14 junho 2018

Resenha - Aos Dezessete Anos

Título: Aos Dezessete Anos
Autora: Ava Dellaira
N° de páginas: 448
Cortesia: Editora Cia das Letras / Seguinte
Skoob
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Quando tinha Dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro ante de ela nascer.
Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma.
                                                 


Quando decidi ler Aos Dezessete Anos eu só sabia de uma coisa, esse livro iria me fazer chorar, simples assim. Com uma escrita emocionante, a autora nos transporta diretamente para "dentro" das personagens Marilyn e Angie, mãe e filha, que estão tentando viver suas vidas da melhor maneira possível.

Marilyn foge de um passado cheio de dor e perda, mas principalmente, repleto de culpa e autocomiseração. Já Angie busca saber mais de sua existência, tentando encontrar o pai que, segundo sua mãe, havia morrido em um acidente de carro. E por causa dessa parte que falta em sua vida a garota sente que não poderá vivê-la completamente enquanto não resolver o mistério que ronda seu nascimento e a morte do pai que nunca conheceu.

Quando era somente uma garotinha, Angie se conformava com as  poucas e evasivas explicações dadas pela mãe sobre a morte do pai, mas conforme os anos foram passando e ela foi crescendo, a curiosidade e a falta que sente do pai fazem com que passe a questionar Marilyn mais vezes, e a mãe por sua vez sempre tentando desconversar ou dando as mesmas respostas de sempre. Percebendo que Marilyn sofre sempre que toca no assunto, Angie decide deixar para lá, mas um dia suas dúvidas ganham uma força descomunal quando ela encontra uma foto da mãe e do pai adolescentes em uma praia de Los Angeles, felizes e sorridentes.

"Angie olhou para o garoto negro e sorridente que a encarava. Embora nunca o tivesse visto antes, soube instantaneamente que era seu pai.
De repente Angie sentiu um aperto no peito. Queria arrancar o garoto da foto. Fazer com que se tornasse um homem, seu pai. Que fizesse sua mãe sorrir daquele jeito de novo."

A partir do instante em que encontrou as fotos, não tem um único dia em que Angie não se pergunte como seria sua vida se seu pai fosse vivo e a saudade de algo que ela nunca vivera a esmaga sem dó.

Desde pequena Angie sofreu com o estigma de ser filha de uma mulher branca e ainda por cima loira. Não raras foram as vezes em que ao ir ao salão de beleza acompanhada da mãe e da amiguinha de infância as pessoas acharem que a outra criança branca e também loira fosse filha de Marilyn, e não Angie.

Sua mãe sempre teve muito orgulho de Angie e sempre deixou muito claro o quanto a amava e era feliz por tê-la como filha, porém a menina sempre sentiu falta de conhecer essa parte de sua vida que morreu junto com seu pai, pois nunca teve o menor contato com nenhum parente por parte da família dele.

Já Marilyn é uma pessoa muito sofrida, desde muito nova e assim ela teve que aguentar os sonhos mirabolantes de sua mãe, Sylvie, em torná-la uma atriz famosa de Hollywood e fazendo ela passar por vários testes e a ficar longos períodos sem comer, pois sua mãe acreditava que ela precisava emagrecer, Marilyn nunca quis realmente ser atriz. Este é o sonho de sua mãe, que acha que vai enriquecer às custas da filha.

Após retornar à Los Angeles para ficar mais perto dos diretores e testes que a mãe insiste que ela faça as duas vão morar com o tio de Marilyn, irmão de seu pai já falecido. Ao chegar ao prédio onde irá morar, ela tem o primeiro contato com James, o garoto que futuramente irá se tornar o grande amor de sua vida e pai de sua filha.

" - Precisam de ajuda?
A voz é diferente do que Marilyn esperava. Mais suave, tímida. Parece combinar com o azul delicado do céu no fim do dia.
  - Sim, por favor! Que amor. Alguém deve ter mandado um anjo.
A mãe, que nunca recusa a bondade alheia, larga a caixa imediatamente.
  - Meu nome é Sylvie e esta é minha filha Marilyn. Ela faz aniversário hoje.
  - Parabéns - o garoto diz apenas. Marilyn parece sentir o calor irradiando do corpo dele.
  - Obrigada.
  - E o seu? - Sylvie pergunta.
  James."

Os dois passam a conviver muito um com o outro e eles têm sempre a companhia de Justin, o irmão caçula de James. Marilyn e Justin se adoram e os avós deles, principalmente a avó a tratam muitíssimo bem. Diferente do tio de Marilyn, que faz questão de deixar bem claro seu ódio por toda a família do garoto.

O amor nasce entre eles e um dia eles se entregam à paixão, todavia o relacionamento deles irá passar por uma tragédia sem volta, com consequências aterradoras para o pobre coração de Marilyn e, então quando ela descobre estar grávida, sua única certeza é a de proteger e zelar pelo bem estar da criança que carrega em seu ventre. E assim ela parte sem olhar para trás decidida a reconstruir sua vida e ser a uma mãe infinitamente melhor do que a sua já fora algum dia.

Mesclando passado e presente Ava Dellaira me levou às lágrimas em vários momentos desse livro extraordinário, onde a busca de Angie por sua identidade e sua ânsia de e-ncontrar o pai que julgava morto e por familiares que nunca conheceu a fazem mergulhar nos horrores do que realmente de fato aconteceu com James e enfim saber o que sua mãe tem tanto medo de revelar.



[ - Minhas Impressões - ]

Gente, o livro é lindo, humano e visceral! Eu não conhecia a autora e nunca antes havia lido nada de sua autoria. Quando me dei conta de que ela era a autora de "Cartas de amor aos mortos", confesso que fiquei meio reticente em ler o livro, pois minha filha já havia me falado sobre "Cartas de amor aos mortos" e eu lembro que não gostei muito do livro em questão por ser muito dramático.
Eu não sou muito fã do gênero, mas acho que livros assim me perseguem, pois eu sempre acabo lendo mais do gênero do que gostaria (risos). No entanto, devo dizer sem nenhum tipo de vergonha ou culpa que gostei muito mais da leitura do livro do que pensei que seria possível. Eu amei!

O livro é muito sensível e aborda situações muito delicadas e reais como por exemplo, filhos mestiços, morte de um dos pais, preconceito racial, violência doméstica, enfim, o livro é muito real e humano. Conforme fui avançando na leitura, minha simpatia por Marilyn foi crescendo gradativamente, em compensação minha antipatia por Angie também. Sou super solidária à sua busca pela verdade quanto a querer saber mais de sua ascendência, mas penso que ela foi muito ingrata e até estúpida na forma como tratou Marilyn quando decidiu ir atrás de sua história. Não gosto quando os autores criam personagens adolescentes que se acham os injustiçados e começam a tratar seus pais de formas desrespeitosas, porém compreendo Angie até certo ponto.

Outra coisinha que não me agradou muito foi a capa do livro, achei meio sem gracinha, até porque a menina jovem que é retratada na capa não é a Maralyn, e sim Angie, a filha dela. Já que a história aborda mãe e filha na adolescência, porém em anos distintos acredito que seria mais legal ter alguém que representasse Marilyn ou ambas, mas não só Angie. Ela chegou depois e já quer "sentar na janela". Eu sei que peguei no pé dela, mas não posso evitar, eu sou assim.

O final do livro acabou comigo, lembro que já era madrugada quando acabei de ler e eu chorava tanto que meu nariz entupiu (risos). A leitura é riquíssima em sentimento e conseguiu fazer com que eu sentisse como se estivesse acontecendo comigo, por isso vale muito a pena ler Aos Dezessete Anos. É um livro que te faz refletir seriamente sobre a vida, e eu amo livros e histórias assim.

O livro contém 448 páginas, mas a leitura fluiu tão naturalmente que eu nem percebi o quanto de páginas que li, quando dei por mim já estava no final. Gosto de livros assim, que fazem com que eu me conecte à história de tal forma que nem sinta o passar do tempo.

Se você gostou do que leu e se sentiu de alguma forma conectada à história não perca tempo e vem logo ler Aos Dezessete Anos.

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6 comentários:

  1. Estou maluca para ler este livro! Ao contrário de você, eu amo um bom drama e nem preciso dizer que Carta de Amor aos Mortos é um dos meus livros favoritos no mundo todo.
    Amei conhecer as letras da autora e quando este livro foi lançado recentemente, já o coloquei na lista de desejados. Não apenas pela questão do racismo, mas do descobrir origens e claro, da relação entre filha e mãe(nem sempre fácil).
    Acredito pelo que li acima, que é um livro intenso demais, com sentimentos demais e espero ler o quanto antes.
    Beijo

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  2. Oi, Kaline!
    Assim como você também não sou muito fã de livros de dramas, prefiro livros leves, sabe?! Sou muito emotiva e livros dramaticos me deixam com uma baita de uma ressaca literária que parece não ter fim... Por isso já no comecinho da sua resenha fui logo descartando Aos dezessete anos, contudo, a medida que fui lendo sobre suas impressões eu fiquei mais e mais interessada, quero saber se Angie encontrou o seu pai, se ele está vivo ou morreu como sua mãe lhe contou... Só espero que quando eu for ler ao livro a Angie não me tire tanto do sério pois assim como você também não gosto de personagens adolescentes que se acham os injustiçados e comecam a tratar mal aos pais...
    Mas enfim, valeu pela dica, anotada! Abraços.

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  3. Kaline!
    Não entra na minha cabeça que em pleno século XXI ainda exista tanto preconceito, não apenas o racismo, mas qualquer um deles.
    Nunca li nenhumm livro da autora, mas tenho vontade para poder conhecer a ecrita que parece ótima, cheia de melancolismo e que atinge diretamente o leitor.
    Concordo com não gostar do fato da autora trazer uma abordagem onde o adolescente se sente injustiçado, porém tem casos e casos, concorda?
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Ao contrário de você, só de saber que é da mesma autora de Cartas de amor aos mortos, me interessou mais ainda. Essa capa não tinha chamado minha atenção, Mas isso é detalhe,perante sua resenha. Dá muita vontade de conhecer essa história, um drama familiar riquíssimo, cheio de segredos,dores...coisas para esclarecer. Gosto quando o personagem vai em busca da sua história, mas concordo que não precisa ser desrespeitosa, ainda mais com a mãe que pelo visto já sofreu muito com a própria mãe , e esse amor que deixou uma filha que quer saber o que houve com seu pai...Acho que é um livro e tanto.

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  5. Olá! Eu curto um bom drama (daqueles que me fazem soluçar), logo esse é o livro certo para mim (risos). Gostei demais de Cartas de amor aos mortos e espero (percebi) que a autora consiga manter nesse trabalho a escrita maravilhosa que me conquistou de imediato. O enredo é muito interessante e já estou aqui curiosa e reciosa para saber mais sobre o que aconteceu com o pai da Angie. Marylin já me conquistou só com a resenha e espero conhecer e entender melhor o porquê de suas escolhas.

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  6. Kaline lindona, lendo sua resenha consigo perceber a gama de emoções que o livro carrega, então para ler preciso me preparar psicologicamente, amo histórias carregadas de emoções, nem todas autoras conseguem trazer tanta carga emocional, pelo visto nossas protagonistas tem uma vida sofrida, espero me emocionar assim como você. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

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