18 abril 2018

Resenha - Onde está Elizabeth?

Título: Onde está Elizabeth?
Autora: Emma Healey
Paginas: 308
Editora: Grupo Editorial Record
Skoob
Onde comprar: SubmarinoAmazon
                                                             
Como resolver um mistério sem se lembrar das pistas? Maud está ficando esquecida. Aos 80 anos, ela compra pêssegos em calda quando ainda há muitos na despensa e escreve bilhetes para se recordar das coisas. Algumas vezes sua casa parece irreconhecível, e sua filha, Helen, uma completa estranha. Mas de uma coisa ela tem certeza: sua amiga Elizabeth está desaparecida. É o que diz uma anotação em seu bolso. Embora não se lembre da última vez que viu Elizabeth ou mesmo do que aconteceu segundos atrás, Maud se recorda de todos os detalhes do sumiço de Sukey, sua irmã mais velha, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Após um jantar com a família, nunca mais se teve notícias dela. Apesar da polícia e de todos ao redor tentarem convencê-la de que Elizabeth está bem, Maud se mantém firme na missão de encontrá-la. O que ela não imagina é que a busca pela amiga acabará se tornando fundamental para desvendar o desaparecimento de sua irmã.



Maud é uma senhorinha muito inteligente e perspicaz, mas a passagem do tempo é implacável e cobra o seu preço. Sua memória já não é como antes há algum tempo, mas agora está ficando cada vez pior tornando sua vida bem mais difícil e complicada, pois seus pensamentos fogem de sua memória em uma velocidade vertiginosa. E para poder se lembrar das coisas que sua mente lhe nega, ela começa a anotar tudo o que vê, ouve e pensa em pequenos pedaços de papéis, e os coloca nos bolsos de seu casaco ou o que quer que esteja usando no momento, que possa servir de esconderijo para guardar seus bilhetes, que são tudo o que lhe resta de sua memória fugidia.

As coisas só tendem a piorar, já que Elizabeth, sua melhor amiga está desaparecida, e Maud tem certeza absoluta de que algo muito ruim lhe aconteceu.

"Além disso, encontrei esse pedaço de papel escondido dentro da manga da minha camisa: Sem notícias de Elizabeth. Tem uma data antiga em um dos lados. Tenho um pressentimento ruim de que algo aconteceu à minha amiga. Qualquer coisa."

Refém desse terrível pressentimento Maud começa a se recordar com uma facilidade impressionante  do desaparecimento sem explicação de Sukey, sua irmã mais velha logo após a Segunda Guerra Mundial. A nitidez com que ela se lembra daquela época realmente lhe causa assombro, pois como ela se lembra de algo que aconteceu a tanto tempo, mas não consegue se lembrar de fatos ocorridos recentemente? Ainda mais quando se trata de sua grande amiga, Elizabeth?

"Ninguém comia nem bebia nas semanas seguintes ao desaparecimento de Sukey. E ninguém falava também. Mamãe e papai raramente conversavam na minha frente, mas eu ouvia trechos das conversas deles quando achavam que eu estava fora do alcance de suas vozes. A palavra "polícia" era muito mencionada."

O sumiço de Elizabeth aflorou a memória do passado de Maud e trouxe de volta muitas perguntas que estão até hoje sem respostas. Todas elas sobre o sumiço de sua irmã e fazendo com que as histórias de Elizabeth e Sukey se misturem em sua cabeça, colocando-a em situações complicadas e perigosas.

Desesperada por notícias de Elizabeth, Maud começa uma busca desabalada por sua amiga, e por conta própria dá início a sua investigação.

 "- Elizabeth - digo de repente, sem querer.
A mulher do colete acolchoado finalmente olha para mim.
 - Elizabeth - repito. - Ela sumiu."

Os dias se passam em grande velocidade, mas não trazem nenhuma notícia de Elizabeth, mas em compensação sua memória lança várias lembranças de épocas remotas e de perguntas que até hoje estão sem respostas quanto ao que de fato aconteceu para que Sukey, sua irmã, viesse a desaparecer sem deixar rastros.

" - Tem alguém morando aí - concluí.
Douglas abaixou a cabeça.
 - Quem? Douglas, quem é? É Sukey?
Senti uma agitação dentro de mim, meu coração  parecia bater na boca, no pescoço. como se tentasse escapar."

Diante de fatos relacionados ao passado estarem claros como água em sua mente, Maud percebe que está diante de duas situações muito parecidas no que diz respeito ao desaparecimento de Elizabeth no tempo presente, tanto quanto ao desaparecimento de Sukey de muitos e muitos anos atrás, cabendo a ela portanto o dever de elucidar a ambos.



[- Minhas Impressões -]

A premissa do livro me chamou bastante a atenção, pois não é de hoje que sou chegada a uma boa história recheada de suspense, mistério e questionamentos.

A personagem Maud caiu em minhas graças e eu me simpatizei muito por ela. As confusões nas quais ela se metia por conta de seus esquecimentos me divertiu em alguns momentos, mas eu realmente me solidarizei muito por ela quando ficou claro o quanto ela sofria por seus lapsos de memória a estarem prejudicando severamente. Senti muita pena em várias passagens do livro. Os momentos em que ela esquecia  aonde estava, fazendo e até mesmo das pessoas que estavam ao seu redor me comoveram muitíssimo e me fez refletir o quanto estamos a mercê da decadência humana. Afinal, ninguém escolhe esquecer tudo o que viveu em uma vida, mas não podemos decidir quando isso acontece, infelizmente.

Foi bem interessante e agradável de ler a forma como a autora misturou algo tão real como os esquecimentos pelos quais Maud passava com a parte ficcional da história, sobre os desaparecimentos de Elizabeth e Sukey. Achei muito bem feito, especialmente a atenção dada aos momentos de grandes dúvidas de Maud, quando ela não se lembrava de ter comprado tantas latas de pêssego, por exemplo. E aí ela ia lá e comprava mais, e depois ficava se recriminando por já haver comprado tantas e não saber o que fazer com elas.

Houveram ocasiões em que eu fui ficando meio entediada com a história, pois achei que ela estava muito lenta em dados momentos, e eu não via a hora de saber onde de fato estava Elizabeth e o que teria acontecido a ela. Mas somente para o final do livro eu soube e foi um alívio, devo dizer. Agora o que aconteceu com Sukey, irmã mais velha de Maud eu não gostei muito, pois quando a história cruzava passado e presente já dava para imaginar o que de fato havia acontecido, mas nem assim eu gostei. Ficou meio sem graça sabe, parecia que estava faltando algo a mais. Achei bem fraquinho e até mesmo sem emoção o desfecho para o caso de Sukey.

A leitura fluiu bem num todo, foi tranquila e sem grandes sobressaltos. Gostei bastante da capa do livro, ela chamou bastante minha atenção e me instigou a também querer saber onde estava Elizabeth (risos).

Se você também quer saber o que aconteceu à Elizabeth e Sukey te convido a descobrir...


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11 comentários:

  1. Lapsos de memória. Está aí um assunto complicado. Pois o que parece ser engraçado e bonitinho, acaba se tornando algo triste e de certa forma, constrangedor.
    Tenho um pequeno problema com isso, meu marido fala que é lerdeza, mas sei que não é. Por mais que me esforce, minha memória é uma negação(consequências da vitamina B12 muito baixa).
    Mas voltando ao livro, como não o conhecia, achei também com uma premissa muito interessante e mesmo que o segredo não seja assim tão revelador, senti muita vontade conhecer as personagens!
    Vai para a lista de desejados.
    Beijo

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  2. Oi, Kaline.

    Bom, será que a Maud sabia de alguma sobre o desaparecimento da Elizabeth? O esquecimento com certeza pra ela, é um grande empecilho, que ela terá que enfrentar, pois ela é de grande ajuda!

    Seria muita coincidência o desaparecimento de sua irmã, e anos depois, de sua amiga? Estranho, né? Ou, tudo poderia ser fruto causado pela perda da memória.

    Pra ela, isso deve ser terrível (e, talvez, desanimador) e é uma luta constante com sua memória, já que ela está empenhada em desvendar os dois desaparecimentos de duas pessoas muitos queridas.

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  3. Olá Karine.
    Uma protagonista bem diferente tenho que dizer, e simpatizei bem com ela pela resenha. Confesso que por ter passado por algo parecido em minha família sei que dá uma dor no coração vendo Maud sofrer esses lapsos, mas senti que a autora soube colocar humor em suas característica e isso é um ponto positivo!
    Também gosto bastante de investigações, e fiquei super curiosa para saber onde Elizabeth estava e o que aconteceu, vou ter que ler só para descobrir, rs.
    Beijos

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  4. Oi Kaline.
    Esse livro parece um bom suspense. Ter problemas de memórias, sentir-se desorientada ao não saber aonde está ou quem são as pessoas ao seu redor devido a idade é algo assustador para aquele que está passando por isso, e traz uma tristeza e impotência enorme para aqueles que presenciam a situação, pois não há nada que possa ser feito para melhorar a situação. Desde o ano passado a minha vó está tendo esses problemas. Então essa história tem algo que eu poderia me relacionar.
    Fiquei bem interessada em ler esse livro.
    Beijos

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  5. Bom dia Kaline!

    Esse livro já está nos meus desejados para eu comprar futuramente e poder ler, mesmo não sendo muito chegada a esse tipo de gênero, a premissa e a capa dele me deixaram curiosa para saber onde está Elizabeth. Bjs

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  6. Oi, Kaline!
    Apesar de você ter dito que o desfecho para o caso da irmã foi previsível e não tão empolgante, achei a história bem bolada e repleta de características fortes. Por tratar de lapsos de memórias, é incrivelmente facil o leitor se identificar com a personagem, se comover com ela, principalmente porque muitos convivem com essa realidade na próprio dia, com a família. E a autora conciliou isso com o suspense da história, produzindo uma protagonista diferente (já que em livros de romance policial, geralmente as pessoas que buscam resposta são experientes na área), que foi incrível! Na parte da memória, já li sobre casos em que esse alguém consegue lembrar de algo muito marcante em sua vida, como uma música ou poema. A parte da Segunda Guerra Mundial estar inserida em algum trecho do contexto também chamou muito minha atenção!
    Bjs

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  7. Olá Kaline!
    Gostei da trama desse livro, sou apaixonada por suspense, e a Maud pobre vítima dessa doença triste e arrebatadora. Uma angústia de esquecer de tudo coisas simples do cotidiano como compras repetidas e ao mesmo tempo lembrar de fatos do passado, o sumiço da amiga Elizabeth refletindo no desaparecimento da irmã Sukie....e a mesma Maud com tantas restrições é a pessoa que vai descobrir o que aconteceu com as duas...Muito interessante. Vou ler certamente. Achei essa personagem muito carismática.

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  8. Já tinha visto a capa desse livro, mas acho que não sabia ainda sobre o que era a história, apesar de ter imaginado que era um suspense. Achei bem diferente o livro se tratar de uma protagonista que tem uma idade avançada. E ainda tratando sobre o esquecimento. Algo que infelizmente acaba ocorrendo e é triste ver as pessoas esquecendo momentos especiais vividos, nomes, lugares, pessoas e outras coisas. Fiquei animada em saber que o livro retratou bem sobre o assunto. Gostei dos quotes e vou deixar essa dica anotada aqui. O livro mistura passado e futuro e querendo ou não, tem dois mistérios envolvidos. Acho que um final não ter sido tão satisfatório é algo até normal, o bom é que não foi de todo ruim. E aliás, eu também gostei dessa capa, acho que atrai a atenção do leitor.

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  9. Eu não conhecia o livro, mas já anotei a dica, pois parece uma leitura que muito me agradará. Acho que Maud já me conquistou só pela resenha e por todo esse esforço com a perda de memórias. Realmente é uma situação complicada e que muitas pessoas passam por ela ou tem que lidar com alguém com o problema. O fato das investigações se misturaram na cabeça de Maud e nos levar ao sumiço da irmã Sunkey após a segunda guerra é mais um elemento que me atrai na leitura. Gosto de enredos dessa época.

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  10. Oi Kaline!
    Lendo a sinopse achei que seria mais emocionante a história, mas acho que foi um pouco mais lenta do que deveria. Um ponto positivo parece ter sido a personagem ser bem cativante, mas terminando sua resenha acho que não fiquei tão interessada de modo geral.
    Bjs

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  11. Oii! Eu sempre me apego a personagens mais idosos, rs. E a Maud parece uma senhorinha tão amorzinho, já fiquei com dó. Achei a ideia muito boa, se basear em lapsos de memória, que sabemos que infelizmente é uma ferramenta falha depois de certa idade, para compor a trama. Mas é uma pena que tenha se arrastado um pouco e você tenha achado chato em alguns momentos.
    Beijos!

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