximo livro dessa série extraordinariamente bem escrita, desenvolvida e muito bem estruturada. Parabenizo o autor Nuno Rebelo e sua mente engenhosamente brilhante por mais um livro incrível.



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