16 novembro 2017

Luz, câmera e ação [43] - Guerra dos Mundos


Título: Guerra dos Mundos
Lançamento: 29 de junho de 2005
Duração: 1h 52min
Direção: Steven Spielberg 
Gênero: Ficção científica, drama

Ray Ferrier (Tom Cruise) é um homem divorciado que trabalha nas docas. Ele não se sente à vontade no papel de pai, mas precisa cuidar de seus filhos, Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), quando eles lhe fazem uma de suas raras visitas. Pouco após eles chegarem Ray presencia um evento que mudará para sempre sua vida: o surgimento de uma gigantesca máquina de guerra, que emerge do chão e incinera tudo o que encontra. Trata-se do primeiro golpe de um devastador ataque alienígena à Terra, que faz com que Ray pegue seus filhos e tente protegê-los, levando-os o mais longe possível das armas extra-terrestres.



Recentemente escrevi uma resenha do livro A Guerra dos Mundos, criado por H. G. Wells, e comentei nela que já havia assistido ao filme dirigido por Spielberg antes da leitura. Depois de muito tempo, decidi assistir mais uma vez e distinguir as semelhanças e diferenças com o livro, que já adianto, são variadas e bem interessantes. Como já falei do livro e a sinopse deixa bem claro o que acontece no filme, decidi apenas comparar alguns aspectos da obra com o filme. Quem ainda não leu minha resenha pode encontrá-la clicando aqui.








Para começar, a invasão ocorre nos dias atuais, ou seja, não vemos charretes e carruagens pelas ruas. Se passa nos Estados Unidos ao invés da Inglaterra, o protagonista possui um nome, é divorciado e tem dois filhos, dos quais até então mantinha um relacionamento um tanto distante. Seu emprego é bem simples e mecânico, diferente do narrador de H. G. Wells, que sendo um escritor filosófico, seu trabalho o enriquece de conhecimento científico e estimula o desenvolvimento do seu intelecto. Mas nem por essa razão que Ray é menos inteligente e esperto que ele! É possível notar sua perspicácia, por exemplo, na cena em que ele soube calcular o tempo exato que ele e os filhos tinham para sair de casa e escapar das máquinas mortíferas. E diante de tantos carros sem ligar devido ao impacto do surgimento dos marcianos, ele soube escolher exatamente qual carro tinha mais chances de ajudá-los na fuga. 

Mais um ponto que vale a pena ressaltar é que Spielberg incluiu um drama na história para deixar o telespectador tenso durante todo o filme, ansioso para descobrir se os personagens sobreviveriam aos ataques ou não. No livro, o narrador não se deixa abater pelas relações emocionais. Isso fica visível na cena em que deixa a esposa com os primos para se dirigir o mais próximo dos marcianos com o intuito de observá-los, não pensando nem mesmo na possibilidade de se separar dela para sempre. O Ray não é tão curioso e observador quanto ele, pois sua maior preocupação é a segurança de seus filhos, portanto, tenta manter distância dos marcianos o máximo possível.


Algo que achei curioso é que Spielberg decidiu mudar o modo que os marcianos surgiram no nosso planeta. Não sei dizer se esse novo aspecto ficou melhor ou pior, mas vê-los se erguendo de baixo da terra é algo bastante surpreendente. Essa nova informação passa uma sensação de que fomos enganados! Olhe por essa perspectiva: os humanos viveram por tantos anos e nunca houve alguma oportunidade ou motivo para escavarem fundo um dia e encontrar aquelas máquinas? Uma coisa é chegar viajando por meio de uma espécie de nave e ser confundido com meteoros, outra é saber que através de raios superpotentes conseguiram entrar afundo nas máquinas já enterradas e surgir do solo. Enfim, utilizando-se essa abordagem, rendeu algumas cenas bem legais do filme e creio que ocorreu essa mudança para que não houvesse tempo de os humanos reagirem à novidade.

Outra coisa diferente em relação às máquinas é que no filme optou-se por não incluir a lata de fumaça preta, mantendo apenas o gerador do raio de calor como ataque principal. Como Ray não se preocupa em observar os marcianos da mesma forma que o narrador, ele não pode acompanhar a guerra de um modo mais vívido, e não vê os soldados enfrentando as máquinas e sendo derrotados continuamente. Portanto, creio que não faria sentido incluir outra alternativa de ataque, já que o filme consegue demonstrar muito bem o sentimento de caos, desolação e desesperança. 


Há um personagem interessante no filme que acabou sendo construído através da junção de 3 personagens do livro: o astrônomo Ogilvy, devido ao nome; o padre, por ter sofrido sequelas psicológicas; e o artilheiro, por ter uma visão irrealista de como enfrentar os marcianos. Esse é um personagem bastante memorável e analisando-o pude perceber que o Ray apenas se manteve são nessa guerra pois se encarregou o tempo todo de adotar o título de pai e proteger seus filhos, especialmente a Rachel, que é mais nova, sensível e sofre de claustrofobia. Devo afirmar que achei meio estranho como antes da invasão ocorrer ele não se preocupou muito em se aproximar dos filhos e por causa de uma guerra o Steven Spielberg decide atribuir ao personagem o papel de herói. Minha aposta é que talvez ele quis dizer que a guerra aproxima as pessoas e muda para sempre suas relações.


Nem preciso dizer que o livro é bem melhor que o filme, né? Afinal, o autor nos presenteia com muitas informações descritivas dos marcianos e de cada passo que suscitam pelos arredores de Londres. Ainda assim, esse filme não deixa de ser fascinante! O assisti na época do lançamento, ou seja, ele foi responsável por marcar minha infância e me dar muitos pesadelos! As atuações de Tom Cruise e da Dakota Fanning ficaram muito convincentes e vemos que é evidente o quanto são perfeitos para os seus papeis. Eu não poderia imaginar outros atores no lugar deles. Outro ponto que certamente colaborou para o sucesso do filme são os efeitos especiais, que conseguiram deixar aquelas máquinas excepcionalmente legítimas. Em suma, recomendo muito esse filme!

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5 comentários:

  1. Mesmo não sendo fã do trabalho de Tom Cruise, acabei também vendo este filme assim que foi lançado, há anos. Naquela época boa do cinema, onde invasões alienígenas ainda tinham um gostinho de novidade e a gente ficava babando literalmente, nos efeitos especiais. Penso eu, que o cinema deveria voltar ao passado as vezes..rs
    Mas ainda não li o livro, somente a resenha aqui no blog e claro que ler é melhor do que ver. Tudo é mais completo e nada se compara a criar os personagens e suas angústias em nossa imaginação!
    Não, o filme não é ruim de forma alguma, aliás, é até bom demais, só que é nítida a diferença entre livro e filme e se tiver oportunidade, ainda quero muito ler o livro.
    Beijo

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  2. Amanda!
    Li sua resenha sobre o livro que por sinal ainda não li e ver aqui os destaques das diferenças é bem interessante, porque assisti o film.
    Gostei de ver que atualizaram e trouxeram uma versão mais contemporânea, nos tempos atuais e algumas outras modificações que parecem ser bem feitas.
    Como amo ficção, adorei o filme, ainda mais por ter o maravilhoso Tom Cruise como protagonista e Dakota Funning rouba as cenas, não é mesmo?
    Um final de semana carregado de luz e paz!
    “A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar.” (William James)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  3. Eu sou muito apaixonada pelo livro mas desde que vi esse filme eu fiquei um pouco pe atras em assisti-lo novamente. Achei o filme chato e muito tedioso

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  4. Olá Amanda!
    Filme mto bom, já vi mil vezes rsrs
    Gostei dmais, pretendo ler o livro tbm assim que der...
    Bjs!

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  5. Oii Amanda ;)
    Comentei na resenha que não é um livro que me interessou muito, mas pela sua Review o filme parece bom, até porque é do Spielberg né haha
    Adoro o Tim Cruise, e a Dakota arrasa desde que era criança, amo os filmes que ela atua, então já sinto que irei gostar do longa! Ainda bem que mesmo o filme não tendo alguns elementos iguais aos do livro, mesmo assim você como fã gostou de assistir.
    Fiquei ansiosa para ver o filme e conferir esses efeitos especiais, que parecem demais... obrigada pela dica!
    Bjos

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