22 maio 2017

Resenha - Para educar crianças feministas


Título: Para educar crianças feministas
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Cortesia: Companhia das letras
Skoob / Goodreads
Páginas: 96
Onde Comprar: Saraiva / Amazon
Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.







"A primeira é a nossa premissa, a convicção firme e inabalável da qual partimos. Que premissa é essa? Nossa premissa feminista é: eu tenho valor. Eu tenho igualmente valor. Não “se”. Não “enquanto”. Eu tenho igualmente valor. E ponto final."

Ao pensarmos nas futuras gerações, pensamos imediatamente em oferecer-lhes o melhor possível, em meio a um mundo tão conturbado e cheio de desigualdades. Queremos ensinar-lhes significados de coisas boas, queremos ensinar-lhes empatia, amor, e liberdade. E foi dessa forma que Chimamanda Ngozi Adichie, uma conhecida feminista, certo dia recebeu uma carta de sua amiga que havia acabado de se tornar mãe, perguntando-lhe como poderia fazer para criar sua filha dentro de conceitos feministas, no mundo em que estamos. Foi então que Chimamanda escreveu uma longa carta de resposta para a amiga, falando a respeito de alguns significados, conceitos e crenças importantes para o feminismo, crenças estas que a ajudariam nesse caminho de educar sua filha para almejar, desde pequena, uma igualdade entre os gêneros.


"1. PRIMEIRA SUGESTÃO: Seja uma pessoa completa. A maternidade é uma dádiva maravilhosa, mas não seja definida apenas pela maternidade. Seja uma pessoa completa. Vai ser bom para sua filha. Marlene Sanders, a pioneira jornalista americana, a primeira mulher a ser correspondente na Guerra do Vietnã (e ela mesma mãe de um menino), uma vez deu este conselho a uma jornalista mais jovem: “Nunca se desculpe por trabalhar. Você gosta do que faz, e gostar do que faz é um grande presente que você dá à sua filha”."

Em poucas páginas, Chimamanda fala sobre casamento, família, amores, a importância de desmistificar conceitos como os de que "certas roupas são imorais", a importância de a própria mãe viver bem e seguindo conceitos feministas, pois também ensinamos dando exemplos, dentre outros temas importantes que não só ajudam-nos como um guia para criarmos futuros filhos, mas também são coisas que nos fazem refletir, e muitas delas podem ser aplicadas as nossas próprias vidas.

"Outra conhecida, uma americana, me contou uma vez que levou o filho de um ano a um espaço de recreação infantil em que várias mães levavam seus bebês, e percebeu que as mães das meninas eram muito controladoras, sempre dizendo “não pegue isso” ou “pare e seja boazinha”, e que os meninos eram incentivados a explorar mais, não eram tão reprimidos e as mães quase nunca diziam “seja bonzinho”. Sua teoria é que pais e mães inconscientemente começam muito cedo a ensinar às meninas como devem ser, que elas têm mais regras e menos espaço, e os meninos têm mais espaço e menos regras."

Em Para educar crianças feministas, conhecemos um pouco mais sobre feminismo de uma forma leve, interessante e intrigante, e conseguimos ter vislumbres, mais uma vez, do quão incríveis e importantes são os escritos de Chimamanda.

"5. QUINTA SUGESTÃO: Ensine Chizalum a ler. Ensine-lhe o gosto pelos livros. A melhor maneira é pelo exemplo informal. Se ela vê você lendo, vai entender que a leitura tem valor. Se ela não frequentasse a escola e simplesmente lesse livros, provavelmente se instruiria mais do que uma criança com educação convencional. Os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo o que ela quiser ser — chefs, cientistas, artistas, todo mundo se beneficia das habilidades que a leitura traz. Não falo de livros escolares. Falo de livros que não têm nada que ver com a escola: autobiografias, romances, histórias. Se nada mais der certo, pague-a para ler. Dê uma recompensa. Sei dessa nigeriana incrível, Angela, uma mãe solo, que estava criando a filha nos Estados Unidos. A menina não gostava de ler, então a mãe decidiu pagar cinco centavos para cada página lida. Mais tarde, ela dizia brincando: “Saiu caro, mas o investimento valeu a pena”."




[- Minhas Impressões -]

Há algum tempo atrás, conheci Chimamanda através de seu livro Sejamos todos feministas, adaptado de um discurso que ela fez, a respeito do tema, em um evento importante. Lá, me encantei com sua sensibilidade e sua capacidade de falar de um tema que é tão cheio de nuances, de uma forma compreensível e que desmistifica muitos dos nossos pensamentos. Então, assim que soube sobre o lançamento de Para educar crianças feministas, imediatamente quis lê-lo, e foi uma experiência muito interessante, pois senti que este é um complemento do primeiro, pois lá, Chimamanda fala sobre o que é o feminismo e aqui ela fala sobre ações práticas e pequenas que podem colaborar para alguém estar aplicando o feminismo em sua vida.

Achei o modo de escrita desse livro um dos pontos mais positivos. Escrito em forma de carta, ele traz um tom intimista, como se a autora estivesse falando diretamente com cada um de nós, e faz com que reflitamos muito a respeito do que ela mencionou. Além disso, adorei cada ponto abordado, pois não são coisas impossíveis de se fazer, são pontos simples como Se valorizar mais, ler bons livros, dentre outros, que todos nós podemos aplicar até mesmo para uma melhora em nossa autoestima e em nossa vida.

Eu não encontro pontos propriamente negativos a destacar, só achei que em alguns momentos as dicas foram um pouco estendidas demais ou repetitivas, o que acabou me fazendo querer terminar logo a obra, mas ainda assim, foi algo de grande aprendizado para mim.

Como é uma carta, não temos propriamente personagens, e sim a própria autora falando, e gostei muito de conhecê-la um pouco mais, e saber sobre seus pensamentos, crenças, e também sobre suas dificuldades, que a colocam em um patamar igual ao que estamos, tentando fazer o melhor por aquilo que acredita, porém, sempre encontrando alguns empasses, tendo dúvidas, errando e acertando.

O livro é um texto em forma de carta, onde a autora dá quinze dicas para a amiga que lhe perguntou como educar uma criança feminista, então, temos a divisão da obra entre essas dicas, onde ela dá a dica e reflete um pouco mais a respeito disso, mencionando outras pessoas famosas ou suas próprias experiências. Ainda, a narração é feita em primeira pessoa, e durante a leitura, não encontrei erros.
Recomendo a obra para àqueles que já conhecem a autora e suas crenças, ou para quem se interessa em conhecê-la, embora eu creio que ler o Sejamos todos feministas antes pode dar uma compreensão ainda maior e uma experiência ainda mais rica nessa segunda leitura.



Resenha desenvolvida por Tamara Padilha  ( Não faz mais parte da Equipe )

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2 comentários:

  1. O tema feminismo sempre me interessou, hoje sabendo e entendendo melhor sobre o tema, sempre que vejo um livro que aborda essa temática, sempre fico interessada na leitura, e curiosa para saber sobre o conteúdo. Imagino que por se trata de texto em forma de cartas, já sai da minha zona de conforto, outra coisa que me chamou a atenção, e forma como educar uma criança para que ela seja feminista, e como isso será abordado.

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  2. Stefani!
    Gosto muito dos livros que vem em forma de carta, torna mais pessoal e próximo do leitor, porque quem não gosta de receber uma carta bem escrita?
    E quando se trata do tema feminismo, temos de ler para aprender mesmo cada vez mais.
    Esse livro dela deu o que falar, foi parar até nas mídias, porque estavam questionando a postura dela de querer impor o feminismo para as crianças, vê se pode?
    Bom final de semana!
    “A solidão é a mãe da sabedoria.” (Laurence Sterne)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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