19 maio 2017

Resenha - O Caçador de Pipas


                                     
Título: O Caçador de Pipas
Autor: Khaled Hosseini
Editora: Globo Livros
Skoob / Goodreads
Páginas: 365
Onde comprar: Saraiva / Amazon

Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.










A partir dos laços já existentes entre os pais de Amir e Hassan, surgiu a amizade entre os dois jovens. Hassan é filho de um dos empregados e amigos do pai de Amir, então, desde muito pequeno, Hassan aprendeu a ser leal e servir a Amir com todo o esforço que lhe fosse preciso. Amir, por outro lado, está sempre tentando ser alguém que seu pai se orgulharia. Ele enxerga, durante algumas demonstrações, que seu pai possui um apreço especial por Hassan. Então, o garoto que lia histórias para seu amigo, enquanto ambos sentavam nos galhos de uma árvore, tornou-se, aos poucos, rancoroso. Amir não tinha a intenção de fazê-lo, entretanto, foi durante o campeonato de pipas de 1975, um dos eventos mais aguardados pelos moradores de Cabul, que Amir teve sua chance de retribuir a lealdade que lhe fora dedicada durante anos por Hassan. O garoto deixou passar a tão importante oportunidade de ajudar o amigo e tornar-se alguém honrado, permitindo que seu ímpeto em orgulhar seu pai o cegasse.

"Era a minha última chance de tomar uma decisão. Uma última oportunidade para decidir quem eu ia ser. Poderia entrar no beco, ir defender Hassan - do mesmo jeito que ele me defendeu todas aquelas vezes no passado - e aceitar o que quer que viesse a acontecer comigo. Ou podia sair correndo."

Durante o tempo que se seguiu ao fim do campeonato, Hassan e Amir afastaram-se cada vez mais, dando no lugar da sua amizade um garoto devastado pela dor e tristeza, e outro pela culpa e vergonha.

Anos depois da ida de Amir para os Estados Unidos, já casado e escritor de alguns livros publicados, ele recebe uma ligação que o faz reviver o sentimento de culpa que o rondava no passado e que, até então, estava adormecido. Amir volta ao lugar onde suas lembranças se encontravam e descobre que acima do mal que pode ter causado para Hassan, ele tem agora a oportunidade de ajudar um garotinho muito especial que precisa dele neste momento.




[- Minhas impressões -]

A história é envolvente em todos os aspectos possíveis. Me vi tentando compreender cada pequeno detalhe do livro, desde a ânsia de Amir para conquistar o coração do pai, até a devoção absurda que Hassan demonstra, mesmo durante os momentos em que está sendo ferido por palavras ou atos, a quem ele considerava um amigo.

Como o livro é narrado em primeira pessoa, pelos fatos ocorridos do ponto de vista de Amir, consegui perceber os motivos por trás de tudo que o jovem provoca, seja isso para ferir indireta ou diretamente Hassan, por uma vontade consciente ou inconsciente. De fato o garoto é apenas inconsequente algumas vezes. Nem por isso a revolta tornou-se menor quando vi claramente os efeitos que essas decisões tomadas por Amir, tem sobre a vida de Hassan.

Durante a leitura minha afeição por Hassan sempre crescia, pois ele tem um coração enorme, conseguindo absorver a dor sem demonstrar revolta (o que me gerou certa aflição em determinados momentos). Mesmo quando é provocado para que revide, o garoto permanece sereno, sem deixar-se levar pela raiva. Nunca nem mesmo mostrou inveja por não crescer nas mesmas condições que Amir, na verdade servia-o religiosamente, sem protestos. Me admira que alguém tenha que estar "submisso" as vontades de outra pessoa e, mesmo assim, o considerar um amigo a quem se deve fidelidade.

Talvez se fosse contado pela percepção dele, tudo acabasse em uma melancolia sem fim, onde depois da leitura eu me veria completamente voltada contra Amir, praguejando cada uma das ações ou decisões feitas por ele.

São 365 páginas, com cada capítulo bem estruturado. Não encontrei momentos em que a leitura ficou chata, sempre fluiu muito bem do começo ao fim.

Além de nos passar uma lição sobre um coração generoso e amável, este livro também trás uma percepção incrível do mundo dos muçulmanos, como também da vida levada por quem precisa sair de seu país, lugar em que cresceu, e necessita se refugiar distante de tudo aquilo que amava.

Recomendo muito a leitura.
A escrita de Khaled Hosseini é absolutamente maravilhosa.



Participe! - Já está valendo!



15 comentários:

  1. Olá!
    Boa tarde!
    Li este livro a alguns anos e lembro que foi uma leitura super prazerosa para mim!
    Realmente é chocante a forma que ele é submisso as humilhações que ele passou e mesmo assim considerar a pessoa como um amigo!
    Eu não conseguiria rsrs
    O livro te toca de toda formas possíveis!
    E concordo com VC .todos os capítulos foram especiais para mim!
    Não tem como não amar hassam
    Parabéns pela resenha

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  2. Emilly!
    Tive oportunidade de ler esse livro há alguns anos atrás e posteriormente assistir o filme (que em minha opinião não traz tanta emoção quanto o livro), e lembro de justamente ficar questionando o quanto se é submisso e ainda assim, considerar a outra pessoa amiga?!... E aprendi muito com as emoções e sentimentos demonstrados no decorrer do livro.
    “A sabedoria dos homens é proporcional não à sua experiência mas à sua capacidade de adquirir experiência.” (George Bernard Shaw)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Olá! Eu li esse livro há muitos anos e ele é absolutamente triste. Fiquei muito chocada com alguns trechos, em especial um que você deve saber qual, e foi até meio perturbador. Ele traz uma mensagem realmente muito bonita e importante. Mas não sei se eu gostei tanto do livro quanto você. Apesar de tudo isso, não gostei muito de algumas partes e foi uma leitura meio lenta pra mim, mas valeu a experiência de ter lido.

    Beijos!

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  4. Olá, tudo bem? Eu já li A Cidade do Sol desse autor e gostei bastante apesar da estória ser bem forte e triste, já ouvi falarem muito sobre esse outro livro, mas apenas compreendi o porque depois de ler essa resenha, com certeza vai pra minha wishlist.
    https://byangelaserrano.blogspot.com.br

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  5. Oiee Emilly ^^
    Cheguei a ler outros livros do autor (e gostei muuito de ambos!), mas ainda não li este. Vi o filme e tudo o mais, mas não é a mesma coisa, né?
    Ainda assim, o filme conseguiu mexer comigo, principalmente por causa da forma como o Hassan age em relação à Amir, eu não entendia muito bem porque ele era tão devoto ao outro, até que o filme acabou. É bem marcante, né?
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  6. Oi Emily,lembro que quando saiu esse filme, sentei com a minha mãe para assistir até a cena do beco e perceber que não deveria estar ali.. mas depois ela me contou o restante do filme, fui atrás de um resumo pois precisava ver se ainda teria toda essa devoção. Vê-lo ainda carregando a pipa acabou comigo depois de tudo, e senti muita raiva. Apesar​ da história ser bonita, não é uma leitura para QQ pessoa fazer. Bjs

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  7. Oi Emilly, tudo bem?
    Eu já assisti a adaptação desse livro, porém, era bem mais nova e, para ser honesta, não me lembro de muita coisa, só de certas cenas BEM desagradáveis. Minha mãe tem o livro e me emprestou, mas eu estava deixando ele sempre para depois. Agora que li a sua resenha, fiquei mais curiosa para conferir, pois amizade é um tema que sempre me encanta quando abordado na literatura, por mais que várias coisas tenham acontecido entre os meninos que colaborasse para o distanciamento. Gostei da sua resenha e, espero que, quando for realizar a leitura, eu consiga desenvolver um carisma pelos personagens como você.

    Beijos! ♥

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  8. E a primeira vez que leio uma resenha referente a esse livro, pois ainda não conhecia essa obra, e me encantei por sua resenha, pois o personagem e cativante, e possui uma estória bonita, emocionante, e que nos refletir, e repensar a forma no qual vivemos, e como certas culturas consegue transmitir o melhor das pessoas, mesmo que de uma forma desigual, até porque as crianças possui classe sociais diferentes, e uma delas consegue viver com isso de forma natural e espontânea, sem sentir inveja ou rancor.

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  9. olá! Passei a vida inteira ouvindo falar bem deste livro. Mas só há 2 ou 3 anos. Tive a oportunidade de lê-lo. E me apaixonei. Não só pela história em si mas pela escrita do Hosseini. Depois que li O caçador de pipas li também "A cidade do sol" E o livro superou o caçador de pipas (na minha opinião) Também tenho "O silêncio das montanhas" mas ainda não conclui a leitura. Gostei muita da resenha. Foi clara, e esclarecedora. Abraço

    Bia Oliveira

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  10. Oi!
    Esse é um dos livros que eu morro de vontade de ler na vida, pois além de contar um pouco mais da cultura de muçulmanos e mostrar um pouco mais sobre como é para eles se refugiarem em um outro país, gosto muito dessa temática de amigos de infância que possuem classes sociais diferentes e mesmo assim são amigos (ainda que aconteça algo que 'estrague a amizade deles no caminho).
    Enfim, adorei sua resenha e fiquei ainda mais curiosa para lê-lo

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  11. Oi, Emily!
    Esse é um dos livros que quero ler faz tempo, já tive várias indicações de leitura e muitos elogios a obra, mas ainda não tive chance de pegar o livro para ler. Me parece o tipo de leitura que provoca reflexão e levanta muitos assuntos importantes a serem discutidos. Também tenho a impressão de que é uma leitura um pouco densa, mas ainda assim pretendo ler em breve.

    Beijos,

    Rafa [ blog - Fascinada por Histórias]

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  12. Oi! Acredita que eu tenho esse livro em casa há anos (da minha mãe) e nunca o li? Tenho medo dele. Lembro que quando minha mãe o estava lendo, ela chorava rios!!! Me assustou, kkkkkkk. Enfim, eu não sabia que a história era assim, sua resenha me interessou pra caramba. Livros que tratam de generosidade são muito necessários hoje me dia, principalmente quando vêm dos países taxados de desumanos por causa dos atos de alguns. Com certeza entrou na minha meta de leitura.

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  13. OOi. Lembro que assisti ao filme quando ainda era bem novinha, nem me lembrava do que se tratava a história. Nunca li nada do autor, mas esse livro chama bastante minha atenção. A obra parece ser envolvente, intensa e muito chocante e reflexiva, e até bem triste. Espero um dia ter a oportunidade de realizar essa leitura.

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  14. Oie! Não conhecia o livro, mas fiquei bem impressionada conforme fui acompanhando sua resenha. Fiquei com muita vontade de entender os motivos que faziam Amir tratar o suposto amigo desse jeito e o porquê de Hassan servi-lo sem pestanejar. Se eu lesse a obra completa, acho que ficaria com vontade de ser um pouco como Hassan, não deixando se levar pela raiva e mantendo a serenidade acima de tudo, mas acredito que eu não aceitaria essas ofensas sem fazer nada... Achei bem chocante a forma como tudo foi contato e quero muito saber os pensamentos de Amir. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart

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  15. Olá!
    Já tive a oportunidade de ler essa obra e fiquei maravilhada com o que encontrei no livro. É uma história muito bonita e muito bem contada também, que nos transporta para aquele ambiente em que eles vivem. Infelizmente, ao contrário de você, encontrei momentos que a leitura ficou chata sim, mas não tirou o brilho da obra para mim.
    Beijos.

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