19 setembro 2017

Resenha - Meus Dias Com Você


Título: Meus Dias Com Você
Autora: Clare Swatman
Editora: Arqueiro
Skoob / Goodreads
Páginas: 288
Onde comprar: Amazon / Saraiva

Quando o marido de Zoe morre, o mundo dela desaba. Mas e se fosse possível tê-lo de volta?
Numa fatídica manhã, Ed e Zoe têm uma discussão terrível, algo recorrente no seu casamento em crise, e ela acaba se despedindo de forma brusca quando ele sai para o trabalho.
Pouco tempo depois, um ônibus acerta a bicicleta de Ed, matando-o e deixando Zoe arrasada por não ter lhe dito quanto o amava. Se tivessem ficado mais um pouco juntos aquela manhã, ele ainda estaria vivo? Será que poderiam ter reconstruído o amor que os unira?
Após dois meses, Zoe ainda não conseguiu se conformar. De luto, decide cuidar do jardim do marido, quando acaba caindo e desmaiando. Então, algo estranho acontece: ao acordar, ela está em 1993, no dia em que conheceu Ed na faculdade.
A partir desse instante, Zoe passa a reviver momentos cruciais de sua vida e percebe que talvez tenha conseguido uma segunda chance: uma oportunidade de fazer tudo diferente, de focar naquilo que realmente importa, de mudar os rumos do relacionamento – e, quem sabe, o destino de seu grande amor.







Meus Dias Com Você já começa nas primeiras páginas com uma notícia ruim: Ed, o marido de Zoe, foi para o trabalho de bicicleta, como sempre costumava fazer, e morreu em um acidente. E o pior de tudo, naquele dia Zoe estava estressada e descontou suas frustrações no marido. Ou seja, na última vez que ela o viu antes de sair para trabalhar e ir de encontro para a morte, ambos estavam meio brigados. Semanas se passam e o luto se apodera completamente de Zoe; ela não consegue lidar com tanta dor da ausência de Ed. Até que em um dia chuvoso ela vai para o jardim de casa que seu marido costumava cuidar com tanto carinho, já que sempre foi apaixonado pelas plantas, e no meio desse turbilhão de sentimentos, acaba escorregando e batendo a cabeça. Porém, quando Zoe acorda, ela nota que há algo muito errado. Porque agora ela está em seu quarto, do mesmo jeito que estava da época que morava com os pais, há tantos anos atrás. E quando se olha no espelho, vê que suas suspeitas estavam corretas: Zoe voltou no tempo.

Mas não é um dia qualquer que ela foi empurrada de volta. Esse é o dia em que saiu de casa para finalmente estudar na faculdade. O dia que sua vida adulta realmente começou. O dia que vai conhecer outros universitários e morar com eles, dos quais alguns se tornarão seus futuros amigos. E adivinhe só quem é um deles? Ed, seu marido falecido. Enquanto tenta aceitar o fato de que voltou no tempo e que não se trata de uma alucinação ou um sonho lúcido, Zoe vai percebendo que voltou para esse dia por um propósito muito importante. E se for para reescrever sua história com Ed? E se for para fazer tudo de forma diferente, evitando mágoas e brigas desnecessárias que ambos foram acumulando durante anos? E a questão mais importante: e se for possível impedir a morte prematura de Ed? 

“Se tudo acontecer igual à primeira vez – e, como tem sido assim até agora, não tenho nenhuma razão para acreditar que vai ser diferente -, vou conhecer Ed em breve. Não vai ser meu Ed como conheço agora. Será o Ed que vi pela primeira vez, o jovem sexy e um pouco arrogante de quem gostei, nenhuma faísca elétrica. Só havia eu e um garoto, encontrando-nos pela primeira vez, com todo um mundo de possibilidades à nossa frente.”

A ideia do livro é ótima. Acredito que muita gente gostaria e/ou irá desejar um dia voltar no tempo só para aproveitar mais uma vez a companhia da pessoa amada que já não está mais presente nos dias atuais, desfrutar do conforto de simplesmente tê-la de seu lado, de ouvir sua voz e sua risada e aproveitar o máximo que pode cada segundo precioso que dispõe para demonstrar o quanto ela é importante para você. Porém, acredito que ao colocar em prática essa ideia, a autora não soube muito bem como desenvolver os conflitos. É uma história de drama, mas em grande parte é como se a história seguisse seu percurso numa linha reta, não há uma montanha russa de emoções que sempre encontramos nos livros do gênero. Logo, nada de muito grandioso ou interessante acontece, deixando o impacto maior somente para o final. 

Se tratando de uma protagonista que está de luto, Zoe deveria transparecer as emoções fortes ao reviver todos seus momentos mais importantes e com isso, nos deixar sensibilizados com sua dor. Em minha experiência de leitura, achei que as descrições nessas cenas, como o casamento, primeiro beijo e primeira viagem, foram leves demais e pouco convincentes. Se a autora tivesse inserido mais alguns elementos, de modo que a Zoe descobrisse algo diferente e aprendesse lições relevantes durante os dias que revive, ou simplesmente nos surpreendesse com alguma reviravolta, minha impressão final teria sido diferente e, consequentemente, mais positiva. 

Por exemplo: haviam coisas importantes que a Zoe já sabia que iriam ocorrer novamente, mas que muitas vezes agiu como se fosse algo inédito, o que não fez sentido. Também percebi que haviam muitos elementos repetitivos, como declarações de amor iguais às anteriores e isso acabou tornando a leitura um pouco cansativa e maçante. 

“Ed me puxa pela mão e me segura em seus braços para aquecer meu corpo gelado. Eu pisco descontroladamente, tentando não deixar as lágrimas caírem. Este deveria ser o dia mais feliz da minha vida, mas é difícil me comportar como uma noiva emocionada quando eu sou, na verdade, uma viúva em luto.”

No entanto, valorizo os aspectos positivos dessa abordagem. Afinal, se trata de anos de convivência e parando para pensar agora, até que faz sentido Zoe reagir a alguns dias como se fosse a primeira vez. Todos nós temos aqueles dias maravilhosos, dos quais não há a menor dúvida de que eles foram incríveis, mas que com o passar do tempo se torna difícil manter cada detalhe da memória bem registrada. E é exatamente isso que acontece com a Zoe, ela ganha essa oportunidade e aproveita ao máximo. Tem como não invejar essa mulher? Quem não gostaria de repetir um dia maravilhoso? Sortuda! 


Apesar de ter ressaltado o lado negativo, acredito que Meus Dias Com Você conseguiu cumprir pelo menos um de seus propósitos: fazer o leitor perceber a importância que a história mostra e, com isso, valorizar diariamente as pessoas que amamos. Não sabemos do dia de amanhã. Não temos como prever o que irá acontecer no futuro. Esse livro mostra uma verdade: nós temos o hoje. Devemos aproveitar o dia da melhor maneira que podemos e nos lembrarmos constantemente de tomar cuidado e evitar dizer palavras que irão ferir quem nós amamos e sempre nos esforçarmos para sermos melhores do que ontem com nossos amores, familiares e amigos. Afinal, de coisas boas não há como nós nos arrependermos, certo?

Gostei bastante dos personagens que a autora construiu. Eles são muito reais, assim como seus problemas. O drama pesado e triste que Zoe e Ed vivenciam durante tantos anos não é uma coisa boba ou só frescura, é algo pode acontecer com qualquer pessoa que conhecemos e tenho certeza que os leitores irão sentir essa semelhança com alguma pessoa próxima. Realmente não é algo tão fácil de resolver, do contrário dos pequenos dramas desnecessários da série Grey’s Anatomy, por exemplo (e mesmo assim eu assisto, haha). Esses personagens são tão palpáveis que conforme acompanhamos a evolução e o amadurecimento da relação, vamos nos apegando e torcendo para que conversem melhor e tentem encontrar uma solução desse pesadelo juntos. Eles são incríveis e quando estão bem e despreocupados, formam uma união que dá muito certo, há aquele companheirismo forte e verdadeiro e aquelas brincadeiras de casais alegres. Esse é um excelente ponto positivo, já que não é uma tarefa fácil criar essa conexão com os leitores e os personagens. 

“- Por minha causa? – Sim. Antes era apenas eu e é claro que eu não quero morrer cedo – meu coração se contrai ao ouvir essas palavras -, mas, se isso acontecesse, bem, aconteceu e pronto. Mas a ideia de perder você... essa é a pior dor que posso imaginar. É assustadora.”

Zoe ganha uma segunda chance com o amor de sua vida e, ainda assim, o sentimento que ficou em mim é que faltou algo importante. Que ela não fez o suficiente ou que as mudanças que ela fez foram pequenas demais. Percebi que muitas pessoas que leram o livro o acharam bem previsível. Não foi o que aconteceu comigo, mas entendo o que os levaram a pensar dessa forma. Sabe aquele livro que você termina e não sabe exatamente se gostou ou não? Como podem perceber pela resenha, foi o que ocorreu comigo, por isso fiz questão de demonstrar tantos os pontos negativos quanto positivos do livro. 

A diagramação é bem simples e linda ao mesmo tempo. Gostei muito da capa e da referência que ela faz com alguns aspectos importantes da história. A parte técnica também está excelente, não encontrei erros de revisão ortográfica, o tamanho do espaçamento está bem adequado e o da fonte também. A editora Arqueiro arrasou! 

Em suma, Meus Dias Com Você é um bom livro, mas falta um pouco de profundidade na escrita da autora, motivo pelo qual digo que é um desses livros fáceis de ler e bons para curar ressacas literárias. Recomendo para quem gostaria de aproveitar uma história mais leve e reflexiva ou migrar rapidamente para outra história. Não é uma história intensa, que irá te surpreender ou te emocionar muito, mas serve para ensinar uma ótima lição sobre a vida, a morte, o amor e, por consequência, proporcionar várias reflexões sobre como estamos tratando as pessoas que amamos.



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11 comentários:

  1. Amanda!
    Imagino por tudo que Zoe passou com a perda do marido e que tente de alguma forma tentar mudar o passado, mas é bem improvável que aconteça.
    Acho importante livros que trazem uma forma de nos mostrar que devemos sempre expressar nossos sentimentos a qualquer oportunidade, porque ninguém sabe o que está por vir...
    Reflexão é sempre boa de ser feita em nossas vidas.
    Gostei! E gostaria de ler, embora suas ressalvas tenham sido bem pertinentes e fundamentadas.
    Desejo uma semana de muito amor no coração!
    “Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” (Bertolt Brecht)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE SETEMBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  2. Oi Amanda tudo bem?
    Eu gostei muito da premissa deste livro, realmente a estória traz um grande ensinamento de que devemos valorizar as pessoas e momentos. É uma pena que o livro não tenha grandes surpresas, porque o cenário era ideal para criar uma ótima estória. Parabens pela resenha, muito bem escrita.
    Beijos

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  3. Olá Amanda,
    Com certeza parece ser uma leitura leve que nos leva a apreciar as pequenas alegrias do dia a dia.
    Em parte, me lembrou do livro "O efeito borboleta", no qual o personagem volta no tempo e tem a possibilidade de viver o passado de forma diferente. Aqui no livro, no entanto, a personagem já sabe de antemão do que vai acontecer, e isto com certeza tira um pouco da graça.
    A impressão que tive, pela resenha, é que talvez a estória seja um tanto quanto "superficial", o casal não parece ter aquele amor arrebatador tão presente nos romances.
    Uma ótima alternativa para um estilo "sessão da tarde". Muito bom saber dos pontos negativos, acredito ser um livro que não vou querer ler.

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  4. Li a resenha deste livro em outro blog que eu acompanho na semana passada, a resenha apontou quase os mesmos pontos que você apontou Amanda, faltou emoção e etc. Inclusive falava sobre a falta de fechamento dos personagens secundários, coisa que acho super importante em um livro, as vezes gosto até mais dos personagens secundários do que os principais! kkkk Este livro não me chamou muito a atenção, infelizmente. Mas achei a capa muito linda.

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  5. Olá Amanda ;)
    Esse é um dos meus livros mais desejados do momento, e por isso adorei sua resenha e fiquei com mais vontade de ler.
    Adoro um livro que tem essa premissa em que a personagem volta no tempo ou vai ao futuro. Não é à toa que um dos meus filmes favoritos da vida é De Repente 30 S2
    Que pena que você achou alguns acontecimentos repetitivos, mas acho que apesar de ser meio clichê, vou gostar demais e me emocionar com a história. O livro parece mesmo passar uma mensagem linda, e ensina uma lição valiosa, de que devemos “amar as pessoas como senão houvesse amanhã”!
    Portanto, como gosto de livros leves assim, tenho certeza de que vou gostar da leitura de Meus Dias Com Você... e adorei sua resenha ;)
    Bjos

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  6. Olá, adoro livros que trazem alguma reflexão de vida e eu não conhecia este livro. Inicialmente a capa me chamou a atenção, pois é muito bonita. Achei bem diferente a história, então adicionei este livro em minha lista de leituras. Deve ser bem nostálgico relembrar os dias importantes do casal, além de refletir melhor sobre o que aconteceu e como foram parar em um relacionamento.
    Beijos.

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  7. Oi Amanda.
    Esse foi um livro que me surpreendeu e ao mesmo tempo partiu meu coração.
    É uma pena que achou ele um pouco cansativo eu não tive esse problema porém concordo que alguns termos se tornar repetitivo mas eu estava tão focada no romance e Nova Descoberta dos personagens que nem me fixei muito nisso, o livro realmente traz uma mensagem muito linda e triste mas, que me encantou de uma forma que não posso descrever.
    Bjs.

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  8. Que pena que a leitura não te prendeu por completo.
    Eu não conhecia a obra e lendo a sua resenha e sinopse achei a premissa envolvente.

    Sai da Minha Lente

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  9. Olá!
    Gostei muito desse livro, já li tantas resenhas e sempre há pontos muitos positivos sobre ele, mas é uma pena que a leitura não te envolveu muito bem. A premissa dele é muito boa e estou desejando muito ler ele.

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  10. Oi! Conseguir voltar no tempo e consertar certas coisas deve ser maravilhoso. Fiquei curiosa para ler o livro e ver como a personagem se sai nessa segunda chance. Uma pena que em certos pontos a autora não soube desenvolver bem a história. Beijos

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  11. A alguns dias queria muito ler esse livro mas ao ler tantas resenhas e comentários de que o livro é bem triste e de partir o coração eu desisti da leitura, gosto de livros que me deixem feliz rsrsrs mas quem sabe futuramente não leio mesmo assim.

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