29 agosto 2017

Resenha - Dumplin'


Título: Dumplin'
Autora: Julie Murphy
Cortesia: Editora Valentina
Skoob / Goodreads
Páginas: 300
Onde comprar: Amazon / Saraiva / Submarino

Especialmente para os fãs de John Green e Rainbow Rowell, apresentamos uma destemida heroína e sua inesquecível história sobre empoderamento feminino, bullying, relação mãe e filha, e a busca da autoaceitação. Sob um céu estrelado e ao som de Dolly Parton, questões como o primeiro beijo, a melhor amiga, a perda de alguém que amamos demais e “estou acima do peso e ninguém tem nada com isso” fazem de Dumplin’ um sucesso que mexerá com o seu coração. Para sempre. Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.






Willowdean é uma adolescente gorda que está muito bem com o seu peso e dona de uma ótima autoestima. Sua mãe, uma ex-miss, é uma supervisora de um lar de idosos durante o ano todo, mas em uma época específica, é chefe do comitê e apresentadora oficial do concurso pelo qual a cidadezinha onde mora é conhecida, o aclamado Miss Jovem Flor do Texas, que acontece uma vez por ano. Um clima triste ronda pela casa, e isso se deve à morte de Lucy seis meses atrás, tia de Willow. Só que esse luto é sentido de forma diferente entre Will e sua mãe, pois assim como a sua sobrinha, Lucy também era gorda. Além disso, o relacionamento entre as duas não é dos melhores, já que Will sofre preconceito de sua própria mãe por não ser como uma das magricelas de seu tão prestigiado evento. Como se isso não bastasse para piorar a relação, sua mãe quer transformar o quarto de Lucy em um ateliê, já que o quarto está inutilizado. E Will, é claro, apenas enxerga isso como uma maneira de sua mãe de tentar apagar a existência de sua tia.

A mãe de Willow tem medo de que sua filha termine do mesmo modo que a tia, um dos motivos de abominar tanto o seu peso e insistir em lhe mostrar exemplos de superações de pessoas que entraram em um programa de emagrecimento e conseguiram emagrecer x quilos, além de sempre tentar incentivá-la a entrar de dieta toda vez que dá início à temporada do concurso. E com esse desejo egoísta de tornar a filha mais magra e saudável, acaba se esquecendo que é sua relação com Willow que passa cada vez mais longe de ser sadia. 

Will tem uma melhor amiga de infância chamada Ellen, que apenas a conheceu graças à sua tia Lucy, que gostava de trocar figurinhas da cantora Dolly Parton com a mãe de Ellen. As duas estão sempre próximas uma da outra trocando confidências sobre tudo, inclusive sobre como pode ser a primeira vez de Ellen com o namorado, e quer que Will passe o verão trabalhando com ela numa loja do shopping. Porém, Will prefere permanecer no mesmo emprego, trabalhando como caixa numa lanchonete, e não somente por causa do salário. Desde o primeiro dia ela é apaixonada por Bo, um garoto bem discreto que estuda numa escola particular, mas que chama a atenção de qualquer garota que o vê. Ela não revela essa paixonite a Ellen pois não espera nada, além disso, sua melhor amiga é bem mais experiente que ela no quesito garotos e relacionamentos, e Will se sente como se estivesse ficando para trás. Só que um dia que deveria ser como qualquer outro no trabalho, Willowdean é surpreendida por Bo com um beijo. Completamente surpresa, por meio dessa atitude inesperada, ela vê que sua atração por ele é mútua.


Conforme os beijos com Bo vão acontecendo com maior frequência, Will se vê presa em um dilema completamente novo: sua autoestima passa a despencar. Afinal, não é comum as pessoas verem um cara tão bonito como Bo caminhando de mãos dadas com uma gorda como ela, e o peso de um relacionamento novo começa a assustá-la. E conforme Ellen passa a fazer amizade com uma garota completamente desagradável, que sempre fica esnobando Will, as duas vão ficando cada vez mais distantes uma da outra, e é por esse motivo que ela não diz nada a amiga sobre Bo. Mexendo nas coisas de sua tia, Will descobre um formulário de inscrição do concurso, e, impensadamente, resolve participar. Isso, é claro, chama a atenção de três meninas que sofrem bullying na escola por também serem fora do padrão: Millie, que é bastante gorda; Hannah, por ter dentes grandes e feios; e Amanda, que nasceu com uma perna diferente da outra e precisa da ajuda de aparelhos ortopédicos. Será que as quatro conseguirão provar ao mundo que também são dignas de participar de um concurso de beleza?

“- Por que me deixou experimentá-la? Ela dá de ombros. - Talvez porque nem sempre seja preciso vencer um concurso para se pôr uma coroa na cabeça.”

Acredito que um dos motivos pelo qual amei esse livro é o fato de que as meninas que sempre passam despercebidas pela sociedade ganharem visibilidade graças à iniciativa de Willow. A partir disso, elas não deixam o medo de serem ridicularizadas dominá-las. Passam a adquirir coragem e determinação para provar às pessoas da cidade, que tanto valorizam o Concurso Miss Jovem Flor do Texas, que merecem tanto quanto às garotas tipicamente magras e esbeltas participar do concurso e até mesmo vencer. Elas podem não ter dentre os seus atributos a magreza, pernas do mesmo tamanho ou dentes perfeitos, mas conservam o carisma, simpatia, criatividade, singularidade, atitude, talento e todo o glamour necessários para encantar e surpreender o público e jurados implacáveis. 

Achei muito legal ver que é por meio do concurso e da música de Dolly Parton que Will consegue honrar a memória de sua tia falecida. Enquanto sua mãe tenta apagar sua existência, através da atitude de transformar o quarto de Lucy em um ateliê, Will ainda está de luto e magoada, com medo de que suas lembranças com a tia se apaguem com o tempo, já que ela não tinha o costume de tirar fotos de si mesma. Sua tia era o seu mundo, a única que a compreendia e a ajudava a passar pelos obstáculos, especialmente envolvendo situações constrangedoras e complicadas por ser gorda. Ela sempre sabia o que dizer a sua sobrinha e quais conselhos certos que a mesma deveria seguir, e o mais importante, diferentemente da irmã, Lucy aceitava completamente a pessoa que Will é e não tentava mudá-la.


É um livro sobre empoderamento feminino, sobre a forte presença da gordofobia no cotidiano e principalmente sobre autoaceitação. Até Bo entrar em sua vida, Will se achava linda e maravilhosa, mas aí passa a colocar a lente da sociedade em si mesma: o que os outros vão pensar me vendo com um garoto com essa aparência, magro e alto, basicamente, o modelo de perfeição masculino? Não é tão fácil assim não se importar com o que os outros vão pensar, especialmente se ela sempre conviveu com as pessoas lhe proferindo comentários e ofensas absurdas sobre o seu peso. Willowdean demonstra ser uma menina muito empoderada, ainda que não saiba disso. Ela é um ícone para as ‘fracassadas’ do grupo, um exemplo, uma inspiração. E é claro, não demora para Will encantar um número cada vez maior de pessoas no decorrer do concurso. Posso dizer com certeza que eu me cativei bastante pela personagem e se tivesse pelo menos 10% de sua força, já me sentiria realizada.

Há a presença de um triângulo amoroso interessante e clichê, já que os dois partidos são lindos, doces e maravilhosos. Não vou negar que me senti bem dividida entre os dois garotos, ainda que fique óbvio sobre qual deles o coração de Willow pertence. Bo é o bonitão que todas as meninas veneram e desejam, mas por ser muito reservado sobre os seus sentimentos, como a falta da mãe falecida e a culpa pelos erros cometidos no passado, nenhuma sabe o que realmente se passa dentro dele. Exceto Willowdean, é claro. Bo, que nunca foi de falar muito, aos poucos passa a se soltar com ela, a ser ele mesmo. Não tem como não se encantar! E o que dizer de Mitch? Admito que no início não depositava muita fé no garoto, mas é surreal como a cada encontro com Willow ele vai melhorando sua personalidade e ficando ainda mais encantador do que já é. Já deixo meu aviso aqui para vocês se preparem para essa eterna luta de indecisão. 

“Ainda me lembro daquela noite, há dois anos, em que estávamos sentadas à mesa da cozinha e fingi não ter ouvido mamãe incentivando-a a se inscrever. Isso não deveria ter feito diferença para mim, mas fez. Foi um momento que enterrei muito fundo na memória, e agora era a única coisa que eu via. Como um círculo se fechando. Ela era minha mãe. Morávamos sob o mesmo teto, e, durante todo esse tempo, jamais estendera o convite a mim.”

Dumplin’ é um belo tapa na cara. O sentimento que ficou em mim no fim da leitura é de que todas as pessoas deveriam ler e saber como é ser a Willow e Millie todos os dias. Se eu, que não sou gorda, me senti bem desconfortável com as situações desagradáveis vivenciadas por ambas as personagens, como o bullying na escola, preconceito que vem de todos os lugares, no trabalho, concurso de beleza e até mesmo dentro de casa da própria família, imagine só como deve ser para os leitores que se identificam com elas? Isso é para vocês terem uma ideia de como a autora conseguiu abordar bem o assunto, ainda que com certa delicadeza. Com a sua escrita e história maravilhosas, ficou mais simples para eu entender a magnitude desse tema, sobre o que é ser gorda e ser vista com o estigma social (e bastante equivocado, devo dizer) como feia e inútil que apenas come demais, sobre o que é vivenciar o amor pela primeira vez, refletir sobre o que significa embarcar em um relacionamento amoroso e em todas as consequências que isso implica. E principalmente, sobre aprender a se aceitar quando tantas pessoas estão determinadas em fazê-la se sentir frágil e poucos ou ninguém lhe dá o apoio necessário.

A diagramação está linda! A edição física está incrível com esse preto fosco, o que destacou bastante a figura de Willow na capa e contracapa, com seus cabelos claros e vestes vermelhas. Também gostei dos espaçamento e fonte da letra maiores na primeira página de cada capítulo, tornando assim a leitura ainda mais fluída. A narrativa é em primeira pessoa, através da perspectiva de Willowdean. Apesar de ser um livro jovem adulto, ele tem todos os atributos necessários para encantar leitores de qualquer idade. Não foi mesmo a toa que entrou para a lista dos favoritos! Recomendo!


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12 comentários:

  1. Eu li esse livro tem umas duas semanas, e posso dizer que acredito que o livro vai além de um mero romance, o livro fala sobre empoderamento feminino, sobre coragem, determinação, sobre enfrentar tudo e todos, incluindo a si mesmo.
    Gostei muito de Dumplin, confesso que fiquei até com um gostinho de quero mais e é impossível não ficar imaginando o que aconteceu depois da última página. Bem que podia ter uma continuação ou um capítulo extra. Eu ia amar! haha

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  2. Amanda!
    Difícil viver dentro dos padrões que a sociedade impõe, principalmente na adolescência.
    Gostei de ver que Will e suas amigas querem apenas mostrar que são 'normais' que não são diferentes das outras adolescentes e achei demais a ousadia dela em querer participar de um concurso de beleza.
    E que mãe é essa, hein? Vixe! E porque tentava fazer o melhor, avalie se não...
    Tão bom quando nos identificamos com um enredo, né?
    Desejo uma semana mais que tranquilo e abençoado!
    “Deus com Sua infinita Sabedoria, escondeu o Inferno no meio do Paraíso para que nós sempre estivéssemos atentos.” (Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy

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  3. Olá Amanda,
    Que delícia encontrar a resenha deste livro. Tive a chance de ler neste mês e estou apaixonada, também achei que foi "um tapa na cara"! Também entrou direto para os meus favoritos! E o melhor é que consegui a versão em inglês em capa dura através de uma troca no skoob (como eu amo essa rede de leitores!)
    Vibrei com cada momento em que as quatro meninas lutam e disputam o concurso de miss. Adorei também o tributo a tia Lucy com a música de Dolly Parton (acredito que Lucy seja uma personagem principal para o desenvolvimento de Willow).
    Acredito que o livro seja perfeito para várias situações em que as pessoas estejam com auto-estima baixa. Ao lidar com preconceito e bullying, a narrativa torna a leitura prazerosa e nos faz refletir sobre temas tão importantes nos dias de hoje. Um livrão!!!

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  4. Concordo com sua opinião e acho que todos deveriam ler este livro, e ter uma reflexão a respeito das suas crenças a respeito dos padrões sociais de beleza, e que as vezes a pessoa gorda se sente inferior, por ser julgada o tempo todo, não só por nós, mas também pelos familiares como está personagem, o que acaba gerando uma baixa auto estima na pessoa, ao ponto de sentir insegura nos relacionamentos amorosos, ou até mesmo sendo capaz de não sentir bem consigo mesma. Eu por exemplo sempre tive dificuldade em me aceitar, e acredito que este livro vai me fazer rever meus conceitos, vou poder me identificar, e tirar um grande proveito deste conteúdo. Super ansiosa por esta leitura.

    Participe do TOP COMENTARISTA de AGOSTO, para participar e concorrer Ao livro "Dois Mundos", o primeiro da série "Tesouros da Tribo de Dana" da escritora Simone O. Marques, publicado numa edição linda pela Butterfly Editora.
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    Tenho muita vontade de ler esse livro, pois aborda temas importantes, que de uma maneira ou outra, em algum momento de nossas vidas, também enfrentamos. Com os rigorosos padrões sociais de beleza, que estão sempre nos impondo, seja na adolescência ou vida adulta, os preconceitos e reações se abatem sobre nossas vidas. E saber lidar com tudo isso, é uma grande luta.
    Imagino uma linda leitura, de superações e coragem; estou bem curiosa e animada para ler!
    Sua resenha está perfeita e muito motivadora! Espero ler e gostar tanto quanto você.
    Beijos.

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  6. Li a sinopse desse livro e achei bem interessante.
    Gostei do fato da autora ter criado uma personagem que quebra os padrões de beleza estipulados pela sociedade e da protagonista se aceitar do jeito que e (mesmo parecendo ter duvidas). Gostei muito de saber que que o triângulo amoroso e meio cliche e tem como saber quem a protagonista vai escolher (não gosto de torcer para uma personagem e a outra ser escolhida).
    Ja adicionei esse livro na lista.

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  7. Olá!
    Gostei muito dessa história, ela é uma forma de quebra os padrões, onde as pessoas pensa que tem quer ser perfeita feito uma Barbie e nem sempre é assim. A história da personagem é linda, maravilhosa e com certeza quero ler e embarga nessa jornada dela.

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  8. Oi Amanda,
    Quero muito ler essa obra de empoderamento desde quando vi a divulgação do lançamento, amei a premissa e, pelo que venho lendo em resenhas, os comentários mostram o brilhantismo dessa história incrível e repleta de lições. Tudo indica que essa garota vai conquistar muitos leitores, e não vejo a hora de ser cativada por ela também.
    Já estou encantada com a Will, que garota! Estou ansiosa para acompanhar a jornada dessa personagem tão cativante que irá mostrar a importância do amor próprio. Esse livro vai muito além de um romance adolescente, traz uma história repleta de reflexão e lições.
    Fiquei sabendo que vai ter uma continuação ♥
    Beijos

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  9. Olá! A capa é linda eu adorei, o livro passa uma mensagem muito positiva, pois não é possível alcançar a perfeição, temos que nos aceitar como somos, e apesar das inseguranças da Will, ela consegue isso no decorrer do livro, em uma história encantadora, divertida e cheia de emoções, tirando a mãe dela gostei de tudo no livro.

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  10. Oi Amada ;)
    Confesso que estou super ansiosa para ler Dumplin logo haha, e você só me deixou mais animada ainda, obrigada kkkkk
    A Will parece ser uma personagem que vai me marcar muito, ela parece corajosa e parece amadurecer muito ao longo do livro, e com certeza ele vai ser daqueles que emociona com os temas fortes que são abordados!
    Não conhecia a Julie Murphy ainda, mas só vi elogios a escrita dela no livro, portanto fiquei super interessada em começar a leitura logo agora haha
    Adorei sua resenha, parabéns ;)
    Bjos

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  11. Oiiie!
    Amei a resenha!! Acho que esse é um livro que todos devem ler, inclusive eu, pois ainda não li. Acho que é um livro que foge dos padrões, um tapa na cara das pessoas que acreditam que um corpo e uma pessoa somente é bonita se ela for magra, o que eu acho um absurdo.
    A Will parece ter uma personalidade muito forte, por apesar do que todos iriam dizer, ela se inscreve para o concurso Miss jovem flor do Texas. Já estou torcendo para que a relação dela com o Bo dê certo, e para que ela seja muito feliz nessa jornada!

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  12. Aproveitei a promoção de ebooks na Amazon da última semana e adquiri esse queridinho, logo vou conferir a leitura. Acho a proposta desse livro mais que válida: necessária. Na sociedade em que vivemos, é cada vez mais preciso e, infelizmente, mais difícil se aceitar e se amar. Acho que Will vem com essa determinação de realmente quebrar paradigmas da sociedade e mostrar que para ser feliz, a gente só precisa ser como a gente é. Além do mais, quero muito saber como essa protagonista vai enfrentar todos esses dilemas da sua vida e juventude, principalmente com relação à mãe..

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