10 abril 2018

Resenha - O Ódio que você semeia


Livro: O ódio que você semeia 
Autora: Angie Thomas  
Editora: Grupo Editorial Record / Galera Record 
Páginas: 378 
skoob
Onde comprar: Saraiva

1º lugar na lista do New York Times. Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro contra o racismo em tempos tão cruéis e extremosStarr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.Não faça movimentos bruscos.Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo.Seja obediente.Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.





Quando você fica sabendo de um crime pelo noticiário você tenta buscar mais perspectivas? Ou aceita imediatamente a versão passada pelo jornal? Se a sua resposta é sim para a segunda pergunta, então esse livro pode mudar sua forma de julgar os fatos.

Star é uma jovem negra que mora em um bairro dominado pelo crime e pelo tráfico de drogas. Seu pai é um ex-presidiário e sua mãe é uma enfermeira na comunidade. Entretanto, a garota estuda em uma escola particular do outro lado da cidade onde a maioria é branca e de classe média alta. O que faz com que Star não participe tanto da vida e das festas da comunidade, e consequentemente, é pouco conhecida. 

Contudo, uma de suas poucas amigas a chama para uma festa na casa de um morador do bairro, cansada de ser julgada por estudar em uma escola de "branco" por Kenya, sua amiga, a jovem aceita o convite. Todavia, Star não fazia nem ideia que essa poderia ser a pior decisão da sua vida e consequentemente uma das mais trágicas. 

Ao chegar na festa, Star tem dificuldade de se enturmar, já que todos mal lembram dela. Porém, aparece na festa um dos seus amigos de infância mais próximos, Khalil, que a muito tempo ela não via. Os dois conversam por alguns minutos e relembram de alguns fatos. Entretanto, uma confusão começa e tiros são disparados, e para se protegerem os dois saem da festa às pressas direto para o carro do jovem. 

Quando já estão seguros, os dois partem em direção a casa de Star onde Khalil a deixaria. Pelo menos era isso o que eles pensavam. Mas, não foi o que aconteceu, uma vida se perdeu nesse caminho e uma nova história em busca de justiça e da verdade começam.  

Eles foram parados por uma viatura, e qualquer movimento brusco poderia colocá-los em risco. E foi isso que aconteceu, uma interpretação errada, um julgamento precipitado interrompeu uma vida logo no inicio. Khalil estava morto. 


"As despedidas doem mais quando a outra pessoa já partiu."


Sendo assim, Star vê mais uma vez a história se repetir. Entretanto, agora  ela precisa ser forte e terá que tomar decisões para fazer justiça para aquele que não pode mais se defender, para seu amigo desde os três anos, que perdeu a vida na sua frente.



" É por isso que as pessoas estão se manifestando, né? Porque não vai mudar se a gente não disser nada. - Exatamente. Nós não podemos ficar calados. - Então eu não posso ficar calada."

Fatos distorcidos são lançados e versões diferentes aparecem na mídia. Sendo assim, em um mundo dominado pelo racismo, a corda sempre arrebenta no lado mais injustiçado, e nessa história isso não será diferente. A desculpa de que Khalil era um bandido e um traficante era a justificativa do assassinato.

Porém, as vozes não se calaram e mostraram para um país que independente do julgamento, as minorias precisam serem ouvidas. 



" Suas vozes importam, seus sonhos importam, suas vidas importam. Sejam rosas que crescem no concreto."

Uma história forte, emocionante, e principalmente, reflexiva sobre a realidade vivida no mundo, as injustiças cometidas e as vozes que não se calam. Um livro muito importante em uma era onde o preconceito é a causa de muitos crimes. E além disso, um livro que deveria ser lido por todos, independentemente de crença ou "raça", já que mostra que jamais um caráter deve ser medido pela cor da pele, seja qual for a situação. 



[-Minhas impressões-] 

I - N – C – R – Í – V – E – L. Essa é a palavra ideal para descrever esse livro. Não sei nem por onde começar a falar sobre O ódio que você semeia, essa história me comoveu e me mostrou uma nova perspectiva de olhar o mundo e o país em que vivemos. Mostrou o quão injusto pode ser o ser humano e, acima de tudo, o quanto as vozes precisam serem ouvidas para que tenhamos fé em um futuro mais justo. 

Com uma narrativa rápida, contendo períodos curtos que dão ritmo a leitura, Angie Thomas criou uma estória fascinante sobre o racismo. Que deve ser lida por todos. Nesse livro, vemos além de uma perspectiva, e mostra o quanto precisamos conferir os fatos antes de julgar, seja qual for a situação. Respeito e tolerância são imprescindíveis. 

Os personagens me cativaram e mostraram o quão difícil é ser uma minoria no mundo atual, mesmo com tantos avanços tecnológicos e científicos, ainda é preciso avançar quanto a se colocar no lugar do outro e não julgar sem conhecer os fatos.  


" Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Star - diz ela. - Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso."

Star é uma jovem cheia de medos e anseios assim como muitas outras, entretanto, sua situação era ainda mais difícil, ela teve que ser duas pessoas diferentes para ser aceita, tanto na escola quanto no bairro. Porém a situação pelo qual ela passa, mostra o quão forte ela é e como deve ser exemplo para muitas outras ao redor desse mundo cheio de injustiças. Ela é a voz que deve ser modelo para as minorias no mundo.

Já os outros personagens, como o pai, a mãe e os irmãos de Star, mostraram como o apoio da família é importante, independentemente de qualquer situação.  O tio e os amigos da jovem também mostraram o quanto é necessário termos pessoas de confiança ao lado para que se consiga dar voz a quem não pode se defender.

E Khalil, independentemente de qual seja o motivo da sua escolha, mostrou quanto era um ser especial para tantas pessoas.


"Logo cedo, eu aprendi que as pessoas cometem erros, e você tem que decidir se os erros são maiores do que seu amor por elas."


Foram muitos sentimentos envolvidos nessa leitura, compaixão, ódio do mundo e da justiça, tristeza e acima de tudo reflexão. Esse livro mudou minha forma de ver as situações a minha volta, mudou a minha forma de julgar e acima de tudo me mostrou o quanto precisamos de mudança no mundo. Sei que um livro não muda um mundo, mas pode plantar a sementinha da dúvida na realidade em que vivemos.

Com dezessete anos, tentei me colocar no lugar da personagem que é apenas um ano mais jovem, e assim percebi o quão difícil é ser minoria no mundo repleto de injustiças.

Por todos esses sentimentos e reflexões, recomendo esse livro para qualquer pessoa, independentemente da idade, já que apesar de ser um livro com jovens, os ensinamentos são grandiosos e precisam ser compartilhados.


"- Khalil disse que é sobre o que a sociedade semeia em nós quando pequenos e como isso vota e os morde depois - digo. - Mas acho que é mais do que quando pequenos. Acho que é o ódio que semeiam, ponto."

Então se você está a procura de um livro cheio de lições, esse livro é ideal para você! Espero que eu tenha te convencido a ler, pois ele precisa ser reconhecido, porque as minorias precisam ser ouvidas.

Nunca julgue antes de conhecer todos os fatos. Nunca aceite calado.



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12 comentários:

  1. O que mais gosto é quando chego em um blog que já gosto e encontro uma resenha tão especial de um livro que eu não conhecia e que parece ser uma leitura maravilhosa.
    Primeira coisa que fiz foi colocar o livro na lista de desejados e espero sinceramente conseguir ler ele o quanto antes.
    Star parece que sabia como agir diante da "supremacia branca",mas e seu amigo?
    O ser humano pode chegar onde quiser, ou alto demais, ou baixo demais e como saber até onde podemos ir?
    O racismo é algo que vem sido falado, debatido, gritado e mesmo assim, ainda é um assunto sempre em alta, em jogos de futebol, palcos de shows e afins.
    Preciso conhecer esta história!
    Beijo

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  2. Olá!
    Já ouvi falar desse livro, a capa já causa um impacto, eu não conheço essa escritora. Mas pelo sucesso acredito que vai conseguir fazer as pessoas pensarem antes de julgar, e também não acreditar em tudo que vêem na TV e nos jornais. Pela resenha dá pra perceber que o livro consegue o objetivo, a personagem Star apesar do medo vai ter voz para a verdade e mudar aversão da polícia, pena ainda existir essa diferença de classes no mundo e ela se sentir estranha entre a escola também entre a comunidade onde vive. Bom que o livro é cheio de ensinamentos para todas idades e de leitura fluida.

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  3. Oi, Karoline.

    O tema abordado no livro é muito importante, que retrata uma triste realidade, no qual se propaga há anos e anos.

    Bem como, na minha opinião, mostra através da Starr que o preconceito também começa através da própria pessoa, das próprias atitudes em renegar sua vida, em querer ser outra pessoa, viver outra realidade. Acho que daí é que vem o exemplo, ou não... Mas, ao mesmo tempo, não podemos julgá-la por tal atitude. Afinal, cada um vai levando a vida do jeito que dá.

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  4. Oi, Karoline!
    Eu achei a história sensacional! Há tempos que procuro livros com uma abordagem mais crítica, como "o menino de ouro", que já foi resenhado aqui no blog, e "o ódio que você semeia" com certeza não vai decepcionar. É mais do que importante e necessário escritas e leituras desse tipo, porque é uma maneira muito mais profunda de enxergar e tentar entender a realidade, que mesmo não sendo a sua, existe por aí. Pelo o que você escreveu, a história me lembrou muuito o livro "escritores da liberdade", que foi adaptado pro cinema. Lá é muito abordado o preconceito, aa diferenças sociais e étnicas, os conflitos entre gangues, e tudo mais acentuado na escola que "aceita" várias etnias e grupos sociais (como se o direito à educação não fosse de todos). Adicionado á lista!

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  5. Gente, essa história parece ser sensacional. Só o título já é impactante. Gosto de livros que questionam e me fazem refletir sobre tudo e sobre todos. Acho que é um livro super necessário, principalmente por se tratar de minorias. Fiquei super curiosa para saber como Star é desenvolvida. Vai pra minha lista de desejados, com certeza.

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  6. Olá Karol.
    Chega a ser triste ler um livro assim e perceber que vivenciamos isso no nosso dia a dia né?
    É uma história que vemos sempre em jornais, tv, etc. Pode parecer estar longe de nós, mas quantas Starr não passam por isso todos os dias?! Ainda não li, na verdade nem conhecia o livro, mas com certeza irei ler, na verdade acho que é uma leitura para todos os tipos de pessoa, apesar de ser uma história triste, também é bem marcante.
    Beijos

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  7. Haaaaahhhh eu tenho esse livro e estou muito ansiosa para ler ele, me apaixonei pela capa e a sinopse assim que vi a primeira resenha dele em um ig, acho muito importante os assuntos que são tratados na história e todos deveriam ler um dia. Bjs

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  8. Oi Karoline!
    Com certeza toda a injustiça que Khalil sofre é a realidade de muitas outras nesse país, e com finais não tão felizes. Acho que o livro consegue sim influencia muita gente, mudar a visão de muitos ou pelo menos abrir os olhos pra essa injustiça. Muitas vezes as pessoas só precisam de algo que as faça ver como vivemos em uma sociedade repleta de preconceitos e que as vezes agimos com atitudes preconceituosas sem mesmo notarmos. Enfim por isso gosto bastante de leituras que nos façam refletir sobre assuntos tão importantes na sociedade. Adorei a história e com certeza vou ler e compartilhar.
    Bjs

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  9. Oi Karoline.
    Eu comprei esse livro no mês passado, mas ainda não pude ler, mas quero muito.
    Esse é o tipo de livro que traz reflexões importantes ao leitor. Infelizmente o racismo é bastante presente nos dias atuais. Acho necessários livros que abordem o tema e que instigue discussões sobre o assunto.
    Além disso, livros com temáticas mais densas nos faz ter empatia e a tentar nos por no lugar dos outros. Ser minoria é algo difícil.
    Beijos

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  10. Eu não conhecia o livro e nem a autora, mas considerando os pontos analisados fiquei interessado na leitura. Infelizmente o preconceito, tanto de raças, credos ou gênero é muito forte. Às vezes tenho a sensação que parece haver um certo retrocesso nesse sentido. O pior é que muitas vezes esse preconceito é velado, o que é ainda pior. Acho leituras como essa importantíssimas. Com certeza não irão mudar o mundo, mas acredito que possam ajudar muitas pessoas a refletirem sobre a ignorância de se achar superior aos outros. Excelente dica e resenha.

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  11. Quero muito ler esse livro! Já li uma entrevista com a autora e tive a certeza de que preciso muito dessa leitura. Não só eu, aliás, como você bem frisou todo mundo deveria ler. Sei que é uma história forte e que nos ensina muito. Lerei assim que conseguir!
    Beijos!

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  12. Acho que o tema abordado no livro é importante e provavelmente até podemos ficar tristes durante a leitura percebendo o quão real tudo isso é. Acho que desde que esse livro foi lançado vi apenas críticas positivas e quem não adorou realmente foi por conta de um detalhe ou outro, por causa de toda a expectativa que acabou colocando. Agora uma coisa que me deixa com o pé atrás com o livro é que fiquei sabendo que tem muita referência a Harry Potter e que por vezes fica até cansativo, ouvi isso de uma pessoa que é fã. Então imagina pra mim que nunca li nenhum livro e nem vi todos os filmes?

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