08 agosto 2017

Resenha - O Órfão de Hitler

                                                         

Título: O Órfão de Hitler
Autor: Paul Dowswell
Editora: Planeta do Brasil
Páginas: 272
Skoob
Onde Comprar: AmazonSaraiva
Piotr é um menino polonês quando os nazistas invadem seu país e matam seus pais. Seu destino parece traçado: viver num orfanato, sendo depois oferecido para trabalho escravo. Mas seus olhos azuis, seu cabelo loiro e sua pele clara fazem dele um exemplo da raça pura, um modelo para a Juventude Hitlerista. Então, os alemães o entregam a uma família nazista. Só que Piotr, que nunca deixa de se sentir estrangeiro junto a sua nova família, começa a formar seus próprios conceitos sobre o que vê e o que lhe é dito. Ele não quer ser um nazista. E então assume um risco - o mais perigoso que poderia escolher na Berlim de 1942. Vencedor de seis prêmios e finalista de outros dezesseis, este romance de Paul Dowswell parte de uma pesquisa meticulosa para uma narrativa cheias de reviravoltas, trazendo à tona um ângulo diferente dos horrores da Alemanha Nazista.







Esse livro traz a tona os traumas e sofrimentos de todo o povo judeu, que infelizmente não era considerado como seres humanos por Hitler, um ditador completamente ensandecido que por anos cometeu as maiores atrocidades em toda a Alemanha e ainda hoje é extremamente difícil de ouvir, quanto mais imaginar o que essas pessoas viveram nas mãos desse homem completamente louco e sedento por poder.

O livro narra a história de Piotr, um menino com treze anos vivendo em uma fazenda na Polônia com seus pais, que eram alemães, mas, por conta de sua mãe ter herdado a fazenda dos pais, eles precisaram se mudar para a Polônia e, é justamente a partir desse instante que eles têm suas vidas mudadas irrevogavelmente e para sempre. Infelizmente os pais de Piotr são covardemente assassinados pelos nazistas e o menino então é mandado para um orfanato, e quando ele e todos os outros meninos estão sendo submetidos à uma série de exames vexatórios onde precisam ser medidos, analisados, tendo o crânio, os olhos e os cabelos completamente esmiuçados e, ainda por cima, são obrigados a passar pelo constrangimento de estarem todos nus, por isso sua vida toma um novo rumo, pois durante os exames todo o procedimento fica comprovado que Piotr é um autêntico exemplo de raça pura e, portanto, não pode permanecer no orfanato. Daí em diante sua vida dá uma guinada e seu destino é ser adotado por uma família alemã.

Piotr sente-se completamente aliviado e feliz, uma vez que seu futuro como órfão, morador de orfanato e mais tarde escravo, mudou para melhor e ele não terá mais que se preocupar com isso. E também para seu próprio bem ele é constantemente lembrado que não poderá se comunicar em polonês, somente em alemão, tendo em vista que ele sabe muito bem o que acontece com todas as pessoas que são consideradas inferiores por serem judeus, poloneses e portanto, vistas como uma ameça para a tão falada "raça pura" idealizada por Hitler.

Uma boa parte do livro conta a adaptação de Piotr à sua nova família, os Kaltenbach, Franz e Liese e suas três filhas, e a forma como ele foi recebido por todos.

"- O garoto tem treze anos - disse Kaltenbach - Não vai precisar de babá. Só de orientação para colocá-lo no caminho certo.
 - E as meninas? - disse ela - Como elas vão lidar com um menino como esse?
 - Elas vão entender que "um menino como esse" tem de ser recebido na comunidade nacional de braços abertos. Elas compreendem seus deveres nacional-socialistas - disse Kaltenbach".

Os dias passam para Piotr e logo ele se acostuma aos Kaltenbach, mas ao mesmo tempo se sente continuamente incomodado por precisar se comportar como um autêntico alemão e a agir como tal, já que em seu íntimo ele abomina toda a crueldade e ódio que eles demonstram por todas as pessoas que são consideradas impuras e não merecedoras de respeito e liberdade de viver suas vidas na Alemanha Nazista, sendo tratadas como uma praga que precisa ser exterminada o quanto antes.

Após ser adotado pelos Kaltenbach Piotr passa a se chamar Peter e ele não pode fazer nada a não ser aceitar e se conformar com o novo nome dado a ele.

Seus dias em sala de aula se resume a aprender sobre política, pois até mesmo em problemas matemáticos dá-se um jeito de abordar o tema.

"O perverso Tratado de Versalhes, imposto pelos ingleses e franceses, permitiu que a plutocracia internacional roubasse as colônias alemãs. A própria França tomou parte de Togo. Se o Togo Alemão tem 56 mil Km2 e uma população de 800 mil pessoas, qual a área correspondente a cada habitante?"

Peter tem sua vida ocupada também pelos esportes, já que está em forma e saudável, pois parece ser muito importante para a Juventude Hitlerista da qual ele é obrigado a fazer parte. E é justamente na Juventude Hitlerista que Peter conhece Segur, um menino bastante amigável e de sorriso largo.

As coisas começam a tomar um novo rumo quando Peter conhece Anna Reiter, uma menina de sua idade e muito bonita, integrante da Liga das Moças Alemãs. Quando eles se aproximam e Peter começa a frequentar sua casa conhecendo assim seus pais, Otto e Ula, o menino percebe uma atmosfera familiar completamente diferente da que ele experimenta com a família adotiva.

Ali, na casa dos Reiter, todos eles são ligados pelo sentimento de amor e carinho, bem diferente da atitude nazista que predomina no lar dos Kaltenbach e desde então Peter passa a nutrir os mesmos ideais de Anna e dos pais dela, já que a menina lhe confidencia um grande segredo que poderá levá-la a morte juntamente com sua família caso os nazistas venham a descobrir, mas esse segredo de nada serve para afastá-lo de Anna e sua família, então ele decide que vai correr os mesmos riscos de seus queridos amigos se juntando a eles na difícil e complicada missão de burlar as leis ditatoriais impostas por Hitler e ajudar a quem realmente precisa.

                                                          

[- Minhas impressões-]

Eu já tive a oportunidade de resenhar anteriormente sobre esse tema tão redundante que é o nazismo, já que eu aprecio e muito livros com contexto histórico tão forte e marcante que sempre trazem a tona uma época extremamente traumatizante que mostra os horrores de uma Alemanha cheia de ódio e rancor por um povo que foi quase totalmente dizimado por ser considerado uma raça impura e inferior, e são eles o povo judeu.

Sempre me comovo com toda a maldade e tortura exercida sobre essas pessoas, principalmente pelas mulheres e crianças, que eram justamente as que mais sofriam na minha opinião. Sem contar que os judeus como um todo sofriam as maiores atrocidades que se pode imaginar. Toda vez que leio algo a respeito fico extremamente grata por ter nascido em outra época e em outro país.

Essa é a primeira vez que leio algo do autor Paul Dowswell e me surpreendi positivamente com a forma que ele escolheu para abordar o tema nazismo, já que por se tratar de algo tão triste e revoltante ele soube conduzir a história de um jeito que tenha ficado de fácil entendimento e interessante também, porque a trama não ficou presa somente a isso, ela teve outros desdobramentos, dando a oportunidade de muitas situações serem construídas a partir do momento em que Piotr (Peter) é adotado pelos Kaltenbach.

Toda a leitura fluiu tranquilamente e foi muito proveitosa, pois a cada nova história sobre esse tema verídico da primeira guerra mundial e tudo o que ela significa até hoje nos traz cada vez mais conhecimento e  nos torna solidários por essas pessoas que só queriam ter o direito de viver suas próprias vidas, formando família, trabalhando, estudando, enfim, fazendo o que qualquer um de nós fazemos todos os dias de nossas vidas.

O livro para mim ficou mais atraente assim que Anna e seus pais passaram a integrar a estória, pois a meu ver só veio a acrescentar mais à trama de O Órfão de Hitler, dando um fôlego bem empolgante ao livro. Sem contar que a interação de Peter e Anna foi perfeita e muito prazerosa de acompanhar, pois ficou implícito que os dois poderiam vir a ser algo mais em um futuro bem próximo.

Não gostei do rumo que Segur, o amigo de Peter tomou no livro. Gostaria de ter lido mais a respeito de seu personagem, pois ele era bem engraçado e fiel à Peter, porém ele acabou sendo arrastado para um outro lado que era totalmente oposto ao de seu grande amigo.

Só o que me chateou foi o triste fim que Otto, o pai de Anna teve, achei que poderia ter sido dado um outro desfecho para o seu personagem, mas como todos nós sabemos as estórias dos livros, ainda mais as histórias verídicas na maioria das vezes nos mostra a triste realidade dos fatos.

Tendo colocado todas as minhas opiniões aqui nas minhas impressões eu espero que vocês se interessem por esse livro, que com certeza tem algo a nos dizer e principalmente nos fazer pensar e sermos gratos por tudo o que temos e pelas pessoas que estão ao nosso lado.


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12 comentários:

  1. Kaline!
    Me abalo muito também com a maldade e a crueldade dessa época.
    A crueldade humana é realmente inimaginável, principalmente na época do holocausto.
    Gosto demais de livros baseados nesse período porque podemos aprender coisas que não vivemos e agradecer por não ter vivido lá.
    Achei interessante demais o enredo e gostaria de saber o que aconteceu com o protagonista.
    Desejo uma ótima semana!
    “A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.” (Zíbia Gasparetto)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  2. Olá Kaline, é sempre muito interessante ler livros sobre o Holocausto. Estas leituras são importantes pois nos lembram sempre de uma época vergonhosa que não podemos deixar que seja repetida. Minha próxima leitura será "Resistência", outro livro que versa sobre este tema.
    Aqui, vemos que o protagonista Piort, apesar de apresentar características físicas que o tornam parte da supremacia ariana, NÃO QUER ser nazista. Acredito que ao se reunir com Anna e sua família, ele vai ter a chance de lutar contra isso (pelo menos foi minha impressão ao ler a resenha).
    Creio também que os personagens representados como o pai de Anna e o amigo de Piort tiveram que ter seus destinos da forma que foi descrito para manter o caráter verídico da estória.
    Me interessei sim e o texto me colocou a pensar. Devemos agradecer a cada momento e tomar cuidado para que o futuro não repita o passado!

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  3. Olá.
    Gosto de livros com esse tema, pela reflexão que nos oferece e por nos dar a oportunidade de valorizar a vida que temos, nossas famílias e amigos e a nossa liberdade. Mas sempre é muito triste ler sobre esse assunto e quando finalizamos uma leitura dessas, o coração sai pesado e dolorido. Não é possível compreender como um ser humano pode ser tão cruel e indigno ,com seu semelhante.
    Infelizmente os finais não são o que esperamos, pois retratam uma triste realidade. Mas de qualquer forma, gostaria de ter a oportunidade de conferir essa leitura.
    Sua resenha está ótima.
    Beijos.

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  4. Olá !!
    Gosto muito de ler livros com cenários históricos e assim como você eu me emociono ao ler a crueldade na Alemanha Nazista.
    Esse história parecr ser bem tocante e intensa.
    Quando tiver oportunidade eu vou le-la..

    Bjos

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  5. Acredito que a parte mais difícil de se digerir nessas leituras baseadas em fatos reais, e o que na maioria das vezes o final não e tão agradável, e feliz quando imaginávamos, até porque durante a estória vamos nos aproximando e nos envolvendo com a historia de vida desses personagens que tanto sofreram, principalmente crianças, e mulheres judeus, e no final só torcemos para que sejam felizes e escapem desta crueldade. Quero muito ler esta obra, já que me pareceu uma trama de uma narrativa fácil e fluida, que faz com que nos envolvemos emocionalmente com a trama em si.

    Participe do TOP COMENTARISTA de AGOSTO, para participar e concorrer Ao livro "Dois Mundos", o primeiro da série "Tesouros da Tribo de Dana" da escritora Simone O. Marques, publicado numa edição linda pela Butterfly Editora.
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  6. Olá!
    Adoro livros que se passam nessa época, lia super pouco sobre o tema e comecei a ler mais agora. Ainda não conhecia esse livro, a premissa é muito boa e parece retratar bem todo sofrimento que era aquela época :/
    Quero muito ler (:
    Beijos

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  7. Esse é um ótimo livro, principalmente pra quem se interessa pelos sentimentos que tomavam conta da Alemanha nazista. Ele é muito bem escrito e, traz a realidade dos fatos. O livro faz pensar em como aquela crueldade toda pode ter acontecido e como dever ter sido difícil viver naquela época. Achei o Peter, um personagem interessante, que nos faz refletir com seus conflitos internos e dúvidas. As atitudes dos Kaltenbach nos deixa reflexivos em como as palavras de Hitler tinham tanto poder, e como influenciaram tanto uma nação.

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  8. Olá!
    Fala sobre aquela época é muito difícil, já que tiveram vários acontecimentos muitos fortes e com certeza ainda podemos ler em internet ou em livros nas escolas. O livro é muito interessante, a forma de como você falou dele foi sensacional, o jeito, a trama é muito envolvente apesar de ser algo muito triste para aquela época. Gostei muito do livro e com certeza valeria a pena ler.

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  9. Olá Kaline ;)
    Amo livros que abordam o tema da Segunda Guerra... por coincidência estou lendo um livro que fala sobre isso, o A Guerra Que Salvou a Minha Vida, e estou amando ele S2
    Não consigo imaginar o quanto a população sofreu nessa época, pessoas como o Piotr.
    A família da personagem Anna foi o que me chamou a atenção, eles parecem ter sido fundamentais para o amadurecimento do Piotr, e consigo imaginar esse grande segredo que ela confidencia a ele!
    Enfim, o livro parece ser lindo e trazer uma mensagem de superação e incentivo a ajudar o próximo, e claro, traz para o leitor uma ideia do que tantas pessoas sofreram nesse evento infeliz que foi a Guerra.
    Bjos

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  10. Oi Kaline,
    Amo livros que envolvem fatos históricos, ainda mais quando o cenário é da Segunda Guerra Mundial. São histórias fortes e extremamente cruéis, mas me emocionam e tocam o meu coração. Também amo histórias protagonizadas por crianças, o ponto de vista inocente desses personagens sempre trazem valiosas mensagens e nos fazem refletir. Então é claro que vou querer ler esse livro que você resenhou, já estava de olho nele desde quando vi o lançamento. Quero acompanhar a trajetória da vida do personagem Peter.
    Li recentemente O Menino no Alto da Montanha, do mesmo autor de O Menino do Pijama Listrado, e mais uma vez me deparei com uma leitura intensa. Esse estilo de livro sempre choca devido a tanta crueldade que os judeus sofreram e são lembretes para a sociedade nunca se esquecer de até onde a ganância do ser humano pode chegar.
    Beijos

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  11. Olá! Gosto bastante dos livros que acabam trazendo um pouco mais dos fatos que aconteceram no passado, ainda mais este, que tanto me repugna, não consigo entender como foi possível que tudo isso tenha acontecido. O enredo chamou minha atenção de imediato, gostei muito e estou curiosa em descobrir o desfecho da história. Acredito que mais uma vez irei precisar dos meus lencinhos.

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  12. Nao gosto de livros que fala sobre guerras.
    Mesmo a estória flua bem não tenho panos de ler esse livro.
    Uma das coisas que eu não gosto desse tipo de leitura e o fim de alguns personagens, nesse como no caso que vc citou do Otto.

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